Seap faz palestra de prevenção à violência contra a mulher
Com 91 inscritos, ação reuniu especialistas e servidores para discutir masculinidades, respeito e o papel dos homens no enfrentamento à violência de gênero
Nesta sexta-feira (12), a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), por meio da Coordenação de Assistência e Valorização do Servidor (CAVS), realizou a palestra “A Cultura do Respeito: O papel do homem na prevenção da violência”, voltada aos servidores da Sede Administrativa e das unidades prisionais da Região Metropolitana de Belém.
A iniciativa teve como objetivo promover a conscientização sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, incentivando reflexões sobre respeito, responsabilidade e mudança de comportamento. A programação reuniu especialistas das áreas de psicologia e direito para discutir a influência dos padrões de masculinidade nas relações interpessoais e as consequências da violência de gênero.
Segundo a coordenadora da CAVS, Thaís Santalices, a proposta da ação é ampliar a participação masculina no enfrentamento à violência contra a mulher e estimular a construção de uma cultura baseada no respeito.
“Trazer os homens para o centro dessa conversa serve para transformá-los de espectadores em aliados ativos na prevenção”, destacou.
Para a coordenadora, durante muito tempo as discussões sobre a proteção das mulheres estiveram concentradas apenas nelas, quando, na verdade, a prevenção da violência também exige o engajamento dos homens. Nesse contexto, a palestra buscou incentivar reflexões sobre atitudes cotidianas muitas vezes naturalizadas, como comentários desrespeitosos, comportamentos controladores e outras práticas que contribuem para a manutenção do machismo e da violência. A proposta foi reforçar que a prevenção não é uma responsabilidade exclusiva das mulheres, mas um compromisso coletivo que demanda a participação ativa dos homens.
Durante a programação, a psicóloga Rosana Lemos Faron, analista da Defensoria Pública do Estado e integrante do Núcleo de Prevenção e Enfrentamento à Violência contra a Mulher, conduziu a palestra “O que os homens aprendem sobre ser homem e o impacto disso nas mulheres”. A especialista abordou como os padrões de masculinidade construídos socialmente influenciam comportamentos, relacionamentos e a forma como os homens se posicionam diante de situações de violência e desrespeito.
Para ela, iniciativas como essa são fundamentais para criar espaços de diálogo e reflexão voltados ao público masculino.
“É importantíssimo promover momentos como esse porque os homens podem ter uma referência de uma masculinidade saudável, empática, generosa e amorosa. Muitas vezes eles não têm oportunidade de ouvir sobre isso ou de questionar padrões culturais que foram naturalizados ao longo da vida. Hoje conseguimos trazer exemplos do cotidiano e fazer com que eles se enxergassem nessas situações”, afirmou.
A psicóloga destacou ainda que o conhecimento técnico sobre gênero e masculinidades contribui para ampliar a compreensão dos participantes sobre suas próprias atitudes e comportamentos.
“Entender a construção histórica da identidade masculina ajuda a compreender por que muitos homens agem da forma que agem. Esse conhecimento permite que eles reflitam sobre si mesmos e sobre a maneira como se relacionam com as mulheres. Isso impacta diretamente o ambiente de trabalho, porque as pessoas passam a pensar mais sobre como falam, como convivem e como podem contribuir para que as mulheres se sintam respeitadas e seguras”, acrescentou.
Na sequência, o defensor público Fábio Rangel Pereira de Souza, titular da 4ª Defensoria de Defesa da Pessoa Acusada da Prática de Violência de Gênero, ministrou a palestra “Consequências profissionais, pessoais e jurídicas da prática de violência de gênero e o que isso tem a ver com você”.
Durante sua apresentação, ele ressaltou que a prevenção da violência passa necessariamente pela reflexão dos homens sobre os modelos de masculinidade que foram construídos socialmente.
“Foi uma honra participar deste evento porque ele dialoga diretamente com o trabalho que realizamos na Defensoria Pública. Não adianta apenas empoderar a mulher, embora isso seja fundamental. Também é preciso trabalhar com os homens para refletir sobre a masculinidade hegemônica e os reflexos desse comportamento na sociedade. Precisamos formar homens mais preparados para conviver com equidade e respeito”, destacou.
