Crianças oncológicas necessitam de cuidados especiais dentro e fora do hospital

10/08/2015 16h21
Por Redação - Agência PA (SECOM)

A recuperação de um paciente com câncer requer tratamento adequado e atenção redobrada, principalmente com as crianças que são suscetíveis às complicações impostas pela doença. A taxa de cura do câncer infantil pode chegar a 90%, essa resposta vai depender do diagnóstico precoce e acompanhamento especializado e cuidados recebidos dentro e fora do ambiente hospitalar, porque a doença e a quimioterapia deixam o sistema de defesa do organismo debilitado.

Nas crianças e adolescentes, o câncer afeta principalmente as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. A leucemia é o tipo mais comum nas crianças, corresponde a cerca de 30% das neoplasias da infância. A oncopediatra do Hospital Ophir Loyola, Rita Carneiro, explica que a doença ocorre quando células anormais invadem a medula óssea fazendo com que os glóbulos brancos se reproduzam de forma descontrolada, motivando os sinais e sintomas da doença como palidez, fraqueza, dores ósseas, manchas roxas e sangramentos.

A doença afeta principalmente a imunidade e deixa o doente vulnerável a contrair infecções. A leucemia reduz a produção de glóbulos brancos, qualquer descuido pode gerar uma infecção e agravar o estado do paciente. A quimioterapia também enfraquece o sistema imunológico e predispõe o organismo a contaminações e ameaça a vida do paciente.

A leucemia é um câncer generalizado e exige mais atenção com os doentes, destaca Rita Carneiro. “A quimioterapia é mais agressiva e atinge a medula óssea, que é a ‘fábrica’ do sangue. Nela estão localizados os fatores de defesa, coagulação e as hemácias (glóbulos vermelhos) responsáveis por dar cor ao sangue e transportar o oxigênio. O cuidado deve ser maior com a criança, principalmente na fase mais intensiva do tratamento, que varia de seis meses até um ano”, ressalta.

No período de terapia mais intensa, os pais devem evitar viagens longas com os filhos, informa a especialista. A estadia nas casas de apoio ajuda a diminuir os riscos de infecções, sangramento, adoecimento com mais frequência e outros comportamentos prejudiciais à realização da quimioterapia em tempo hábil e com maior risco da doença não responder ao tratamento.

O tratamento é iniciado após o encaminhamento do doente pela Unidade Básica de Saúde e compreende a quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Em 2014, o Hospital Ophir Loyola realizou 675 internações de pacientes de zero a 18 anos. A internação pode ser solicitada para um paciente com diagnóstico recente que precisa iniciar o tratamento ou apresentou intercorrência após a medicação ou precisa de cirurgia. Rita Carneiro esclarece que o risco da internação é a infecção hospitalar, adquirida dentro do hospital ou até mesmo após a alta quando essa infecção estiver diretamente relacionada com a internação ou procedimento hospitalar como uma cirurgia.

Ainda segundo ela, a limitação no número de visitas é uma medida necessária para reduzir o risco de infecção. “O ambiente hospitalar é contaminado, onde vários antibióticos são utilizados e podem selecionar germes mais potentes, difíceis de serem tratados. A maioria das infecções tem a transmissão cruzada, ocorre através de outras pessoas ou objetos contaminados e está relacionada aos procedimentos realizados e ao tempo de internação”, afirma.

Além de evitar a aglomeração de pessoas, a oncopediatra cita alguns cuidados indispensáveis para manter o paciente estável. O consumo de alimentos durante a internação deve ser exclusivamente fornecido pela Nutrição e Dietética do hospital, que avalia cada paciente conforme a patologia e determina as refeições de acordo com o gosto do paciente, salvo em ocasiões especiais com a prévia liberação e orientação da equipe de nutrição.

Os voluntários também devem cumprir com as normas de acesso da instituição para não prejudicar o bom andamento dos serviços. Amor, carinho e atividades lúdicas são de grande ajuda na recuperação dos enfermos, mas tudo deve ser elaborado com o aval médico e responsabilidade.

A maioria dos pacientes é do interior do Estado. Muitas vezes os parentes viajam 12 horas em contato com aglomerações para realizar a visita. “Claro que o carinho é importante, mas deve-se manusear o mínimo possível o paciente. Algumas atitudes como não sentar no leito e lavar as mãos, considerado o método mais eficaz para evitar a infecção, ajudam a evitar a piora do paciente. Os cuidados também devem ser mantidos fora do ambiente hospitalar”. 

Dicas para proteger crianças em tratamento do câncer

- Não usar medicamentos sem o conhecimento médico;

- Evitar contato com pessoas doentes;

- Higienizar as mãos com frequência;

- Evitar aglomerações como shopping, cinema em dias de muito fluxo e nos horários de maior pico e ambientes mal ventilados e úmidos;

- Privilegiar a alimentação preparada em casa, com pouca gordura e sal;

- Evitar o leite de vaca “in natura” e priorizar o leite pasteurizado;

- Consumir frutas descascadas. É na casca que se encontra a maior quantidade de agrotóxico. Mesmo sem a certeza absoluta da relação ou não com o câncer, a especialista orienta não correr o risco;

- As frutas com casca fina devem ser evitadas como, por exemplo, o morango. E para quem não dispensa o açaí, consumir apenas aquele preparado com água filtrada de boa qualidade;

- Manter os brinquedos, objetos pessoais e roupas da criança limpos;

- Evitar banhos em piscinas, igarapés e praias.