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DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Semana Nacional de Museus terá palestras, exposições, oficinas e ações educativas no Planetário do Pará

CCPPA promove programação especial com foco na popularização da ciência e na valorização dos museus.

Por Monique Hadad (UEPA)
18/05/2026 13h25
A oficina de réplicas fósseis, será conduzida das 9h às 11h30 de sábado (23), pelos integrantes do projeto Paleoexploradores.

O Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA), vinculado à Universidade do Estado do Pará (Uepa), vai promover uma programação especial entre os dias 19 e 23 de maio, em alusão à 24ª Semana Nacional de Museus. Com o tema “Museus unindo um mundo dividido”, a iniciativa contará com palestras, exposições, oficinas, sessões de cúpula e ações educativas voltadas a estudantes e ao público em geral. 

A Semana Nacional de Museus é promovida anualmente pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e busca fortalecer o papel dos museus como espaços de educação, cultura, ciência e inclusão social. Neste ano, o tema propõe reflexões sobre o potencial dos museus para promover diálogo, integração e construção coletiva do conhecimento.

A abertura oficial ocorrerá amanhã, 19, às 8h30, no hall do Planetário, com a participação de representante da Pró-Reitoria de Extensão da Uepa (Proex); do diretor do CCPPA, José Roberto Silva; do docente da Uepa e coordenador do espaço da Biologia do CCPPA, Antonio Sérgio Carvalho; e do professor Joelson Lima Soares, da Universidade Federal do Pará (UFPA). Logo após a cerimônia de abertura, será realizada a palestra “Mar Perdido de Pirabas”, ministrada pelo professor Joelson Lima Soares e pela pesquisadora Laura Rojas, integrantes do projeto de extensão Paleoexploradores, da UFPA. 

Sessões de cúpula fazem parte da programação. A exibição ocorre na cúpula Kwarahy, do Planetário do Pará.

Mostra revela a biodiversidade marinha que habitou o Pará há milhões de anos

Ainda na terça-feira, 19, haverá a inauguração da primeira etapa da exposição “O Mar Perdido de Pirabas: Uma viagem imersiva ao oceano primitivo do Pará”, projeto aprovado no edital Aldir Blanc de fomento à cultura, resultado da parceria entre o Centro de Ciências e Planetário do Pará e a UFPA. 

Conforme o professor Joelson Soares, a exposição busca proporcionar aos visitantes uma experiência imersiva, capaz de transmitir a sensação de um mergulho em um oceano que existia há cerca de 23 milhões de anos. “Os visitantes terão contato com a rica biodiversidade que habitava os antigos mares que inundavam as atuais porções continentais do nordeste do Pará, durante o período geológico conhecido como Mioceno. Esse cenário está registrado nos abundantes fósseis de crustáceos, moluscos, mamíferos, peixes e tubarões que viveram em mares quentes, límpidos e rasos”, detalha.

O professor destaca que a exposição também possibilitará ao público perceber as semelhanças entre as faunas do passado e as atuais, evidenciando organismos como caranguejos, raias e peixes-boi, que já habitavam os antigos mares do Pará e que, ainda hoje, permanecem presentes na cultura regional, influenciando a culinária, o folclore e a história do Estado.

“Os visitantes conhecerão animais emblemáticos, como o gigantesco tubarão Megalodonte, que nada livremente por áreas que atualmente correspondem a importantes regiões turísticas do Pará, como Algodoal, São João de Pirabas e Salinópolis. Em resumo, a exposição proporcionará uma compreensão das transformações ecológicas ocorridas na região amazônica costeira nos últimos 20 milhões de anos, estimulando a reflexão crítica sobre a capacidade da vida de se transformar e se adaptar às mudanças ambientais ao longo do tempo geológico”.

Na programação, ocorrerá a palestra “Museus unindo um mundo dividido e a atuação do pedagogo no museu da Uepa”, ministrada pela técnica em Pedagogia do CCPPA, Dina Bandeira.

