Hospital Galileu desenvolve ações para prevenir a depressão no ambiente hospitalar
Com escuta qualificada e projetos integrados, unidade do Governo do Pará promove o cuidado emocional e a recuperação integral de pacientes
"Eu estava nervosa, ansiosa e me sentindo impossibilitada de resolver tantas coisas por causa da minha condição de saúde. A escuta e o direcionamento que recebi aqui fizeram toda a diferença na minha internação". O relato é de Juliana Rodrigues Barbosa, de 35 anos, moradora de Ananindeua, internada no Hospital Público Estadual Galileu, na avenida Mário Covas, em Belém. Juliana precisou se internar para o tratamento de uma fratura-luxação exposta no tornozelo direito. Para ela, o acolhimento emocional foi determinante para enfrentar o processo de hospitalização e aceitar o momento de cuidado.
A experiência vivida por Juliana traduz, na prática, a proposta do Janeiro Branco, campanha nacional que chama atenção para a importância da saúde mental. Em um ambiente naturalmente marcado por dor, ansiedade e incertezas, como o hospitalar, o cuidado emocional torna-se parte essencial do tratamento clínico e da recuperação dos pacientes.
Referência do Governo do Pará em trauma ortopédico, o Hospital Público Estadual Galileu desenvolve uma atenção à saúde mental de forma integrada, envolvendo a equipe de Psicologia, a assistência multiprofissional, o setor de Humanização e a gestão da unidade. O objetivo é minimizar os impactos emocionais da internação e fortalecer o bem-estar de pacientes, acompanhantes e colaboradores.
Segundo a psicóloga Ana Paula Carvalho, os desafios emocionais começam antes mesmo da internação. "Para os pacientes, o processo de adoecimento ou do acidente, a necessidade de internação, os procedimentos cirúrgicos, o uso de medicações e até a forma como são acolhidos impactam diretamente a autoimagem e o emocional", explica.
Entre os colaboradores, o desafio também é constante. De acordo com a especialista, lidar com diferentes formas de expressão do sofrimento psíquico — que podem variar de comportamentos passivos a atitudes agressivas — exige preparo, escuta e sensibilidade. "Mesmo que ansiedade e depressão estejam descritas em manuais clínicos, cada pessoa manifesta o sofrimento de maneira singular", ressalta.
A psicóloga alerta ainda que o estresse e a ansiedade podem interferir diretamente no tratamento clínico. "Esses fatores ampliam a sensibilidade à dor, intensificam o sofrimento psíquico e podem reforçar uma autoimagem negativa diante da necessidade de tratamento, o que impacta na evolução do paciente", afirma.
Para prevenir a depressão e reduzir os impactos emocionais da internação, o Hospital Galileu adota uma série de ações desde a admissão do paciente. O trabalho começa com o mapeamento do histórico de saúde mental e de possíveis acompanhamentos prévios pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A partir disso, é construído um plano terapêutico individualizado, que pode incluir atendimento psicológico, orientações psicoeducativas, manejo de crises, atendimento familiar, visitas estendidas, passeios terapêuticos e ações conjuntas com o setor de Humanização.
"O cuidado emocional contribui para uma internação com menos impactos subjetivos. A escuta qualificada fortalece vínculos, identifica riscos, orienta o suporte multiprofissional e ajuda o paciente a desenvolver recursos para enfrentar o tratamento", reforça Ana Paula.
Para o diretor executivo do Hospital Galileu, Alexandre Reis, investir em saúde mental é parte fundamental da qualidade assistencial. "Cuidar das pessoas vai muito além do tratamento físico. No Hospital Galileu, entendemos que a recuperação passa também pelo acolhimento emocional, pela escuta e pelo respeito à história de cada paciente. Esse cuidado reflete diretamente na segurança, na humanização e nos resultados do tratamento", destaca.
Esse compromisso também se reflete nos projetos de humanização desenvolvidos pela unidade. De acordo com a coordenadora de Humanização do Hospital Galileu, Anny Segovia, somente no último ano foram realizadas mais de 200 ações e projetos de humanização, voltados a pacientes, acompanhantes e colaboradores.
"As ações de humanização ajudam a reduzir o sofrimento emocional dentro do hospital. Trabalhamos de forma integrada com a Psicologia e as equipes assistenciais para fortalecer vínculos, promover conforto e tornar o ambiente hospitalar mais sensível às necessidades humanas", afirma Anny Segovia.
A psicóloga, Ana Paula Carvalho, destaca ainda sinais de alerta que não devem ser ignorados, como isolamento, choro frequente, medo de ficar sozinho, alterações no sono e no apetite, conflitos familiares e falas que indiquem desesperança ou desejo de morte. "Esses sinais podem apontar para o desenvolvimento de sofrimento psíquico grave e precisam ser acolhidos com atenção", reforça.
Para a paciente Juliana, o cuidado emocional recebido no Hospital Galileu foi fundamental para atravessar esse período. "Hoje consigo me ver de outra forma, aceitando que preciso de cuidado nesse momento. Isso ajudou a estabilizar meu humor e meu emocional", disse. Ela contou, por exemplo, que a liberação de uma visita estendida de um familiar, um gesto simples, foi decisivo para seu conforto e bem-estar.
Ao longo do Janeiro Branco, o Hospital Galileu, gerenciado pelo Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), reafirma seu compromisso com uma assistência que vai além do tratamento físico, reconhecendo que cuidar da saúde mental é também cuidar da dignidade integral de pacientes e profissionais.
