Polícia Científica do Pará valoriza atuação feminina na formação científica
Instituição evidencia a importância da presença feminina na engenharia e na bioquímica aplicadas à perícia criminal
Em alusão ao Dia Internacional das Meninas e Mulheres na Ciência, celebrado nesta quarta-feira (11), a Polícia Científica do Pará (PCIPA) reforça a importância da participação feminina nas áreas científicas e tecnológicas, especialmente na produção da prova pericial. No Instituto de Criminalística (IC) e no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), mulheres em formação já constroem trajetórias promissoras em várias áreas do conhecimento, contribuindo para o fortalecimento da ciência aplicada à justiça.
Estagiária de Engenharia, Jamilly Lobato, encontrou na perícia criminal uma nova perspectiva para a atuação profissional. Durante o estágio no Instituto de Criminalística, ela acompanha de perto como os conhecimentos técnicos da engenharia são aplicados na análise de locais de crime, estruturas e materiais, colaborando para a elucidação de fatos. “É na prática que a gente entende a dimensão da responsabilidade do trabalho pericial. A engenharia vai muito além de obras; ela também contribui diretamente para a produção da prova técnica e para a justiça”, destacou.
Ela também ressalta a importância da presença feminina em espaços científicos e técnicos. Segundo a estudante, ainda são poucas as mulheres na engenharia civil, mas a atuação feminina contribui para ampliar perspectivas e quebrar estereótipos. “Na perícia, onde é preciso atenção aos detalhes, responsabilidade e ética, fica claro que competência não tem gênero”, pontua.
Conviver com mulheres experientes na área tem sido determinante para fortalecer sua confiança profissional. “Ouvir relatos e acompanhar trajetórias mostra que o caminho não é fácil, mas é possível. Isso me dá mais segurança para construir minha carreira”, destacou.
Entre os objetivos futuros, ela pretende se formar, e se especializar em áreas como projetos e segurança do trabalho e aprofundar o interesse pela área pericial. “Quero continuar estudando e, no futuro, incentivar outras meninas a entrarem na engenharia. Não é um caminho simples, mas vale a pena persistir”, concluiu.
Novos sonhos - Acadêmica do último semestre de Biomedicina, Adriane Matos é estagiária há um ano na Coordenação de Laboratórios do Instituto de Criminalística. Nesse período, passou por diferentes setores da instituição, atuando nas áreas de exames físico-químicos e biológicos, Toxicologia Forense e, atualmente, na Química Forense — experiências que ampliaram sua visão sobre a ciência aplicada à produção da prova pericial.
Segundo ela, o estágio tem sido decisivo para consolidar sua escolha profissional. “Embora a faculdade tenha a parte prática, aqui na instituição conseguimos vivenciar de forma muito mais intensa a realidade da profissão”, destacou.
Advogada licenciada, Adriane encontrou na perícia criminal a possibilidade de unir duas vocações: justiça e ciência. Ela conta que ingressou na nova graduação já com o objetivo de prestar concurso para perita criminal. “Sempre quis trabalhar com justiça, mas foi na ciência que encontrei o que realmente quero fazer”, afirma.
A estudante também ressalta a relevância da presença feminina na área científica. Para ela, apesar de muitos espaços ainda serem historicamente dominados por homens, na Polícia Científica a realidade é diferente. “Aqui me sinto privilegiada, porque estou cercada de mulheres. Elas são maioria e ocupam espaços de destaque. Isso me inspira e me faz sonhar em chegar lá também”, pontuou.
Ao falar para quem deseja seguir na área das ciências biológicas, Adriane enfatiza a importância da curiosidade e da troca de conhecimento. “É preciso ser uma pessoa curiosa, ter vontade de aprender coisas novas e também de ensinar. Essa é a essência da jornada acadêmica. Hoje, são as peritas que ensinam as estagiárias. No futuro, espero estar aqui como perita e poder ensinar as próximas gerações”, concluiu.
A diretora do Instituto de Criminalística, Isabela Barreto, destacou que a instituição reconhece e enaltece a contribuição fundamental das mulheres para o fortalecimento da perícia oficial no Pará. Atualmente, as peritas criminais no órgão somam 37% do total.
“A presença feminina na ciência forense representa competência técnica, sensibilidade investigativa e compromisso com a verdade — elementos essenciais para a promoção da justiça. Celebramos cada perita que, com dedicação e excelência, transforma desafios em avanços institucionais e contribui diariamente para a credibilidade do nosso trabalho. Ao mesmo tempo, reafirmamos nosso compromisso em incentivar meninas e jovens mulheres a acreditarem no seu potencial e a ocuparem, com confiança, os espaços da ciência. A ciência também é lugar de mulher, e a perícia criminal é prova viva disso”, afirmou.
Texto: Amanda Monteiro sob supervisão de Monique Leão/Ascom PCIPA
