Comunidades acompanham com expectativa a construção das Usinas da Paz

18/09/2020 19h07 - Atualizada em 18/09/2020 23h03
Por Carol Menezes (SECOM)

O dia a dia dos moradores dos bairros e dos municípios onde serão instaladas as Usinas da Paz, materialização permanente do programa Territórios pela Paz (TerPaz), do governo do Estado, é de ansiedade e boas expectativas por dias cada vez melhores. É o caso da cozinheira Dilene Vieira, que há 27 anos mora no bairro da Cabanagem, onde as obras estão na fase de entrega das fundações. Ela admite que antes da chegada do TerPaz à área, a realidade diária era de extrema violência.

"Agora está bem melhor, mas antes era muito violento. Está bem calmo, a gente vive bem no bairro", conta. Há quatro meses, em uma das ações da Policlínica Itinerante no local, Dilene descobriu que ela e os dois filhos estavam infectados com o novo coronavírus. "Atendimento foi bom, foi rápido, e na hora a gente recebeu os remédios", lembra. Há algumas semanas, em uma ação do TerPaz na escola José Ribeiro Valente, ela conseguiu uma nova via da carteira de identidade.

"Agora todo mundo quer que seja uma coisa boa, para ficar mesmo, porque não tem nada aqui disso, só tem se for longe. A gente está aguardando e torcendo para que dê tudo certo", relata, falando sobre a UsiPaz que haverá no bairro a partir do ano que vem.

Graça Avelar, moradora do Icuí, participou do projeto Meu EndereçoAutoestima - Graça do Socorro Feio de Avelar é moradora do Icuí, e lá, pelo TerPaz, ela participou do projeto Meu Endereço como supervisora de campos - experiência de trabalho de equipe para confirmar os dados do cadastros e também a medição e situação do imóvel, para iniciar o processo de legalização fundiária. No bairro ela também desenvolve uma Escola Bíblica Dominical.

"Com os cursos oferecidos e atendimentos médicos e cursos profissionalizantes, não há mais a necessidade de se deslocar para outro bairro, pelo simples fato de termos isso pelo Territórios. Em relação à Usina, se cria uma grande expectativa. A gente esperou por tanto tempo sermos vistos com olhos de cuidado, em relação aos direitos fundamentais sendo cumpridos pelo Governo", reconhece.

Charles Aviz mora no Benguí desde o fim da década de 1970. Além de ser voluntário em várias ações do programa, participou das agendas do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), oficinas, feiras e palestras e também foi atendido pela Policlínica Itinerante.

Charles Aviz, do Benguí, já foi voluntário das ações do TerPaz"De uns tempos para cá, principalmente a partir do avanço do processo de urbanização e a instalação de shoppings, a imagem do bairro tem melhorado. É de conhecimento público que temos uma população ainda com grandes dificuldades econômicas, sociais, com índices de violência elevados e graves problemas estruturais urbanos que são realidades para centenas de famílias que ainda moram em áreas totalmente precárias. Com o TerPaz melhorou muito, porque integra as políticas", analisa.

"A ideia de gestão da Usina da Paz com a participação da comunidade cria empoderamento local. Isso é uma semente muito boa que terá como resultado o aumento da interação e articulação de toda a comunidade, e principalmente fortalecimento da identidade de pertencimento", avalia.

Mudanças - Líder comunitária no mesmo bairro, onde nasceu e se criou, a advogada Cileny Regina lembra que há pouco tempo Benguí era sinônimo de criminalidade. Ao ser convidada, em fevereiro de 2019, para integrar o embrião do que seria o TerPaz, ela confessa não ter acreditado em uma efetiva mudança no início. 

"Eu me inscrevi na seleção para compor a coordenação do programa, e mesmo não sendo classificada de primeira, depois fui nomeada. Desde então faço questão de participar de todas as ações, de emissão de RGs à distribuição de cestas básicas. A UsiPaz será muito bem vinda, é uma chance de nossas crianças, jovens e adultos mudarem seus destinos. Como filha de empregada doméstica, sei que meu esforço é grande, mas a vitória também é, e fazer parte disso, como coordenadora do TerPaz no Benguí e como cidadã, mãe e irmã, é muito gratificante", reforça.