Ioepa lança edição de "Marajó" e reafirma compromisso de reeditar obra completa de Dalcídio Jurandir
Evento no Theatro Waldemar Henrique reuniu literatura e teatro para celebrar o clássico que retrata as tensões sociais da Ilha do Marajó
Em uma noite de celebração à identidade amazônica, a Imprensa Oficial do Estado (Ioepa) lançou, nesta quarta-feira (28), a sexta edição do romance “Marajó”, de Dalcídio Jurandir. O evento, realizado no histórico Theatro Waldemar Henrique, marca a continuidade do projeto da Editora Pública Dalcídio Jurandir de reeditar o "Ciclo do Extremo Norte", garantindo que a obra do escritor - recentemente declarada Patrimônio Cultural e Imaterial do Pará - alcance novas gerações. A cerimônia contou com a presença do presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Alexandre Santini, reforçando a projeção nacional do autor marajoara e a excelência das publicações da Editora Pública, que já soma mais de 200 títulos em seu catálogo.
A obra é o segundo livro do aclamado Ciclo do Extremo Norte, de Dalcídio Jurandir, a ser lançado pela Ioepa. O primeiro foi “Chove nos Campos de Cachoeira “, durante a Feira do Livro e das Multivozes do ano passado. A Imprensa Oficial do Estado, através de sua Editora Pública Dalcídio Jurandir, já publicou mais de 200 livros de autores paraenses.
Considerado um clássico da literatura amazônica, “Marajó” retrata a vida e as tensões sociais na ilha do Marajó. A narrativa expõe a estrutura social da época, focando nos "senhores" (latifundiários, como o coronel Coutinho) e nos "pobres" (trabalhadores rurais, pescadores, roceiros).
O livro foi autografado pelo professor e escritor Paulo Maués, responsável pela revisão e edição da publicação. “O lançamento desta sexta edição de 'Marajó' representa muito porque expressa nossa história e cultura, e é interessante que ele esteja à disposição para as novas gerações de leitores”, pontua Paulo.
Nascido em Ponta de Pedras, Marajó, em 1909, Dalcídio Jurandir é considerado um dos principais nomes da literatura amazônica. Suas obras retratam o cotidiano, as paisagens e os personagens da região. Entre os títulos mais conhecidos estão “Chove nos Campos de Cachoeira”, “Marajó”, “Três Casas e um Rio” e “Belém do Grão-Pará”.
Em maio do ano passado, a obra do escritor marajoara Dalcídio Jurandir se tornou patrimônio cultural e artístico de natureza imaterial do Pará. A Lei nº 10.967 foi sancionada pelo governador Helder Barbalho e publicada no Diário Oficial do Estado.
Espetáculo teatral e convidado especial
Antes do lançamento de “Marajó”, houve a apresentação do espetáculo teatral “Solo de Marajó”, adaptado do livro de Dalcídio, com Cláudio Barros, direção de Alberto Silva Neto, e criação do Grupo Usina de Teatro. O evento de lançamento contou com um convidado especial: Alexandre Santini, presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, na qual o acervo de Dalcídio Jurandir está sob a guarda, no Rio de Janeiro.
Instituição vinculada ao Ministério da Cultura, a Fundação Casa de Rui Barbosa abriga um importante acervo documental e uma coleção bibliográfica de Dalcídio Jurandir. O acervo inclui cartas, documentos originais e obras dedicadas ao autor. A instituição também realizou homenagens e estudos sobre a obra de Dalcídio, reafirmando sua relevância na literatura brasileira.
“A gente tem um orgulho muito grande de ter a Casa de Rui Barbosa como uma instituição que possui o acervo de Dalcídio Jurandir, junto ao de outros 150 escritores brasileiros num arquivo/museu da literatura brasileira. A Imprensa Oficial do Estado, por meio da Editora Pública Dalcídio Jurandir, fez um trabalho que tem repercutido muito nacionalmente, graças a qualidade dos livros que são produzidos. Espero continuar aprofundando essa parceria para poder contribuir cada vez mais na divulgação da obra de Dalcídio e da literatura amazônica, que é muito ampla”, destaca Alexandre Santini.
“Marajó” é mais uma grande obra da literatura brasileira que a Imprensa Oficial do Estado do Pará lança, marcando o compromisso de reeditar todos os livros do romancista da Amazônia.
“Estamos com os próximos dois livros do Ciclo Extremo Norte: 'Três casas e um rio' e 'Belém do Grão-Pará' contratados, com direitos comprados, e eles devem ser lançados ainda neste primeiro semestre. Os outros seis livros, nós já temos uma carta de intenções assinada entre a Ioepa e a família do escritor, e estamos preparando o contrato para ser assinado em breve. Ainda este ano, deveremos conseguir lançar mais dois ou três desses seis livros para a gente completar os dez livros do Extremo Norte”, revelou o presidente da Imprensa Oficial do Estado, Jorge Panzera.
