Centro Integrado de Reabilitação destaca autonomia de pessoas com TEA no Carnaval
Estar atendo à individualidade da pessoa com autismo contribui para o bem-estar e uma vivência mais confortável durante eventos coletivos
O Carnaval é um dos períodos mais aguardados do ano, mas pode representar desafios para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mudanças na rotina, excesso de estímulos sonoros e visuais, além de grandes aglomerações, podem gerar desconforto. Diante desse cenário, a equipe multiprofissional do Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) reforça que a verdadeira inclusão passa, antes de tudo, pelo respeito à autonomia e às escolhas individuais.
De acordo com Alanna Gomes, terapeuta ocupacional do Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cetea), unidade vinculada ao CIIR, o Carnaval pode ser vivido de diferentes formas, mas nenhuma delas deve ser imposta. Ela explica que muitas pessoas com TEA apresentam hipersensibilidade a barulhos, cheiros fortes e multidões, o que pode tornar a experiência desconfortável. “Nosso papel, enquanto terapeutas, é oportunizar que eles tenham autonomia para escolher se querem ou não participar e, caso queiram, que desenvolvam habilidades mínimas para isso”, informa.
Segundo a profissional, o trabalho terapêutico inclui simulações de situações reais, como festas e eventos, incluindo o Carnaval, para que os usuários conheçam o contexto cultural e se sintam mais seguros. Essas vivências contribuem para o desenvolvimento da independência e da tomada de decisão, permitindo que cada usuário reconheça seus limites, interesses e vontades.
Ferramentas de inclusão - A psicóloga Raissa Campos destaca que a atuação integrada entre Psicologia e Terapia Ocupacional visa ao autoconhecimento e autogestão. Nos grupos de habilidades sociais, os usuários aprendem a identificar interesses e desconfortos, e a comunicar essas percepções de forma funcional. “Eles aprendem a sinalizar limites, pedir para sair de ambientes barulhentos ou utilizar estratégias como fones abafadores”, ressalta.
A profissional reforça, ainda, a importância da escuta ativa pela sociedade. “É fundamental respeitar as individualidades e não forçar a participação apenas porque o evento é considerado importante”, afirma. Para Raissa Campos, adaptar ambientes e compreender que nem todos se sentirão confortáveis em determinadas situações é essencial para uma inclusão real e sem julgamentos.
Sonhos e expectativas - Usuário do Cetea há dois anos, Pedro Lucas China, 21 anos, relata os avanços conquistados com o acompanhamento terapêutico. “Aprendi muitas formas de comunicação social e interação, que não tive ao longo da vida”, diz ele, acrescentando que o suporte recebido contribuiu para seu crescimento pessoal e acadêmico, permitindo que atualmente curse Educação Física, e ainda comemore aprovações importantes, como no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Pará (UFPA), em 2025. Para o Carnaval de 2026, Pedro espera “muita diversão, alegria e festas”.
Além de participar como público, alguns usuários optam por vivenciar o Carnaval. Raissa Campos cita o exemplo de José Pedro, 17 anos, conhecido como DJ Martin Blue, o “primeiro DJ autista do Estado do Pará”, que se apresentará no Carnaval promovido pela Prefeitura de Belém neste ano.
Mãe de José Pedro, Nilde Azevedo conta que a música sempre esteve presente na vida do filho, que desde cedo demonstrou interesse em ser DJ e buscou aprender de forma autônoma. “O Cetea contribuiu principalmente para o desenvolvimento da socialização, ajudando José a lidar melhor com interações, fotos e conversas com o público”, informa Nilde, que deixa uma mensagem a outros pais de pessoas com TEA: “Acreditem nos sonhos dos seus filhos, corram atrás e não desistam. Eles são capazes de tudo”.
Ao reforçar a autonomia, a escuta e o respeito às individualidades, o CIIR demonstra que a folia pode ser inclusiva, desde que cada pessoa tenha o direito de escolher como, quando e se deseja participar.
Referência para PcD - O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade à Pessoa com Deficiência (PcD) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço: O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é um órgão do Governo do Pará, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na Rodovia Arthur Bernardes, nº 1000, Bairro Val-de-Cans, em Belém.
Texto: Ascom/CIIR
