Quilombolas do Marajó ganham qualidade de vida com o 'Minha Casa, Minha Vida Rural'
Com apoio da Emater, famílias de duas comunidades em Oeiras do Pará recebem o CAF e terão acesso ao programa habitacional mantido pelo governo federal
Com o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) emitido pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) em Oeiras do Pará, município do Arquipélago do Marajó, 160 quilombolas devem requerer, nos próximos meses, recursos do "Minha Casa, Minha Vida Rural" (MCMVR), programa do governo federal destinado à construção de moradias.
Famílias das comunidades Costeira e Nova América, no KM-53 e KM-56, respectivamente, da Rodovia BR-422, receberam o documento em fevereiro, em um mutirão da Emater, em atendimento às demandas da Associação Remanescente das Comunidades Quilombolas de Costeira (Arquico) e Associação Remanescente de Quilombos da Nova América (Arquina). A Prefeitura foi responsável pela logística.
Da sede do município até as comunidades é necessária uma viagem de cerca de duas horas de lancha pelo Rio Anauerá, e mais uma hora e meia de carro.
Melhorias nas residências - A partir do CAF, requisito obrigatório ao acesso a políticas públicas rurais, serão formuladas propostas habitacionais direcionadas à Caixa Econômica Federal (CEF), com o objetivo de substituir as atuais casas de madeira, sem banheiro dentro, por estruturas completas de alvenaria.
O CAF também é necessário para a habilitação continuada ou inicial ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), executado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nos editais de 2026.
Porta aberta - “Hoje, a gente se permite não apenas sonhar, mas concretizar uma vida melhor, na qual nossa mercadoria é valorizada. Temos escoamento e venda, e nossa qualidade de vida é mais digna e mais cidadã. Eu atribuo à Emater e à gestão municipal as informações e os serviços que chegam até nós, porque até dois anos atrás a gente nem sabia que existiam esses direitos pro nosso povo. É uma porta que Deus abriu”, disse Rosimeyre Maciel, 30 anos.
Na Comunidade do Costeira, o arranjo é coletivo para o cultivo de mandioca e hortaliças. Rosimeyre convive e trabalha com os pais, Francidalva Martins, 49 anos, e Raimundo Maciel, 57 anos, juntamente com o núcleo familiar da irmã mais nova, Rosiane Maciel, 27 anos, e seu marido, João Carlos Cavalcante, 52 anos. Há ainda os filhos de Rosiane - Maria Isabelly (10 anos), Carlianey (9 anos), João Carlos (8), Camilly (6) e Ana Caroline (5).
“Somos uma grande família e fazemos tudo unidos. Fazemos de tudo um pouco, plantando e colhendo, sempre nos reinventando, em busca da sobrevivência e de um futuro bom”, disse Rosimeyre.
Para a engenheira agrônoma Lenize Mayane Alves, servidora do escritório local da Emater em Oeiras do Pará, a presença da Emater entre os quilombolas reafirma o compromisso com as tradições e a história amazônica. “São jornadas de atendimento e consagração de direitos históricos. Com a parceria da Prefeitura, conseguimos nos inserir na realidade e satisfazer demandas. As políticas públicas consolidam existência, segurança alimentar e nutricional, e geração de trabalho e renda”, ressaltou Lenize Alves, especialista em Educação no Campo e Agroecologia.
Texto: Aline Miranda - Ascom/Emater