Segundo o professor Joelson Soares, a Universidade Federal do Pará, por meio da Faculdade de Geologia e do Instituto de Geociências, contribuiu com suporte acadêmico, acervo paleontológico, desenvolvimento do conteúdo científico e apoio logístico para o transporte, a confecção e o armazenamento dos materiais utilizados na exposição e nas atividades educativas. Além disso, pesquisadores, professores e estudantes participaram diretamente da elaboração de narrativas científicas, infografias e ações de divulgação do patrimônio paleontológico da Formação Pirabas.

O Centro de Ciências e Planetário do Pará ofereceu o espaço expositivo, apoio técnico e institucional para a montagem da exposição e a realização das atividades interativas entre a equipe do projeto, estagiários, funcionários e professores que atuam no Planetário, além de possibilitar a ampliação do alcance do projeto junto ao público escolar e à comunidade em geral. 

“A parceria também favoreceu a criação de uma experiência imersiva e interdisciplinar, aproximando ciência, educação e cultura por meio do desenvolvimento de práticas acessíveis que permitem popularizar as geociências. Um fator importante para a viabilização do projeto foi o comprometimento dos professores, servidores e estudantes das duas instituições envolvidas na iniciativa. Esse engajamento coletivo possibilitou a integração entre pesquisa, ensino e divulgação científica, contribuindo para a realização da exposição voltada à valorização do patrimônio paleontológico e cultural da nossa região”, ressalta Joelson Soares.

Para o diretor do CCPPA, é uma satisfação participar mais um ano da Semana Nacional de Museus.

Museus, ciência e educação se conectam durante o evento

A programação da 24ª Semana Nacional de Museus também incluirá ações educativas com estudantes de escolas públicas e privadas, além da palestra “Museus e Meio Ambiente: Ciências unindo mundos”, proferida por Emanoel de Oliveira Junior, coordenador de Museologia do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), na terça-feira, 19, às 14h30.

Na quarta-feira, 20, às 8h30, a professora Vania Lobo, docente da Uepa e responsável pelo espaço da Química do CCPPA, ministrará a palestra “Astroquímica: unindo um mundo dividido”.  Conforme a professora Vania, a atividade atrela ciência, cosmos e sociedade por meio da Astroquímica, a ciência que investiga a origem dos elementos e a composição química do Universo.

“Do Big Bang à formação das estrelas, da singularidade da Terra às mudanças climáticas e desigualdades sociais, a palestra propõe uma reflexão sobre o que nos une e o que nos divide enquanto humanidade. Se, por um lado, somos todos feitos da mesma matéria cósmica (poeira de estrelas forjada no interior estelar), por outro, vivemos em um mundo marcado por profundas desigualdades sociais, econômicas e ambientais”, afirma a docente.

Visitantes terão entrada gratuita na programação, que será aberta ao público na quarta-feira (20) e sábado (23).

No mesmo dia, a partir das 14h30, o Planetário realizará uma programação alusiva ao Dia Nacional do Pedagogo, celebrado em 20 de maio, com mesa de abertura, além da palestra “Museus unindo um mundo dividido e a atuação do pedagogo no museu da Uepa”, ministrada pela técnica em Pedagogia do CCPPA, Dina Bandeira. A programação contará ainda com a mesa-redonda “Pedagogia em Museus de Ciências: pesquisa, mediação e inclusão na formação de públicos”, reunindo profissionais da área, e com a ação educativa “Memória e Mediação em Museus”. 

De acordo com a técnica em Pedagogia do CCPPA, Alice Sousa, integrar o Dia do Pedagogo à Semana Nacional de Museus é uma forma de reconhecer a educação como pilar estruturante da ação museal contemporânea, especialmente nos museus de ciências. 

“A 24ª Semana Nacional de Museus, ao propor o tema ‘Museus: unindo um mundo dividido’, convida as instituições a refletirem sobre seu papel social, democrático, inclusivo e formativo. Nesse contexto, valorizar a atuação do pedagogo significa evidenciar o profissional que, no cotidiano, transforma o museu em um verdadeiro espaço de mediação, escuta, diálogo, acolhimento e produção compartilhada de sentidos”, destaca.

