Dia Mundial da Diabetes alerta para prevenção e tratamento da doença

No Pará, Hospital Jean Bitar é referência no atendimento a pacientes de todas as idades

14/11/2019 14h14 - Atualizada em 14/11/2019 15h33
Por Dayane Baía (SECOM)

O Dia Mundial da Diabetes, 14 de novembro, foi escolhido para conscientizar sobre os cuidados para prevenção e tratamento da condição crônica, que não tem cura. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), no Pará existem cerca de 400 mil pessoas com o distúrbio caracterizado pela oscilação dos níveis de glicose no sangue, causada pela produção insuficiente de insulina, substância secretada pelo pâncreas. O controle pode ser feito pela administração de medicamentos, aplicação de insulina sintética e, principalmente, alimentação balanceada.

O Hospital Jean Bitar é referência no Estado para o tratamento, vinculado ao Centro de Diabetes e Endocrinologia do Pará (Cedepa), serviço especializado para doenças endócrinas. Após passarem por Unidades Básicas de Saúde, os pacientes são encaminhados pela Central Estadual de Regulação e tem acesso ao tratamento com endocrinologistas, nutricionistas, psicólogos e profissionais de enfermagem.

“Diabetes é uma doença incidiosa e os sintomas não aparecem quando a glicose não está alterada. Quando os níveis começam a descompensar, o usuário sente perda de peso, fome, fraqueza, formigamento nas mãos e alteração na visão. É nessa fase que ocorre o diagnóstico”, explica a endocrinologisa Camila Abdon.

Em uma visita de rotina ao posto de saúde, Cosme Conceição Tavares, 65 anos, descobriu que é diabético. A partir do diagnóstico, a esposa e os dois filhos se juntaram ao paciente nos cuidados que exigem alimentação balanceada e aplicação de insulina. Esse envolvimento é importante, conforme explica a médica Camila.

“Diabetes diz respeito à família, todos precisam ajudar a fazer uma alimentação melhor. O paciente não pode ser o diferente da casa para não desestimulá-lo. Além disso, sem a adoção de hábitos adequados, toda a família fica exposta à adquirir a doença, principalmente as crianças”, frisa a endocrinologista.

Cosme está internado há três meses com uma neuropatia, o pé diabético. “Estava com um canto de unha inflamado. Desde lá não sarou mais”, lembra o paciente que já passou por três procedimentos cirúrgicos que culminaram na amputação dos dedos. “A pele dele também fica muito ressecada, tem outros sintomas aparecendo, mas ele está sendo bem cuidado, aqui são todos muito queridos”, conta a esposa Raimunda Tavares, que acompanha o marido.

Cuidados - O Serviço de Nutrição e Dietética do Jean Bittar oferece três cardápios diariamente destinados a usuários, acompanhantes e colaboradores. De acordo com a nutricionista e coordenadora do setor, Natália Faria, os pacientes recebem refeições conforme o estado de saúde. No caso de pessoas diabéticas, são priorizados ingredientes como leite desnatado; pães integrais; legumes e frutas com baixo índice glicêmico como batata doce; maçã; laranja com bagaço; abacaxi; pêra e abacate. “Já alimentos como beterraba; banana; melancia; e mamão papaya devem ser consumidos com moderação, conforme o controle de glicemia de cada indivíduo. O mesmo vale para outros carboidratos simples, como pão branco; e farinha e goma de tapioca”, explicou a nutricionista.

De acordo com a endocrinologista Camila, o diabetes mais comum em adultos é o do tipo 2, em que prevalece a resistência insulínica, ou seja, o organismo produz a insulina, mas ela não é capaz de agir adequadamente sobre os tecidos acumulando a glicose no sangue. Já o tipo 1 tem causa auto-imune, ou seja, o próprio organismo reage contra o pâncreas e destrói as células produtoras de insulina. A maior incidência ocorre em crianças e adultos jovens. Mulheres grávidas também podem desenvolver diabetes gestacional, pelo aumento de hormônios que podem alterar a glicose.

Região Norte - De acordo com o Atlas da Diabetes 2019, o Brasil ocupa o 5º lugar no rancking dos países do mundo com maior registro da doença. “Na região norte temos uma dieta extremamente calórica, com incidência de obesidade que está vinculada ao diabetes. Aqui se come muita farinha e outros carboidratos. É preciso tomar cuidado com o açaí, principalmente quando vem acompanhado de açúcar. É um cardápio muito calórico e com pouca fibra”, alerta Camila.

Nos casos mais graves, o hospital oferece dois tratamentos de tecnologia de ponta: a bomba de insulina e o holter de glicose. O Serviço de Sistema de Infusão Contínua de Insulina (SICI - Bomba de insulina) no Jean Bitar é o segundo disponível no Brasil e primeiro da região norte. “É um dispositivo conectado ao paciente que libera a dose pré-estabelecida conforme a orientação mensal do corpo clínico. O próprio paciente pode informar a quantidade de ingestão de carboidratos e o sistema adéqua à necessidade do usuário”, explicou Camila Abdon.

Já o holter de glicose é um sistema de monitoramento contínuo anexado à pele do paciente. O método consiste na anexação de um sensor, que é instalado no tecido subcutâneo com a ajuda de um cateter, o qual fica conectado a um monitor, que, por sua vez, apresenta as medidas da glicemia do paciente em forma de gráficos. “É uma tecnologia que controla melhor a doença e não necessita que o paciente fure os dedos para a medição. É destinada a alguns pacientes, dependendo do caso. Geralmente grávidas ou pacientes do tipo 1”, complementou a médica.

IASEP - O Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará oferece serviços variados para o tratamento do diabetes. Além das cotas anuais regulares de consultas e exames, o segurado com a doença tem acesso ao Programa de Procedimentos Adicionais, que disponibiliza cotas extras, dependendo da necessidade. Atualmente, o instituto tem 1.693 segurados inscritos no programa de diabetes, sendo 68% de mulheres. Do total, 277 já apresentam complicações, como insuficiência renal crônica e glaucoma.

É o caso de Francisco Rocha, segurado do Iasep há mais de 25 anos, diagnosticado com a doença há cinco. “O diabetes afetou minha parte sanguínea, e quando cheguei no hospital, já estava mais morto do que vivo. Agora, tenho muito cuidado com a dieta, pois a alimentação é tudo. O meu diabetes foi adquirido, não hereditário, porque eu tomava muito refrigerante, comia sanduíches, coxinha, comia fora de hora e isso foi fazendo acúmulo de gordura”, conta.

Hoje, além do diabetes, o segurado faz tratamento para as doenças associadas, hipertensão e insuficiência renal crônica, incluindo três sessões semanais de hemodiálise, tudo pelo plano. “Sempre fui bem atendido pelo Iasep. Graças a Deus o instituto compreendeu minha necessidade e liberou as cotas adicionais. Hoje, faço todo o meu tratamento, sem me preocupar”, conta Francisco. 

Com colaboração de Thâmara Magalhães