Projeto oferece tratamento contra as drogas para internas do CRF

15/01/2015 20h30
Por Redação - Agência PA (SECOM)

Com apenas 30 anos de idade, Jenifer Almeida já contabilizava 20 deles como usuária de drogas. Aos 9 anos ela fugiu de casa e aos 10 já se prostituía e roubava para comprar entorpecentes. Ela tem três filhos, mas não lembra como engravidou de nenhum. “Quando dei à luz o meu filho mais novo, só me lembro de estar no hospital surtando com dilatação e contrações”, conta.

Jenifer mudou completamente depois de entrar para o projeto “Consolidar redes e re-significar vidas”, que foi implantado há um ano no Centro de Recuperação Feminino (CRF), em Ananindeua, região metropolitana de Belém. A ação é uma parceria pioneira entre a Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) e a Prefeitura de Ananindeua, por meio da Secretaria de Saúde, com o objetivo de promover tratamento individualizado às mulheres presas usuárias de álcool e outras drogas.

“Estou há um ano sem usar nenhum tipo de droga, e me sinto uma nova pessoa. As drogas tiraram tudo que eu tinha: minha família, minha dignidade e minha liberdade. A luta é diária, pois ainda sinto vontade de me drogar, mas esse tratamento tem sido fundamental para que eu continue firme no meu objetivo, que é me livrar para sempre da dependência. Sou uma nova Jenifer e quero levar tudo que aprendi aqui para o resto da minha vida e ficar ao lado dos meus filhos”, diz a interna.

A história da Jenifer é apenas uma das centenas contadas nas salas de atendimento do projeto. A equipe multidisciplinar, formada por oito profissionais de ensino superior, atua como em um Centro de Atenção Psicossocial (Cpas), só que dentro da unidade prisional. Em um ano de atuação, mais de 140 detentas receberam atendimento, e dessas 85 tiveram alta.

“Nosso trabalho tem sido fundamental para resgatar a autoestima e a identidade dessas mulheres que estão no fundo do poço com o uso de drogas. Para fazer parte do projeto é preciso primeiro querer. A partir daí é feita uma entrevista para saber todo o histórico dessa paciente, e em seguida ela é encaminhada para atendimento com o psiquiatra, para ver se há a necessidade de uso de medicamento. Todos os casos são estudados individualmente, para averiguar o grau de comprometimento e traçar um plano terapêutico de atendimento”, explica Margarethe Corrêa, psicóloga da Susipe que coordena o projeto.

Futuro – O vício em cocaína foi o que levou Rayanne para a prisão. A jovem de 22 anos experimentou drogas pela primeira vez sozinha aos 12 anos de idade e não parou mais. “Tinha muita curiosidade em saber como era fumar maconha. Depois fui para outras drogas até me viciar em cocaína. Com 18 anos, eu já me prostituía e assaltava ônibus armada com uma faca. Precisava fazer aquilo para conseguir dinheiro para sustentar meu vício. Quando fui presa passei muitas noites chorando e em crises de abstinência. Sofri muito até decidir parar de usar drogas”, revela a interna, que já está há oito meses recebendo atendimento pelo projeto.

Além das consultas e dos medicamentos, as cerca de 60 internas que são atendidas atualmente recebem um acompanhamento especial com psicólogo, enfermeiro e fisioterapeuta toda terça e quinta-feira. “Fazemos um grupo de reflexão, atividades lúdicas e exibimos filmes. Elas também participam de aulas de alongamento e pilates de solo, que ajudam muito a restaurar a autoestima dessas mulheres, além de melhorar a qualidade de vida e diminuir a ansiedade”, conta a psicóloga da Secretaria de Saúde de Ananindeua, Erika Rocha.

Para 2015, a intenção é atender mais mulheres e ampliar o projeto. “O vício em drogas entre detentos é um problema sério e que precisa de atenção. Todos os profissionais que atuam no projeto receberam três meses de qualificação para tratar especificamente esse grupo de mulheres dependentes químicas. A implantação da ação foi uma estratégia para superar as dificuldades de atendimento para usuários de drogas na rede pública. Nós queremos ampliar o projeto e expandir esse atendimento para mais mulheres que queiram se livrar das drogas”, revela a diretora do CRF, Carmem Botelho.