Conforme Alice, no Centro de Ciências e Planetário do Pará, a presença da Pedagogia “fortalece as ações educativas, a formação de públicos, a acessibilidade das linguagens científicas e a articulação entre conhecimento, cultura e sociedade. Assim, o evento reafirma que o museu não é apenas lugar de exposição e preservação, mas também território educativo, vivo e participativo, comprometido com a formação cidadã e com a democratização do acesso ao conhecimento”.

No sábado, dia 23, haverá a inauguração da exposição “Telescópios da Amazônia: Olhares do Norte para o Cosmos”

Também na quarta-feira, o projeto de extensão “Astrociência: Meninas nas Ciências no Pará” promoverá a oficina “Microscopia: aprendendo a observar o mundo invisível”, voltada às integrantes da iniciativa. De acordo com a técnica em Biologia do CCPPA, Fernanda Barros, durante a atividade, as participantes do projeto poderão observar musgos, insetos e diferentes amostras utilizando microscópios ópticos e estereomicroscópios, além de preparar suas próprias lâminas para investigar possíveis microrganismos presentes nas amostras. Ainda na quarta-feira, 20, a partir das 14h30 até 17h30, ocorrerá visitação pública gratuita, com acesso ao centro de ciências e sessão de cúpula.

Durante a quinta, 21, e sexta-feira, 22, o Planetário receberá estudantes de diferentes escolas para ações educativas que incluem atividades na cúpula de projeções e no Centro de Ciências. Encerrando a programação, no sábado, 23, o público poderá participar de visitação gratuita ao CCPPA, com acesso ao centro de ciências, sessões de cúpula e oficina prática de réplicas fósseis, que será conduzida das 9h às 11h30, pelos integrantes do projeto Paleoexploradores. A oficina será ofertada de forma gratuita e sem a necessidade de inscrição prévia. 

Conforme o diretor do CCPPA, professor José Roberto Silva, é “com muita alegria e satisfação que participamos mais um ano da Semana Nacional de Museus, com uma programação diversificada e integrada com o tema central do evento”. De acordo com o gestor, o evento vai proporcionar ao público presente atividades interativas e lúdicas em ciências e Astronomia. “Ressalto ainda que no sábado o Planetário estará de portas abertas, com uma programação totalmente gratuita, composta por oficina, exposições, sessão de cúpula e acesso ao centro de ciências”. 

O projeto de extensão “Astrociência: Meninas nas Ciências no Pará” promoverá a oficina “Microscopia: aprendendo a observar o mundo invisível”, voltada às integrantes do projeto.

Exposição reúne telescópios e reforça práticas de educação científica

Ainda no sábado, dia 23, haverá a inauguração da exposição “Telescópios da Amazônia: Olhares do Norte para o Cosmos”, na sala de exposições temporárias do CCPPA, que contará com a presença de 12 telescópios, sendo 8 do tipo refletor Newtoniano e 4 Schmidt Cassegrain. Vale destacar que os últimos citados possuem sistema de monitorização, que permitem fazer a observação do céu noturno com maior qualidade. Os equipamentos foram adquiridos por meio do projeto nº 3.103/24 – Incremento de infraestrutura de acervos e coleções da Universidade do Estado do Pará (subprojeto 2 – CPPUEPA), com recurso obtido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O professor da Uepa e coordenador do espaço da Física/Astronomia do CCPPA, Reginaldo Corrêa Junior, é o organizador da exposição. Ele cita que a iniciativa é uma forma de demonstrar “que a Amazônia também olha para o Universo, interpreta o céu e participa da construção da ciência. Como um espaço de educação não formal, o CCPPA também colabora para a divulgação científica no contexto regional”. 

Segundo o docente, com a chegada dos novos telescópios, o Centro de Ciências e Planetário do Pará atualiza o seu acervo de seus instrumentos para práticas observacionais. “Estes telescópios estarão expostos neste primeiro momento a fim de mostrar para a sociedade o novo acervo. Mas, no segundo semestre, passarão a ser utilizados durante as observações do céu noturno promovidos pelo CCPPA”, conclui.