O defensor explicou que o sistema de justiça atua quando a violência já ocorreu, tornando ainda mais importante a realização de ações preventivas como a promovida pela Seap.
“O sistema de justiça chega depois, quando o fato já aconteceu. É por isso que palestras como essa têm um papel tão importante. Elas trabalham a prevenção, permitindo que as pessoas reflitam sobre comportamentos que muitas vezes são reproduzidos sem questionamento e que podem contribuir para situações de violência”, afirmou.
Segundo ele, iniciativas semelhantes realizadas em órgãos públicos têm apresentado resultados positivos e ajudado a transformar comportamentos nos ambientes de trabalho.
“No começo há um certo estranhamento diante da mudança de comportamento que se propõe, mas depois as pessoas percebem que todos saem ganhando. Tudo passa pelo conhecimento. Quando capacitamos os servidores, eles passam a ter um desempenho melhor tanto no atendimento ao cidadão quanto na convivência com seus colegas de trabalho”, ressaltou.
Entre os participantes, o policial penal Hilquias Rosa Soares destacou a importância de discutir o tema dentro da instituição e ampliar a conscientização dos servidores.
“Acredito que a nossa participação é muito importante devido à valorização da mulher e ao cuidado que devemos ter no dia a dia. Esse respeito precisa estar presente não apenas na segurança pública, mas em toda a sociedade. A mulher precisa poder viver e ocupar os espaços sem medo, sem receio de sofrer qualquer tipo de violência”, afirmou.
Para o servidor, a realização de palestras e rodas de conversa contribui para ampliar o entendimento sobre a temática e fortalecer uma cultura de respeito dentro do serviço público.
“É uma iniciativa de suma importância. Esses momentos nos ajudam a refletir e ampliar o nosso entendimento sobre o assunto. Quanto mais diálogo e informação tivermos, mais preparados estaremos para contribuir com uma sociedade melhor”, concluiu.
A palestra integra as atividades desenvolvidas pela Coordenação de Assistência e Valorização do Servidor, que busca promover iniciativas voltadas ao bem-estar, à conscientização e ao desenvolvimento dos servidores. Além de proporcionar conhecimento técnico sobre o tema, o evento incentivou os participantes a refletirem sobre seu papel na construção de relações mais saudáveis e no enfrentamento à violência contra a mulher.
Resposta rápida e ações efetivas
Entre as medidas de resposta imediata para a proteção de vítimas de violência doméstica, implementadas pela governadora Hana Ghassan desde o início de sua gestão à frente do Executivo estadual, está a operação “Escudo Feminino”, que resultou em prisões em flagrante de agressores. A operação promoveu atendimentos a mulheres em situação de vulnerabilidade, consolidando-se como a maior mobilização já realizada no Estado para o enfrentamento à violência contra a mulher.
Plataforma SOS Mulher 190
Nos primeiros dias de governo, Hana Ghassan também lançou a Plataforma SOS Mulher, integrada ao sistema de atendimento do 190. Por meio do serviço, qualquer mulher pode realizar cadastro de forma rápida, segura e sigilosa no site da Segup, independentemente de possuir medida protetiva.
Com o cadastro ativo, as informações ficam registradas no sistema do Centro Integrado de Operações (CIOp), permitindo identificação imediata em situações de emergência e garantindo prioridade no atendimento.
Ao acionar o 190, a localização da usuária é identificada por geolocalização, possibilitando uma resposta mais ágil das forças de segurança.
Denúncias - Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados presencialmente em qualquer delegacia da Polícia Civil. As denúncias também podem ser realizadas de forma anônima e gratuita pelo Disque-Denúncia, no número 181, ou por meio da assistente virtual de inteligência artificial Iara, via WhatsApp, pelo número (91) 3210-0181.
Texto: Fernanda Ferreira | Estagiária NCS Seap, com supervisão de Kaila Fonseca.

