Queijo do Marajó recebe Indicação Geográfica (IG) como produto tradicional

O registro foi anunciado nesta terça-feira (23) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O cacau, de Tomé-Açu também têm a IG

23/03/2021 13h59 - Atualizada em 23/03/2021 19h46

Um dia histórico para os produtores do queijo do Marajó. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) reconheceu nesta terça-feira (23) a Indicação Geográfica (IG) do tradicional produto. A concessão do registro da região marajoara como indicação de procedência para queijo foi publicada na Revista de Propriedade Industrial. 

O Pará passa a contar  com duas IGs já reconhecidas. Em janeiro de 2019, o cacau do município de Tomé-Açu recebeu o registro. A farinha de Bragança está em processo final de reconhecimento.

O registro de IG permite delimitar uma área geográfica, restringindo o uso do nome aos produtores e prestadores de serviços da região - em geral, organizados em entidades representativas, que no caso do queijo, é a Associação dos Produtores de Queijo e Leite do Marajó (APQL). A delimitação da área de IG do queijo envolve os  municípios de  Cachoeira do Arari, Chaves, Muaná, Ponta de Pedras, Santa  Cruz do Arari e Soure.  

O trabalho junto ao INPI foi realizado através do  Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).O Fórum Técnico de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas do Estado do Pará deu apoio ao processo via articulação, divulgação e visibilidade, que conta muito por ocasião da análise documental realizada pelo instituto. 

O fórum é formado por 32 instituições-membro, das quais fazem parte pelo Governo do Estado a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap),a Secretaria de Estado de Turismo (Setur),a Agência de Defesa Agropecuária  do Estado do Pará (Adepará) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater). 

A coordenadora do fórum, Márcia Tagore, que é engenheira agrônoma da Sedap, ressaltou que o Fórum tem o principal papel de apoiar as ações de IG. “ Conseguimos isso através das lives e mais recentemente com o  I Seminário Internacional de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas (I Sigema), que tem mais de seis mil visualizações, mas, tem também o papel de buscar ações que melhorem o processo de produção como um todo. A Sedap, por exemplo, vem trabalhando junto com Adepará e Emater, na melhoria das boas práticas de produção do leite e queijo e também com o selo arte. O Fórum, também tem esse desafio, o de articular as ações necessárias”, esclareceu.

O pedido de reconhecimento da  IG foi  realizado em 2018. “O Marajó produz esse queijo maravilhoso que já recebeu prêmios internacionais e que merecia o reconhecimento do fazer diferenciado através da IG que os produtores daquela região linda, que não têm quem não se encante por lá, onde os búfalos e toda a tradição marajoara são referenciadas em toda parte. É preciso dar visibilidade para as nossas riquezas e o saber dos produtores”, ressalta a engenheira agrônoma. 

A equipe envolvida intensificará, segundo a coordenadora do Fórum, o  trabalho de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER)  na região para que possa conferir mais empreendimentos no Marajó com o Selo Arte e fazer com que a IG possa ser um instrumento de Desenvolvimento Sustentável do Território 

Histórico- Com base na documentação apresentada ao INPI, os primeiros búfalos chegaram à Ilha do Marajó,entre o final do século XIX e o início do século XX. Até aquele momento, o queijo, um produto tradicional da região, era produzido por fazendeiros portugueses e franceses e tinha por matéria-prima o leite de vaca. Com o passar dos anos e com o aumento do rebanho de búfalos, o produto começou a ser elaborado exclusivamente com leite de búfala. Os animais se tornaram símbolo da região e são, hoje, parte importante da economia do Marajó. Atualmente, a produção do queijo do Marajó se insere no contexto cultural local, refletido em um processo de produção peculiar. O ofício da produção do queijo foi aprendido pelos produtores ainda na infância.

SERVIÇO

Acesse aqui a publicação da concessão do registro

*Por Rose Barbosa (Ascom / SEDAP).  

Por Camila Botelho (SEDAP)