Hospitais públicos reduzem risco de infecção associada 

Ophir Loyola, Hospital de Clínicas e Santa Casa participaram de programa do SUS para reduzir infecções associadas a dispositivos de assistência à saúde

03/05/2021 15h01 - Atualizada em 03/05/2021 17h24

Enfermeira Gizelle Azevedo: "A prevenção de infecções precisa da higienização da unidade, cuidado beira leito e envolvimento do familiar”No pico da pandemia em 2020, Marcelo Nunes, 35 anos, viu a esposa grávida, Jaisiane Duarte, ser internada às pressas por complicações decorridas da Covid-19. Com 50% do funcionamento dos pulmões comprometidos, o parto precisou ser antecipado e uma longa batalha foi travada durante 30 dias, dos quais 21 foram em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP).

O arte-educador lembra a angústia sobre óbitos de puérperas. “Era tudo muito novo para os médicos. Eles estavam se informando com outros de fora do Brasil. O caso dela exigiu muitas mudanças de procedimento. Passar pela situação compromete toda a família. Percebemos o tratamento dos profissionais, eles brincavam, vinham como se estivessem sentindo a dor da gente. Isso é muito importante”, recorda a professor.

Jaisiane se recuperou sem Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), associadas ao uso de dispositivos como ventilação mecânica (tubo); acesso venoso central (cateter para infusão das medicações dos pacientes); sonda vesical (para excretar a urina), muito comuns em casos de Covid-19. 

Os cuidados específicos foram intensificados a partir da aplicação do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), do qual a Santa Casa e mais três hospitais paraenses participam desde 2017, junto a mais de 100 unidades em todo o Brasil. A preparação foi fundamental para reduzir os impactos durante o atendimento de Covid-19, informados em devolutiva para cada instituição.

CUIDADO

Na rede estadual foram contemplados a Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC) e Hospital Ophir Loyola (HOL), além da Santa Casa. “Projetos como esse são muito importantes para os hospitais do Estado porque propiciam a criação de soluções que promovem mudanças estruturais na cultura e nos processos dessas instituições. E impactam tanto no atendimento aos pacientes, com a redução de infecção hospitalar, na gestão dos recursos, resultando na redução de custos com insumos, além de permitir investir na capacitação dos profissionais da saúde”, avalia o secretário de Saúde do Pará Romulo Rodovalho.

Voltadas para evitar as principais infecções do trato respiratório, urinário e sanguíneo, as ações foram realizadas com métodos de utilização contínua e o apoio técnico do Institute for Healthcare Improvement (IHI). Durante o período de execução, de janeiro de 2018 a dezembro de 2020, o HOL evitou 75 casos de infecções e gerou uma economia estimada de R$ 3.576.540,75 para a instituição. 

A enfermeira Janete Nahum, responsável pelo projeto no Ophir Loyola, afirma que se criou uma cultura de cuidado, higiene e controle. “É nosso dever reconhecer e identificar as possíveis ameaças para estabelecer ações de conscientização e de prevenção junto aos servidores, corpo clínico e usuário. Assim podemos garantir a saúde, segurança e a qualidade do atendimento”, disse Janete.

PROTAGONISMO

Na Santa Casa, a execução do projeto evitou um gasto de R$ R$ 1.697.917,93 e evitou 35 infecções; enquanto no HC foram menos R$ 2.673.450,00 e 76 infecções. Em ambas as instituições, a coordenação foi conduzida pela enfermeira Gizelle Azevedo, profissional que também se tornou a única especialista do Norte em Terapia Intensiva e Ciência da Melhoria pelo IHI, durante o processo.

“Nunca se travou uma luta tão árdua com as infecções quanto neste contexto da pandemia. Isso mudou a forma como lidamos com a relação vida versus morte. Os dois hospitais abraçaram a causa e a equipe da UTI assumiu o protagonismo das ações do projeto. Para prevenir infecções é necessário desde a melhor higienização da unidade, passando pelo cuidado beira leito até as condutas clínicas e o envolvimento do familiar”, detalhou a enfermeira.

A diretora assistencial do HC concorda e avalia os resultados. “Atingimos o objetivo de reduzir em 50% o índice de infecções associadas a dispositivos. E em 2020, chegamos a zerar por quatro meses consecutivos. A equipe se surpreendeu com o que era capaz de produzir. Claro que economizamos em dinheiro, mas, mais importante do que isso, salvamos vidas mudando nossa cultura, usando o material que já tínhamos e estruturando a maneira de trabalhar”, ponderou.

Por Governo do Pará (SECOM)