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EDUCAÇÃO E EQUIDADE

EETEPAs fortalecem protagonismo feminino no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Através das EETEPAs, Governo do Pará amplia o acesso de meninas e mulheres às áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática

Por Bruna Ribeiro (SECTET)
11/02/2026 11h54
ETEPA Vilhena Alves, no bairro de São Brás, em Belém. Projeto “Incubadora de produtos e serviços da Bioeconomia Amazônica”

Celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência reforça a importância da equidade de gênero na produção do conhecimento científico. Instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2015, a data também destaca iniciativas que ampliam o acesso de meninas e mulheres às áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). No Pará, as Escolas Técnicas do Estado (EETEPAs) desenvolvem projetos que unem educação, inovação e impacto social, colocando jovens mulheres no centro da transformação de suas realidades.

Na EETEPA Vilhena Alves, no bairro de São Brás, em Belém, o projeto “Incubadora de produtos e serviços da Bioeconomia Amazônica” estimula alunas a desenvolverem pesquisas e soluções sustentáveis a partir da sociobiodiversidade amazônica. A proposta é transformar ideias em produtos e serviços que dialoguem com o território e com a preservação ambiental.

Um dos exemplos é o da estudante Marina Gentil, concluinte do curso técnico em Meio Ambiente. A partir dos conhecimentos adquiridos em sala de aula e nos laboratórios da escola, ela desenvolveu o vinagre da casca da laranja, produzido por meio do reaproveitamento de resíduos orgânicos. O produto já se encontra em fase de produção em escala para futura comercialização. Além do vinagre, a incubadora também desenvolve pesquisas com resíduos do cacau e a produção de biofertilizante a partir do café.

Para Marina, o projeto demonstra como a ciência, aliada à educação técnica, pode gerar soluções simples e eficazes. “Eu entendi que a casca da laranja é rica em compostos naturais, como ácidos orgânicos e óleos essenciais, que poderiam ser reaproveitados de forma sustentável. Foi assim que surgiu a ideia do vinagre da casca da laranja: transformar um resíduo que normalmente seria descartado em um produto útil, acessível e ambientalmente correto”, explica a estudante.

Projeto “Meninas na Engenharia”, EETEPA Celso Malcher

Engenharia - No bairro do Guamá, em Belém, a EETEPA Dr. Celso Malcher, localizada no complexo do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT), desenvolve o projeto “Meninas na Engenharia”, voltado para alunas negras e ribeirinhas que vivem nas ilhas do entorno da capital. A iniciativa envolve dez estudantes na construção de fornos solares comunitários, que serão destinados às próprias comunidades, aliando aprendizado técnico, sustentabilidade e integração social por meio de refeições comunitárias.

A estudante Evelyn Souza, do curso técnico em Administração e moradora de Boa Vista do Acará, conta que o projeto ampliou sua percepção sobre o papel das mulheres na ciência e na solução de problemas locais. Segundo ela, a iniciativa nasceu de uma roda de conversa conduzida pelo professor Benício, coordenador do projeto, e evoluiu a partir da identificação de uma demanda real das comunidades. “A gente pesquisou, descobriu o forno solar e começamos a testar, fazer experimentos. A ideia é ir aperfeiçoando, criar uma cartilha explicando como usar, quais alimentos podem ser preparados e o tempo de cozimento, para depois conseguir mais recursos e distribuir para a nossa comunidade”, relata.

Evelyn também destaca que o projeto fortalece a autonomia das participantes e cria referências femininas na engenharia. “Ver mulheres com uma realidade parecida com a nossa, que chegaram longe por meio dos estudos, faz a gente pensar: se ela conseguiu, eu também posso conseguir”, afirma.

Alunas do Centro Integrado de Educação do Baixo Tocantins (CIEBT) participam do projeto “Mulheres na Robótica”

Robótica - Na Região de Integração do Tocantins, no município de Cametá, alunas do Centro Integrado de Educação do Baixo Tocantins (CIEBT) participam do projeto “Mulheres na Robótica”, que oferece formação em circuitos elétricos, sensores, atuadores, motores, microcontroladores e programação. A iniciativa surgiu após a implantação de um laboratório maker na escola técnica, quando o professor Eliel Pantoja percebeu a necessidade de ampliar a participação feminina nas áreas tecnológicas.

“Mulheres na Robótica surgiu como resposta à necessidade de ampliar a participação feminina nas áreas de tecnologia, inovação e robótica, historicamente dominadas por homens, com o objetivo de quebrar estereótipos e mostrar que a robótica também é lugar de mulher”, explica o professor.

Voltado especialmente para meninas e mulheres, o projeto incentiva o protagonismo feminino desde cedo, fortalecendo a autoconfiança, a criatividade e o interesse por carreiras tecnológicas por meio do aprendizado prático e da troca de experiências. A estudante Maria Eduarda Oliveira, do curso técnico em Informática, relata como a iniciativa transformou sua trajetória. “Antes eu achava que robótica não era para mim, mas o projeto me mostrou que eu sou capaz de programar, criar e liderar, assim como qualquer outra pessoa. Já participei de eventos focados em mulheres no meio tecnológico e apresentei o projeto em outra instituição. Foi uma experiência incrível e que despertou em outras meninas a vontade de seguir nessa área”, destaca.

“Like a girl: faça ciência como uma garota”

Like a girl - No oeste do Pará, a EETEPA Francisco Coimbra Lobato, em Santarém, realiza anualmente o evento “Like a girl: faça ciência como uma garota”, voltado à popularização da ciência e da tecnologia. A programação inclui oficinas de biotecnologia aplicada à genética, como extração de DNA humano, processamento de óleos vegetais, confecção e lançamento de foguetes, além de atividades introdutórias de robótica com Lego Education e rodas de conversa.

"As iniciativas desenvolvidas pelas EETEPAs demonstram que investir na formação científica de meninas e mulheres é também investir em desenvolvimento sustentável, inovação e justiça social, garantindo que a ciência no Pará seja cada vez mais diversa, inclusiva e conectada com as realidades amazônicas", pontuou o secretário de Ciência e Tecnologia, Victor Dias.

Texto: Carla Couto – Ascom Sectet