Governo do Pará implementa Plano de Gestão para garantir futuro sustentável da ilha do Combu
Elaborado pelo Ideflor-Bio, o documento define regras de uso dos recursos naturais e estabelece o zoneamento para equilibrar turismo e preservação ambiental
O governo do Pará está prestes a dar mais um passo estratégico para consolidar a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável na ilha do Combu, com a implementação do Plano de Gestão da Área de Proteção Ambiental (APA). Elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), o documento estabelece diretrizes que orientam o uso responsável dos recursos naturais e fortalecem o protagonismo das comunidades tradicionais que vivem na região.
Localizada às margens do rio Guamá, na região insular de Belém, a ilha é reconhecida por suas belezas naturais e pela forte presença de populações ribeirinhas que mantêm práticas tradicionais como a pesca artesanal, o extrativismo e o artesanato. O Plano de Gestão surge como instrumento fundamental para garantir que essas atividades continuem sendo exercidas de forma equilibrada, assegurando renda às famílias e conservação ambiental.
O gerente da Região Administrativa de Belém do Ideflor-Bio, Júlio Meyer, explica que o plano funciona como um guia para todas as ações desenvolvidas na APA. “O Plano de Gestão define o objeto de conservação e faz um regramento desse manejo, a partir do conhecimento e modo de vida tradicional das pessoas que vivem lá, assim como de que forma isso deve ser realizado e quais locais vão receber essas ações”, destacou.
Regramentos - O documento também estabelece o zoneamento da ilha, delimitando áreas específicas para diferentes tipos de uso e disciplinando o manejo dos recursos naturais. A medida oferece maior segurança jurídica para moradores e empreendedores, além de organizar a ocupação do território de maneira sustentável.
De acordo com a analista ambiental do Ideflor-Bio, Márcia Segtowich, o plano define critérios claros para o funcionamento de empreendimentos e para os processos de licenciamento ambiental na APA. “Esse plano estabelece as regras e o zoneamento da ilha, definindo limites para o uso e o manejo dos recursos naturais, assim como define exigências para os processos de licenciamento dos empreendimentos instalados na APA e diretrizes para as ações de sensibilização na Ilha”, afirmou.
Escuta - A participação comunitária é apontada como elemento essencial para o sucesso da implementação. A analista ambiental Kelly Nunes destaca que moradores, empreendedores e visitantes têm papel ativo nesse processo. “Todos podem ajudar com a sensibilização dos usuários e visitantes da Ilha sobre a importância do respeito às suas regras de uso, assim como priorizar os empreendimentos das comunidades tradicionais do Combu, valorizando a cultura e os conhecimentos dos ribeirinhos da APA Ilha do Combu”, reforçou.
Moradora da ilha, a professora Jamille Nascimento acredita que o documento fortalece a identidade cultural local. “Sem dúvida, o ordenamento ambiental é fundamental para a preservação do modo de vida tradicional. E nós acreditamos que esse documento vai fortalecer esse modo de vida, para que os moradores daqui continuem trabalhando como pescadores, extrativistas, artesãos e barqueiros”, pontuou.
Ecoturismo - Outro ponto de destaque é o incentivo ao turismo de base comunitária, considerado uma das principais vocações econômicas da Ilha do Combu. A expectativa é que o ordenamento fortaleça a atividade turística ecológica e responsável, colocando as comunidades como protagonistas e ampliando a geração de renda local.
Para o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, a iniciativa representa um marco para a política ambiental no Estado. “O Plano de Gestão da APA Ilha do Combu consolida o compromisso do governo do Pará com a preservação ambiental aliada ao desenvolvimento social. Estamos garantindo que o crescimento das atividades econômicas ocorra com respeito à cultura ribeirinha e à sustentabilidade dos recursos naturais”, ressalta.
Nilson Pinto acrescenta que a implementação do documento na ilha do Combu consolida-se como referência em conciliar conservação ambiental e valorização das comunidades tradicionais. Segundo ele, a iniciativa reforça o papel estratégico da APA na proteção dos ecossistemas amazônicos e na promoção de um modelo de desenvolvimento que respeita a floresta e as pessoas que dela dependem.

