Governo do Pará articula 3ª Semana dos Povos Indígenas com ações integradas
Reunião interinstitucional sistematizou contribuições de órgãos parceiros para o evento, que ocorre de 16 a 19 de abril, no Parque da Cidade, em Belém
A Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (Sepi) realizou, nesta sexta-feira (30), na sede do órgão, uma reunião de alinhamento interinstitucional para avançar na construção da terceira edição da Semana dos Povos Indígenas, que já tem data confirmada e será realizada de 16 a 19 de abril, no Parque da Cidade, em Belém. O evento será realizado em parceria com a Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa).
O encontro estratégico reuniu representantes de secretarias estaduais e municipais, órgãos públicos, instituições parceiras e entidades como Sebrae, Banpará e a Acnur, agência da ONU para refugiados, com o objetivo de definir contribuições e fortalecer a atuação conjunta para a realização do evento.
A expectativa da organização é reunir entre 600 e 800 indígenas das oito etno-regionais do Pará, com um público diário estimado entre duas e três mil pessoas, considerando a programação diversificada, que inclui entrega de políticas públicas, serviços sociais, feira circular da bioeconomia, palestras e atividades culturais voltadas tanto aos povos indígenas quanto à sociedade civil.
A Semana também deve atrair lideranças indígenas, organizações coletivas, gestores públicos, representantes do Legislativo, Executivo e Judiciário, além de empresários e integrantes do setor privado, ampliando a visibilidade da pauta indígena e fortalecendo o diálogo institucional.
Programação e destaques
A programação da terceira edição da Semana dos Povos Indígenas também prevê ações integradas nas áreas de saúde, segurança, mobilidade, cidadania, justiça, assistência social, meio ambiente, cultura, turismo, empreendedorismo, esporte e lazer. Estão previstos atendimentos médicos de emergência, emissão de documentos, ações de segurança alimentar, apoio à agricultura indígena, educação ambiental, valorização cultural, incentivo ao turismo de base comunitária, apoio ao empreendedorismo indígena e atividades de lazer para crianças, reconhecendo que muitas famílias participam do evento de forma conjunta.
Entre os destaques discutidos para esta edição estão a realização da tradicional Marcha dos Povos Indígenas, desfiles de moda que relacionam cultura e ancestralidade, shows culturais e o fortalecimento do protagonismo de artistas indígenas, além de tratativas já iniciadas para a participação de artistas nacionais. Também foi articulada a inclusão de artesãos indígenas na feira da Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), com a possibilidade de emissão da carteira do artesão durante o evento.
Outro ponto abordado foi a articulação para garantir tradução simultânea em palestras e rodas de conversa, com apoio da tecnologia, considerando que mais de oito línguas indígenas estarão representadas.
Além disso, a programação deve contar com a Caravana da Cidadania, oferecendo atendimentos nas áreas social, psicológica e médica. Ainda, serão apresentados relatórios sobre incêndios em terras indígenas, debates sobre protagonismo indígena nas discussões climáticas e a previsão de assinatura da Lei da Educação Escolar Indígena durante a Semana.
Articulação conjunta
A reunião foi conduzida pela coordenadora de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da Sepi, Laysa Mathias, que destacou que a construção coletiva desde o início tem permitido ampliar o alcance e a efetividade da iniciativa. Segundo ela, “vai ter uma ampliação dos serviços prestados, uma entrega das políticas públicas muito maior, principalmente porque a gente tem feito essa construção junto com as secretarias desde o início, alcançando um público maior e garantindo protagonismo aos povos indígenas com a devida visibilidade”.
Laysa também reforçou a importância da articulação interinstitucional como eixo central da reunião. Para a coordenadora, a atuação integrada do Estado é fundamental para que as políticas públicas cheguem de forma mais eficiente aos povos indígenas. “Quando a gente constrói essa semana de forma colaborativa, a gente sabe exatamente quem vai contemplar e como vai contemplar, trazendo os indígenas de seus territórios para Belém e garantindo acesso a ações que muitas vezes não chegam ao chão do território por questões logísticas”, afirmou.
A representante da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Haydée Marcia de Souza Marinho, destacou que o evento será uma oportunidade para apresentar políticas ambientais e climáticas voltadas aos povos indígenas. “Vamos ter palestras de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD), de políticas que ainda estão sendo estruturadas, como o pagamento por serviços ambientais, além de ações de socioeconomia e de todo o leque de políticas públicas climáticas”, explicou.
Na área da educação, a coordenadora da Educação Escolar Indígena da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Vera Arapiun, ressaltou a importância da mobilização das escolas para a Semana. “É muito importante mobilizar as escolas do município e do estado, porque elas participam da feira, acompanham as palestras e têm contato direto com a diversidade cultural”, afirmou. Ela também destacou a expectativa em torno do avanço da legislação específica. “Nós temos um projeto de Lei da Educação Escolar Indígena na Assembleia Legislativa do Estado do Pará Alepa e, assim que as atividades forem retomadas, vamos intensificar o diálogo para que essa lei, tão sonhada, seja aprovada no Estado do Pará”, concluiu.
