Escola Cônego Batista Campos usa sorvete, picolé e rolinho de papel para incentivar a leitura das crianças

21/02/2020 15h59 - Atualizada em 21/02/2020 16h36
Por Leidemar Oliveira (SEDUC)

Alfabetizar uma criança e garantir que ela conclua o Ensino Fundamental menor lendo e escrevendo plenamente é um dos maiores desafios da escola pública. No Pará, escolas da rede estadual de ensino têm se esforçado para criar iniciativas que ajudem as crianças a aprender essas habilidades na idade certa. Uma dessas escolas é a Cônego Batista Campos, no bairro do Curuçambá, em Ananindeua. A escola tinha uma grande evasão e muitos alunos chegavam ao 5º ano sem saber ler e escrever. Diante desse quadro, diretores e professores criaram projetos de leituras para estimular os alunos a desenvolver a habilidade.

Em 2019, a equipe criou a Sala de Recursos Audiovisuais e Leitura Profª Leila Freire, para atender dois projetos. O Sorveteria da leitura é voltado para a alfabetização, em que cada sorvete retirado do carrinho o sorveteiro tem uma palavra. O aluno que tirar a palavra tem que ler e depois separar em sílabas. O projeto também é multidisciplinar e envolve noções de matemática e geografia. Com a matemática, as crianças aprendem sobre preço e quantidade do sorvete. Já com a geografia, o projeto ensina sobre de onde vem a fruta, a história e como surgiu o sorvete. “O objetivo do projeto é fazer com que a criança aprenda brincando”, comenta a professora Sheila Melo.

O outro projeto é o “Nem te conto, é muito firme ler”, voltado para a alfabetização e letramento. O projeto trabalha com a literatura paraense incentivando os alunos a conhecerem os autores locais e as lendas amazônidas. O projeto se desenvolve em duas vertentes: o picolé da leitura, em que o aluno sai na sala vendendo picolé, cantando uma música e chamando para a leitura. O outro é o rolinho da leitura. “Encaixa-se dois rolinhos (de papel higiênico) e cada um, em sílabas, quando é girado formado novas palavras”, detalha a professora Adriana Marques.

Os resultados já começaram a aparecer. “Após o projeto a escola virou referência na alfabetização, aumentou o número de matrículas de 150 para 202 e já está com uma lista de espera”, destaca o diretor Higor Ivan de Souza.

Segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), os estudos indicam que os maiores desafios são nos anos iniciais para alfabetização, leitura e escrita. A escolaridade deficiente do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental prejudica o restante da progressão pedagógica do estudante. “Práticas ativas para anos iniciais, onde o aluno precisa mobilizar uma série de habilidades para aprender a ler são fundamentais nas escolas”, afirma a coordenadora da Educação Infantil e Ensino Fundamental da Seduc, Lucidea Santos.