Leucemia pode ser confundida com outras doenças, adverte Ophir Loyola

Segundo o Inca, mais de 300 casos da enfermidade devem ser detectados em 2020 no Pará

19/02/2020 12h31 - Atualizada em 19/02/2020 14h02
Por Leila Cruz (HOL)

A paciente Ana Cristina dos Anjos, atendida no Ophir Loyola, e o filho IsaíasO Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que 730 casos de leucemia sejam notificados neste ano no Norte do país. Desses, 320 serão detectados no estado do Pará, uma média de 180 casos em homens e 140 em mulheres. A doença atinge as células sanguíneas quando os glóbulos brancos, responsáveis por proteger o corpo humano de infecções, perdem as funções e proliferam-se, desordenadamente, dando origem ao câncer.

A definição do tipo de leucemia ocorre após a identificação do tipo de célula sanguínea que causou a doença e se essa possui um crescimento mais rápido ou mais lento, para receber o status de aguda ou crônica. A leucemia aguda é mais comum em pessoas jovens, enquanto a crônica acomete pacientes mais maduros e idosos.

Os subtipos são diversos, cada um possui um tratamento específico. Nesse contexto, exames especializados são indispensáveis à definição do tipo e terapia adequados. As mais brandas são tratadas com medicamentos orais, contudo existem cânceres extremamente agressivos, e a quimioterapia deverá ser iniciada rapidamente, inclusive com necessidade de transplante de medula óssea.

É o caso de Ana Cristina dos Anjos, 52, residente no município de Tucuruí. Ano passado, ela começou a apresentar febre, fraqueza extrema e palidez, mas escondia a situação do filho Isaias, 34. O rapaz só tomou conhecimento do estado da genitora após a condição agravar e precisar levar a mãe à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde foi detectada uma anemia muito grave.

Já no hospital regional, após descartada a hipótese de púrpura (doença autoimune caracterizada por níveis baixos de plaquetas), a suspeita de leucemia motivou um encaminhamento ao Hemopa, em Belém. Após o resultado, em outubro, internou no mesmo dia no Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) do Ophir Loyola. Recentemente, precisou ser internada novamente, desta vez ficou cerca de 30 dias.

“Larguei tudo, o emprego de vendedor e a faculdade de radiologia para cuidar dela. Não foi fácil, teve queda de cabelo, hemorragia, transfusões e a notícia de que minha mãe precisa de um transplante. Apesar de tudo, hoje vencemos mais essa fase e estamos indo para casa”, comemora Isaías.

Oncohematologista Thiago Carneiro, do HOLSegundo o oncohematologista Thiago Carneiro, o tipo mais frequente no Pará é a leucemia mieloide crônica, seguida das leucemias agudas, tratadas com muita frequência no Hospital Ophir Loyola. Ainda conforme o especialista, mesmo sendo o câncer mais comum em crianças, a leucemia atinge todas as faixas etárias.

Ele ressalta que a campanha Fevereiro Laranja adverte sobre o diagnóstico precoce da enfermidade, que deve ser realizado imediatamente após a suspeita. “É preciso ficar atento a sintomas inespecíficos, como aumento dos gânglios linfáticos, fraqueza, hematomas e sangramentos sem explicação aparente, facilmente confundidos com sintomas de outras doenças”, alerta.

Um simples exame de sangue de rotina, o hemograma, pode apresentar a contagem de leucócitos, ou muito elevada ou muito baixa. Ao detectar alterações importantes, o médico deverá encaminhar o paciente ao hematologista.

A Fundação Hemopa realiza exames iniciais, sendo fundamental o mielograma para avaliação da medula óssea. “Caso seja necessário, o paciente será encaminhado ao Ophir Loyola onde exames, como avaliação molecular, imunofenotipagem (investigação do fenótipo das células) e outros mais especializados, são realizados no Laboratório de Biologia Molecular, a fim de confirmar o diagnóstico e dar início ao tratamento”, explica Thiago Carneiro.

Um dos principais ganhos com o Laboratório de Biologia Molecular consiste numa maior capacidade de fazer diagnóstico adequado das leucemias, tanto na descoberta quanto na identificação das mutações. Essas informações orientam o especialista sobre o melhor caminho a seguir e quando deve ser indicado o transplante. Atualmente, o prognóstico é muito melhor do que em épocas passadas. Os pacientes podem conviver bem com a doença ou até mesmo atingir a cura.

“Alguns tipos de leucemia são tratados apenas com comprimidos, os tratamentos modernos são inteligentes e conseguem destruir esse tipo de câncer. Os casos mais graves são tratados com internação hospitalar e quimioterapia. Para isso, temos uma equipe qualificada para dar todo o suporte ao paciente” - Thiago Carneiro, oncohematologista.

Ainda não se sabe ao certo a origem da doença, porém, segundo o Inca, suspeita-se da associação entre determinados fatores com o risco aumentado de desenvolver alguns tipos específicos, tais como substâncias químicas, como agrotóxicos, benzeno formaldeído, cigarro, exposição excessiva à radiação, quimioterapia, além de algumas síndromes e doenças hereditárias.