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Natea de Tucuruí alerta para impactos do ambiente de Carnaval em crianças no espectro autista

Núcleo de Atendimento da Policlínica Lago de Tucuruí orienta famílias sobre estímulos sensoriais, como sons e luzes, e adaptação da rotina no período festivo

Por Governo do Pará (SECOM)
11/02/2026 10h02

Às vésperas do Carnaval, quando ruas ganham cores, sons e multidões, o Núcleo de Atendimento ao Espectro Autista (Natea) da Policlínica Lago de Tucuruí, no sudeste paraense, faz um alerta às famílias: o período de festas pode representar um desafio para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) devido ao excesso de estímulos e à quebra da rotina.

Segundo a psicóloga Sabryna Mira, responsável pelas orientações no Natea, o Carnaval costuma provocar mudanças bruscas no cotidiano, expondo as crianças a ambientes com ruídos intensos, luzes fortes e grande circulação de pessoas. “Para crianças com TEA essas alterações podem gerar ansiedade, desconforto emocional e episódios de sobrecarga sensorial”, informa.

Entre os estímulos que mais causam incômodo estão músicas em volume alto, fogos de artifício, sons intensos, luzes fortes, multidões, fantasias com tecidos ou acessórios desconfortáveis e cheiros diferentes. A profissional ressalta que a sensibilidade varia de criança para criança, mas esses fatores são frequentemente associados ao aumento do estresse.

Com carinho e cuidado, crianças podem aproveitar a alegria do Carnaval

Sem estímulos intensos - A participação em festas de Carnaval deve ser avaliada de forma individual. De acordo com a psicóloga, eventos menores, em ambientes controlados e por períodos curtos, costumam ser mais adequados. “Festas com grande aglomeração e estímulos intensos não são recomendadas para crianças com maior sensibilidade sensorial”, orienta.

Entre os sinais de sobrecarga sensorial estão irritabilidade, choro intenso, agitação, tentativa de se afastar do ambiente, intensificação de comportamentos repetitivos, agressividade ou isolamento repentino. Diante desses sinais, a recomendação é retirar a criança do local, reduzir os estímulos e oferecer acolhimento em um ambiente calmo. “A crise deve ser compreendida como uma resposta ao excesso de estímulos, e não como um comportamento intencional”, reforça Sabryna Mira.

Para preparar a criança para esse período, as famílias podem antecipar informações sobre o ambiente, estabelecer limites de tempo, respeitar os sinais de desconforto e utilizar objetos de conforto ou abafadores de som. A possibilidade de sair rapidamente do local também contribui para o bem-estar.

Volta às aulas e retomada da rotina - Além do período festivo, o retorno à rotina escolar após as férias também exige atenção. Crianças com TEA tendem a se beneficiar de rotinas previsíveis, que trazem segurança emocional. Durante as férias, a mudança de horários, atividades e ambientes pode gerar desorganização, tornando o retorno às aulas mais desafiador.

Entre as dificuldades mais comuns estão resistência em ir à escola, alterações no sono e na alimentação, irritabilidade, crises emocionais e regressões comportamentais. A orientação é que a retomada da rotina seja gradual, com ajuste progressivo dos horários de sono e alimentação, além de conversas prévias sobre a escola e reforço de informações sobre professores, colegas e atividades.

Crises frequentes, recusa persistente em ir à escola, mudanças significativas de comportamento, isolamento ou regressões importantes indicam dificuldade de adaptação. Nesse processo, a escola também tem papel fundamental, atuando de forma acolhedora, mantendo diálogo com a família e promovendo adaptações necessárias para favorecer a inclusão e o bem-estar da criança.

A principal orientação do Natea às famílias é que cada criança possui seu próprio ritmo. “Comparações devem ser evitadas. Paciência, acolhimento e parceria entre família, escola e profissionais são fundamentais para um retorno à rotina mais seguro e equilibrado”, destaca Sabryna Mira.

Atendimento humanizado - Com esse olhar voltado às pessoas, a Policlínica Lago de Tucuruí inicia 2026 com a previsão de ofertar mais de 61 mil serviços por mês à população da Região de Integração Lago de Tucuruí, incluindo consultas médicas e não médicas, exames laboratoriais e de imagem, atendimentos especializados e pequenas cirurgias, ampliando o acesso à saúde pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Para a diretora da unidade, Léia Sandim, a atuação do Natea reforça o compromisso da Policlínica com o cuidado integral. “Nosso papel é orientar e acolher as famílias, especialmente em períodos como o Carnaval, quando os estímulos aumentam e podem impactar as crianças com autismo. O Natea cumpre uma missão fundamental ao levar informação, promover inclusão e contribuir para a qualidade de vida dessas crianças e de suas famílias”, diz a gestora.

A Policlínica também desempenha um papel crucial, oferecendo especialidades médicas e não médicas específicas, como neuropediatria, psiquiatria infantil e adolescente, educação física e terapia ocupacional.

"Com capacidade para atender os municípios de Breu Branco, Goianésia do Pará, Itupiranga, Nova Ipixuna, Novo Repartimento, Tucuruí e Jacundá, a Policlínica Lago de Tucuruí segue, em 2026, fortalecendo uma saúde pública mais próxima, acessível e resolutiva para a população da Região do Lago", reforça Léia Sandim.

Serviço: O Núcleo de Atendimento ao Espectro Autista (Natea) da Policlínica Lago de Tucuruí funciona na Avenida Raimundo Veridiano Cardoso, nº 1008, no Bairro Santa Mônica, em Tucuruí. O atendimento é feito de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Agendamento com clínico geral pelo número (94) 9186-8155. Acesso às especialidades via Unidade Básica de Saúde  (UBS) do município. Atendimento totalmente pelo SUS.

Texto: Roberta Paraense - Ascom/Policlínica