Adepará orienta produtores e consumidores para o uso da maniva

O Pará possui seis fábricas autorizadas a processar e a vender maniva pré-cozida. Juntas, elas produzem 180 toneladas do alimento todos os anos

01/10/2020 09h38 - Atualizada em 01/10/2020 12h15
Por Aycha Nunes (ADEPARÁ)

Conhecer as condições do local onde as folhas da mandioca foram moídas e pré-cozidas é tão importante quanto cozinhar a maniva por sete dias para evitar o envenenamento pelo alimento. Quem faz o alerta é o gerente de inspeção de produtos de origem vegetal da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) e engenheiro agrônomo, Hamilton Altamiro.

“Apenas cozinhar não elimina o risco de contaminação pelo alimento, isso porque durante a fervura parte da maniva se prende na tampa da panela e volta a cair nela repetidas vezes. E se o alimento estiver contaminado por um agente infeccioso há o risco dele não ser completamente eliminado pelo cozimento caseiro”, alerta o especialista. Segundo Altamiro, os riscos aumentam quando o produto é adquirido em locais não registrados e vistoriados pela Adepará. 

“Não é possível afirmar que toda maniva moída em feiras livres, por exemplo, estará contaminada, porém o risco a que as folhas estão expostas é inegavelmente maior. Além dos riscos visíveis como os insetos e os invisíveis como bactérias e germes que resultam da fermentação, uma vez que as folhas ficam o dia inteiro ao ar livre. Ao contrário da fábrica que é um ambiente fechado, onde a matéria prima passa por um processo de limpeza e adequação de moagem em ambiente sadio”, atesta.

O selo da Adepará na embalagem é a garantia de que o produto foi produzido no Pará respeitando os requisitos de higiene e sanidade durante o seu processamento e conservação. As recomendações feitas pela Agência de Defesa Agropecuária vão além das características físicas do estabelecimento, a Adepará orienta e avalia também a higiene dos ambientes, do manipulador da maniva e dos equipamentos e utensílios utilizados para moer e armazenar a folha da mandioca.

Produção

Atualmente, o Pará possui seis unidades produtoras de manivas registradas na Adepará, cinco delas localizadas na região nordeste, quatro no município de Santo Antônio do Tauá e uma em Inhangapi. A sexta unidade está localizada no distrito de Icoaraci, Região Metropolitana de Belém (RMB). Juntas, elas produzem 180 toneladas de maniva pré-cozida todos os anos.

Cristiano Bastos de Sena é o proprietário de uma das quatro fábricas de maniva pré-cozida localizadas em Santo Antônio do Tauá. Há oito anos, é a maniva que sustenta sua família e gera oito empregos diretos e vinte indiretos. 

“Antes de abrir minha empresa, eu era funcionário de um amigo que trabalhava vendendo maniva. Foi lá que ganhei experiência e conhecimento, então o início não foi tão difícil. Eu já sabia, por exemplo, que precisaria me cadastrar na Adepará para garantir a venda para mais pessoas e em outras cidades”, conta Cristiano.

Da fábrica de Cristiano, saem anualmente cerca de cem toneladas de maniva. Elas abastecem os mercados de Belém, Castanhal, Colares, Salvaterra, São Caetano de Odivelas, Soure e Vigia. “Só conseguimos entrar nesses mercados graças ao certificado da Adepará. O selo na nossa embalagem é uma garantia da qualidade do produto”, conclui Cristiano Bastos.

Registro

O registro de estabelecimento é realizado por unidade de produção e de acordo com a atividade desenvolvida. Ele tem validade em todo o território paraense pelo período de dois anos. A renovação deve ser formalizada obedecendo à legislação vigente, caso ela não seja solicitada em tempo hábil será automaticamente cancelada.

Produtores interessados em cadastrar sua fábrica de maniva devem procurar a Adepará de seu município. Os endereços e telefones de contato estão disponíveis no site: www.adepara.pa.gov.br.