Grupo de Trabalho (GT) orienta produtores sobre a cultura da pimenta-do-reino no Pará

30/07/2021 13h40 - Atualizada em 31/07/2021 15h59

Grupo de Trabalho (GT) Pimenta-do-reino mobiliza representantes dos setores público, privado e de instituições de pesquisasA pipericultura, produção de pimenta-do-reino, foi a pauta do evento realizado, nesta sexta-feira (30), no município de Santarém, oeste do Pará. A incorporação de ações de boas práticas nas atividades cotidianas da pimenta, do cultivo à comercialização, foi a temática abordada pelo Grupo de Trabalho (GT) Pimenta-do-reino, composto por representantes dos setores público, privado, e de pesquisas.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), o Pará é um dos maiores produtores nacionais da especiaria, com 15 mil, 745 hectares de plantio agrícola e produção de 35. 524 mil toneladas/ano. Daí a importância das boas práticas no setor produtivo da pimenta-do-reino. E, o seu cultivo correto potencializa a produtividade, reduzindo os riscos de contaminação por Salmonella spp e por resíduos de agrotóxicos.

O Pará possui áreas plantadas da especiaria em quase todas as regiões, sendo que os principais municípios produtores são Tomé-Açu, Baião, Capitão Poço, Concórdia do Pará, Igarapé-Açu, Ipixuna do Pará, Garrafão do Norte, Aurora do Pará, Nova Esperança do Piriá, Acará, Cametá e Mocajuba.

“Daí a importância de nós protegermos a nossa produção. A atuação desse nosso GT frisa a questão da prevenção à Salmonella e, nós da Adepará, além das normas para a produção visando a prevenção de contaminação por Salmonella spp, destacamos a utilização correta de agrotóxicos e a fiscalização do comércio, já que a defesa Sanitária Vegetal é a frente de atuação da Adepará”, explica a diretora de Defesa e Inspeção Vegetal da Adepará, Lucionila Pimentel.

Neste cenário, a Adepará tratou no evento sobre a nova a portaria nº 1.332 de 2020, que instituiu ações de caráter técnico-administrativo e medidas fitossanitárias e sanitárias para proteção e fortalecimento da pipericultura no Pará. 

"A normativa é importante, pois é a partir dos dados que temos que podemos planejar as políticas públicas necessárias para a eficiência da cadeia produtiva. Por isso o cadastro dos produtores é obrigatória", explica Maria Alice Lisboa, gerente de programas de pragas de importância econômica da Adepará. Na ocasião, a Agência de Defesa também pontuou sobre a importância do cadastramento dos produtores para que a Agência possa melhor orientá- los, e sobre a sua fiscalização realizada nos comércios.

Produção
A pimenta-do-reino é considerada a mais importante especiaria consumida no mundo e é um dos principais produtos agrícolas da pauta de exportações do Estado do Pará. Com índices de 2018, a produção paraense, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a segunda maior do Brasil, com 33.657 toneladas produzidas.

Durante o evento, Oriel Lemos, pesquisador da Embrapa, pontuou a importância econômica da cadeia para o Estado. "A cada tonelada produzida de pimenta é gerado um emprego e hoje produzimos mais de 35 mil toneladas por ano, no Pará. Assim, é importante que tenhamos uma produção dentro dos padrões adequados para o consumo", destacou.

É uma especiaria que apresenta grande importância socioeconômica como geradora de renda para os agricultores familiares e empresariais. Também é utilizada na indústria alimentícia, medicinal, perfumaria e cosmética.

E a Agência de Defesa do Pará é responsável por executar a vigilância e inspeção de vegetais, tanto os cultivados quanto os da flora silvestre, produtos vegetais em armazenamento ou em transporte e artigos regulamentados, com o objetivo de informar a presença, o foco e a disseminação de pragas e a realização do controle. No caso da pimenta- do- reino, trabalha com foco na prevenção de contaminação por Salmonella spp e Coliformes spp.

Além dos temas tratados pela Agência, o evento reuniu palestras de outras instituições que fazem parte do GT. Ademais, o evento faz parte das 20 ações emergenciais da pimenta-do-reino que serão realizadas até dezembro deste ano. Em Santarém, a programação foi realizada no Centro Municipal de Informação e Educação Ambiental (CIAM).

O GT pimenta-do-reino é coordenado pela Secretária de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), e conta com a participação do Ministério da Agricultura e Pesca (Mapa), da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater), Ideflor-bio, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Embrapa Amazônia Oriental, Brasep Agro Comercial; TJ Comércio da Amazônia; Camta Cooperativa Mista de Tomé Açu ; Associação Brasileira de Exportadores e Produtores de Pimenta-do-Reino (Abep).

A coordenadora do GT, Márcia Tagore. falou da importância da criação do Grupo para a economia do Estado, assim como das ações que estão sendo trabalhadas para dar suporte à cadeia produtiva. 

"Estamos levando este trabalho para varios município e estamos desenvolvimento, em paralelo, várias ações de suporte para técnico e produtores. Essa programação de hoje já foi realizada em Capitão Poço, Tomé-Açu e Castanhal. O município de Santarém foi o quinto a receber a rodada de palestras ministradas por especialistas do GT composto por órgãos públicos e produtores. O próximo polo a sediar o evento será o Xingu, no município de Altamira", exclamou.

Portaria
Por meio da Portaria nº 1.332, de 2020, a Adepará instituiu ações de caráter técnico-administrativo e medidas fitossanitárias e sanitárias para proteção e fortalecimento da pipericultura no Pará. Entre os procedimentos contemplados estão desde a obrigatoriedade de todo proprietário, arrendatário ou ocupante de qualquer título de estabelecimento, propriedade ou área produtora de pimenta-do-reino se cadastrar junto à instituição. 

Outras ações a serem desenvolvidas dentro da Portaria 132/2020, são: recomendações fitossanitárias sobre a prevenção e o controle das pragas mais importantes para a cultura e procedimentos para colheita e beneficiamento. O produtor deverá adotar boas práticas durante o manuseio, a secagem e o beneficiamento da pimenta-do-reino, com o objetivo de prevenir a contaminação pelas bactérias Salmonella spp e Coliformes spp. Além disso, deve destruir plantios abandonados não produtivos, para diminuir a fonte de patógenos. 

Portanto, todos os agricultores de pimenta precisam se cadastrar junto à Adepará, conforme a portaria que regula as atividades da pimenta no Estado, explica a diretora de Defesa e Inspeção Vegetal do órgão a Adepará. “É um trabalho para defender o agronegócio e a agricultura familiar”, pontua.

Representando o setor produtivo privado e representante da Abep, Vivaldo Araújo, diretor Administrativo da empresa Tropoc, destacou a relevância de uma produção segura: "Estamos dando todo o apoio para que a produção paraense seja cada vez mais segura e sustentável. Acreditamos que o Pará pode tornar-se o maior produtor mundial de pimenta do reino. Hoje, exportamos 80% da nossa produção para a Alemanha, mas temos ainda mercado promissor na Europa e nos Estados Unidos".

Serviço

O produtor pode ir até o escritório da Adepará onde a propriedade está localizada para realizar o cadastro ou atualização, que são feitos anualmente. No site da Agência (www.adepara.pa.gov.br) há os contatos dos escritórios e das regionais em todos os municípios do estado. A Ouvidoria também é disponibilizada para esclarecer dúvidas e receber denúncias. O contato é o (91) 3210-1101.

Por Manuela Viana (ADEPARÁ)