Literatura com acessibilidade para todos é tema de roda de conversa

28/08/2019 16h31 - Atualizada em 28/08/2019 19h06
Por Elck Oliveira (SECOM)

O relato de experiências teve a participação de intérpretes de LibrasA acessibilidade na literatura foi o tema da roda de conversa realizada no meio da tarde desta quarta-feira (28), na Arena Multivozes, dentro da programação da 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, realizada pelo Governo do Estado do Pará, no Hangar Centro de Convenções, até o próximo domingo, dia 1° de setembro.

Os escritores paraenses Daniel Rocha e Cleópatra Melo participaram do diálogo, com mediação de Mônica CarvalhoOs escritores paraenses Daniel Rocha e Cleópatra Melo participaram do diálogo, que teve mediação da professora Mônica Carvalho, uma das coordenadoras do projeto Lamparina Acesa - Literatura Acessível, vinculado à Universidade do Estado do Pará (Uepa). O projeto oferece, na Feira, o serviço gratuito de guia vidente, para pessoas cegas, e intérprete da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) para pessoas surdas.

A professora Pâmela Matos, considerada como a primeira surda do Estado a obter o título de mestre - ela é mestre em Educação pela Uepa e atua como docente do curso de Licenciatura em Letras/Libras da Universidade Federal Rural da Amazônia - também falou à plateia sobre a sua vivência como surda e as dificuldades enfrentadas na sua trajetória acadêmica e profissional.

Daniel Leite, que é ouvinte, contou a sua experiência com o livro “A história das crianças que plantaram um rio”, que ele lançou em 2013 impresso e que, depois, ganhou uma versão em áudio, por meio de um convite de uma professora da Uepa, Joana Martins, que também é uma das coordenadoras do Lamparina Acesa.

“Tomei conhecimento desse universo através do trabalho da professora Joana e, desde então, isso passou a afetar sobremaneira a minha maneira de escrever, porque hoje já penso nos meus livros não apenas para o suporte impresso, mas para outros meios também, que possam tornar essa literatura mais acessível a todos”, destacou.

A professora Pâmela Matos – que se comunicou com a plateia por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) – lembrou a sua história e as dificuldades enfrentadas até chegar a ser a primeira surda do Estado com título de mestre. Ela contou que nasceu ouvinte e, após uma severa doença, perdeu a audição, com a idade de seis anos. A partir daí, começou a buscar maneiras de continuar tendo acesso à literatura, uma paixão que adquiriu desde cedo.

A Arena Multivozes abriu espaço para o debate sobre acessibilidade“Consegui ultrapassar as barreiras oferecidas na educação e cheguei ao mestrado, mas esse não foi um caminho fácil. A barreira linguística é a principal dificuldade para os surdos, já que a maioria dos livros está escrita em Português, que não é a língua oficial dos surdos, mas sim a Libras”, enfatizou, com a ajuda de um intérprete.

Durante toda a roda de conversa, os intérpretes de Libras e as áudio-descritoras do projeto Lamparina Acesa traduziram o evento para as pessoas surdas e com deficiência visual, que estiveram em peso na Arena Multivozes.

Serviço: A 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes segue até o dia 1⁰ de setembro, no Hangar Centro de Convenções, das 10 às 22h, com entrada franca para todas as programações.