Sespa orienta sobre manejo clínico adequado em caso de suspeita de dengue
Profissionais de saúde e a população em geral devem estar atentos aos principais sinais que indicam agravamento da doença
A população e os profissionais de saúde precisam ficar atentos aos sinais e sintomas específicos para evitar o agravamento de casos de dengue. O alerta é da Secretaria de Estado de Saúde Pública, considerando o aumento das chuvas, que contribui para a formação de criadouros de Aedes aegypti, aumentando o risco de infecção pelo vírus da dengue e outras doenças transmitidas por esse inseto. De acordo com a Sespa, em janeiro de 2026, o Pará registrou 14 casos de dengue com sinais de alarme.
Febre, dor de cabeça e dor no corpo são sinais e sintomas iniciais de diversas doenças, daí a necessidade de atenção para identificar o que é um caso de dengue, para que o paciente não precise ir várias vezes à unidade de saúde e tenha o seu quadro clínico agravado e não corra risco de óbito.
A médica infectologista do Complexo Hospitalar da UFPA, Rita Medeiros, orienta que, ao longo do ano, nos meses mais chuvosos, quando o mosquito transmissor se prolifera mais, os profissionais de saúde devem pensar em dengue para qualquer quadro de febre e dor no corpo. “Em situação de maior risco, não precisa nem confirmar com testes laboratoriais, basta a suspeição clínica”, afirmou, ressaltando que a febre na dengue e por outros vírus transmitidos por mosquitos, como chikungunya, Zika e oropouche, pode durar até sete dias.
Segundo Rita Medeiros, no manejo correto da dengue, o mais importante é ficar atento aos chamados sinais de alarme para dengue grave, que muitas vezes já estão presentes no terceiro a quarto dia de sintomas, sendo a dor abdominal e vômitos frequentes, os mais precoces, e pouco valorizados pela equipe de saúde. “Os médicos tendem a ficar mais de olho no nível de plaquetas, e sinais de sangramentos, mas é preciso alertar, que muitos pacientes podem agravar rapidamente, sem ter níveis de plaquetas tão baixos e sem ter sangramentos visíveis”, explicou.
Por isso, ela ressalta que o elemento mais importante a ser monitorado em um hemograma, é o hematócrito, que traduz o grau de hemoconcentração e possibilidades de grandes derrames na pleura e no abdome. “E não esquecer também, do quadro de hepatite grave, que é uma das maiores causas de morte por dengue”, alertou.
Não existe tratamento específico para a dengue. “O tratamento é essencialmente por hidratação oral quando o paciente não apresenta sinais de alarme para doença grave; e endovenosa, quando for indicada observação ou internação nas unidades de saúde”, informou a médica.
Sobre os vírus da dengue, Rita Medeiros esclarece que todos os quatro sorotipos podem causar doença grave e matar. “E sim, o risco de formas graves da doença aumenta muito quando a pessoa contrai dengue mais de uma vez”, afirmou.
Outro alerta importante é sobre o ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios, que são formalmente contraindicados em casos suspeitos de dengue, por potencializarem o risco de sangramentos importantes. “Portanto os profissionais não devem indicar medicamentos que contenham essa substância em sua composição”, enfatizou Rita Medeiros.
A infectologista orienta também que se um caso suspeito de dengue ultrapassar os sete dias de febre, é necessário ampliar rapidamente as possibilidades de doenças com quadro clínico muito semelhante, que dependem de diagnóstico rápido e preciso para uma segura condução do caso, como a doença de Chagas, a malária e a febre tifoide, por exemplo, que são endêmicas no Pará.
Orientações à população – Aos indivíduos, a infectologista recomenda na suspeita de dengue, que mantenham sempre a hidratação e procurem orientação médica. “A hidratação oral ou endovenosa é a principal medida contra o agravamento da doença. Também deve-se evitar a automedicação, lembrando que o AAS e os anti-inflamatórios não devem ser usados porque, como ela já informou, aumenta o risco de hemorragia”. “Os pacientes também não devem abusar do paracetamol para além de 4 gramas diárias, pelo risco de agravar potencial de hepatite”, acrescentou.
Rita Medeiros disse, ainda, que pessoas com doenças crônicas, idosos, crianças pequenas e gestantes são as pessoas com maior risco de doença grave e devem sempre procurar atendimento médico imediato.
Por isso, é fundamental que as famílias levem suas crianças de 10 a 14 anos para tomar a vacina contra a dengue que continua disponível nos postos de saúde. Em Belém, em função da baixa procura pela vacina pelo público-alvo, excepcionalmente doses da vacina contra a dengue, que seriam utilizadas até o mês de março, estão sendo disponibilizadas para a população de quatro a 59 anos.
Outras medidas preventivas – Para evitar a proliferação de mosquitos, a população deve manter os seguintes cuidados no seu domicílio:
• Manter a caixa d’água, tonéis e barris de água bem fechados;
• Colocar o lixo em sacos plásticos e manter a lixeira fechada;
• Não deixar água acumulada sobre a laje;
• Manter garrafas com boca virada para baixo;
• Acondicionar pneus em locais cobertos;
• Proteger ralos sem tampa com telas finas;
• Manter as fossas vedadas;
• Encher pratinhos de vasos de plantas com areia até a borda e lavá-los uma vez por semana.
• Eliminar tudo que possa servir de criadouro para o mosquito como casca de ovo, tampinha de refrigerante entre outros.
Serviço: para solicitar orientações e denunciar existência de possíveis criadouros de mosquito, a população deve procurar a Secretaria Municipal de Saúde do seu município.
