'Abelardo Santos' vai retomar atendimento normal após transferência de pacientes de Covid-19

Com a redução de casos da doença, hospital voltará gradualmente a atender nas especialidades de referência

08/07/2020 21h03 - Atualizada em 09/07/2020 14h36
Por Carol Menezes (SECOM)

Com o início das transferências dos pacientes de Covid-19 do Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS) para o Hospital de Campanha de Belém, instalado no Hangar – Centro de Convenções da Amazônia, nesta quarta-feira (8), a expectativa da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) é que ainda em julho todo o complexo hospitalar localizado no distrito de Icoaraci retome por completo o seu perfil original de atendimento, de referência para todo o Estado, voltado à assistência de urgência e emergência pediátrica, urgência referenciada de adultos, e também ambulatorial. Por conta da pandemia, a unidade passou mais de dois meses recebendo exclusivamente pessoas com sintomas provocados pelo novo coronavírus, atendendo mais de 38 mil pacientes entre 14 de maio e 7 de julho.A expectativa é que, até o fim de julho, o atendimento de referência seja normalizado no Hospital Abelardo Santos

Em entrevista concedida na tarde de hoje, o governador Helder Barbalho explicou que a redução do contágio e das demandas de saúde permite a otimização do uso dos hospitais estaduais. "Temos uma ocupação de 64% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e de menos de 40% dos leitos clínicos. Estamos com uma retaguarda de mais 240 leitos no Hospital de Campanha da Centenário, que está pronto, caso seja necessário, para incrementar esta rede de apoio. E com base nisso, podemos fazer com que o ‘Abelardo Santos’ volte às especialidades, da mesma forma que fizemos com a Policlínica Metropolitana", explicou. "Isto não quer dizer que as pessoas devem entender que estamos afrouxando. Pelo contrário. O vírus continua; temos que estar atentos. Estamos pautados na ciência e no conhecimento em todas as nossas decisões. A oferta de leitos no Hangar e no ‘Abelardo’ nos permite garantir atendimento para outras enfermidades", assegurou o governador.

Médica e diretora técnica da Sespa, Maitê Gadelha explicou que tudo será feito de forma gradual - tanto as transferências dos internados em recuperação, que serão coordenadas pelo setor de regulação da Sespa, quanto a retomada dos serviços oferecidos pelo HRAS, com constante divulgação para a população sobre datas e orientações sobre quando procurar atendimento.

Com o esvaziamento do Hospital Abelardo Santos, que não mais internará pacientes de Covid-19 a partir desta quinta-feira (09), a porta de entrada para casos graves da doença volta a ser os prontos socorros municipais e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), além da própria Policlínica Itinerante instalada no Hangar, que continua atendendo pessoas com sintomas iniciais da doença. Paciente que venceu a Covid-19 deixando o hospital. É uma das mais de 38 mil pessoas atendidas na unidade entre 14 de maio e 7 de julho.

Demanda reprimida - O atendimento de casos leves e moderados de Covid-19, que era feito com a estrutura móvel do Programa Territórios Pela Paz (TerPaz) na área do estacionamento do HRAS, também será encerrado. "A gente precisa voltar a atender uma demanda reprimida que é muito grande, e que não pôde buscar atendimento no ‘Abelardo Santos’ porque o hospital precisou ficar exclusivo para a Covid nesse período", ressaltou Maitê Gadelha. Todo o prédio passará por processo de desinfecção gradual, em todas as alas, à medida que os pacientes forem transferidos.

A diretora técnica reforçou que a retomada dos atendimentos no Hospital Abelardo Santos só será iniciada após a transferência de todos os 120 internados, e que a população deve ficar atenta às atualizações na rede de saúde estadual sobre esse processo.

A médica disse ainda que o remanejamento dos pacientes para o Hospital de Campanha de Belém não esgotará a capacidade de internação da unidade que funciona do Hangar. "Os pacientes do ‘Abelardo Santos’ estão metade em leitos clínicos e metade em leitos de UTI. Quando a transferência for concluída, nós ainda teremos cerca de 150 leitos disponíveis, entre os de enfermaria e de terapia intensiva", garantiu Maitê Gadelha.