Agricultura em Peixe-Boi dá exemplo de preservação ambiental

05/05/2020 15h05 - Atualizada em 05/05/2020 16h33
Por Aline Miranda (EMATER)

Com o apoio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) de Peixe-Boi, no nordeste do Estado, o agricultor José Maria de Souza vem recuperando a natureza do Sítio Santo Espedito (com a devida licença poética do “s” mesmo), na Travessa do Salgado, na Comunidade São Pedro.  

José Maria de Souza recuperando a natureza do Sítio Santo EspeditoDe acordo com dados indicados pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR), mais de 50% da extensão verde da propriedade de 50 hectares estão preservados. Desde 2013, uma nascente e o entorno vêm sendo revitalizados a partir do Projeto "Renascente" - uma parceria da Emater, Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio) e Prefeitura de Peixe-Boi. 

Pelo Renascente também, há quatro anos, três viveiros comunitários são mantidos,de onde o agricultor recebeu mudas de espécies diversas de essências florestais e frutíferas para implantar um hectare de sistema agroflorestal em área outrora degradada. 

Por meio de projeto elaborado pela Emater e liberação do Banco da Amazônia (Basa), em 2019 o agricultor foi contemplado, ainda, com crédito rural de quase R$ 25 mil, da linha Floresta do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), justamente para auxiliar em correção química do solo e preparo da área. 

“Associamos açaí, pupunha, ipê e maranhoto, por exemplo. É uma associação planejada de culturas anuais, temporárias e definitivas, de modo a gestar, para o agricultor, tanto alimento, quanto renda, além de permitir que uma faixa, a qual antes se encontrava degradada, "volte à vida", comentou o chefe do escritório local da Emater, o técnico em agropecuária Cleto Cella. 

Atualmente, 30 famílias fazem parte do Projeto Renascente no município e mais 30 no município vizinho, Bonito. O Projeto consiste na orientação e utilização de práticas para a recuperação de áreas degradadas ou alteradas, sobretudo em áreas de preservação permanente (apps) e nascentes, mediante capacitação em produção de mudas, instalação de viveiros e implantação de sistemas agroflorestais (Safs). 

De acordo com Cella, as experiências desses agricultores são exemplo de que a exploração sustentável é possível, mesmo sob a realidade do pequeno agricultor. “Aliar uso dos recursos naturais com preservação ambiental, tirar o sustento sem destruir, está ao alcance de qualquer produtor rural. Temos que pensar que o ser humano é parte da natureza. Não dá para imaginar a preservação ambiental excluindo o ser humano como elemento. Hoje em dia, essa é uma premissa das políticas públicas. Para tanto, existe assistência técnica, tecnologia, adesão dos agricultores, parceria institucionais e uma série de estratégias”, avaliou.