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CIÊNCIA E PESQUISA

Pesquisa desenvolve alimentação animal a partir do processamento da mandioca

Com o apoio da Fapespa, estudo cria produtos para alimentação de bovinos e ovinos e avalia os impactos produtivos e econômicos nas propriedades rurais

Por Manuela Oliveira (FAPESPA)
20/01/2026 12h18
Pesquisador, Thiago Carvalho, responsável pelo estudo financiado pela Fapespa e gerenciado pela Fundação Guamá

A raiz nativa, que já ganhou o título de “alimento do século 21”, pela Organização das Nações Unidas (ONU), é a base da pesquisa do projeto “Desenvolvimento de produtos para a alimentação animal a partir da mandioca e seus derivados”. A iniciativa é financiada com recursos do Governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). Na prática, a pesquisa cria e avalia alimentos ensilados e desidratados a partir de derivados da mandioca, utilizando-os como alternativa para alimentação de bovinos e ovinos. 

Com foco na Sustentabilidade e no desenvolvimento socioeconômico da Amazônia, a proposta busca, ainda, reduzir custos na pecuária, oferecendo alternativas de baixo custo aos alimentos convencionais utilizados, como milho e soja.

No total, são seis experimentos, sendo quatro experimentos que se concentram na análise dos processos de conservação dos alimentos (ensilagem e desidratação), verificando a qualidade fermentativa e a composição química; e dois experimentos que avaliam os produtos gerados em ovinos, analisando variáveis como consumo, digestibilidade e desempenhos dos animais.

Deste modo, são desenvolvidos produtos para a alimentação animal a partir de derivados oriundos do cultivo e processamento da mandioca, avaliando os impactos produtivos e econômicos da sua utilização em propriedades rurais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. E ainda, contribui para diminuir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado dos resíduos e para a formação de recursos humanos qualificados nas áreas agrárias.

Professor Thiago Carvalho informa que a proposta quer reduzir custos na pecuária, oferecendo alimentos de baixo custo

Para o doutor, Thiago Carvalho, pesquisador responsável e professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), “o desenvolvimento deste projeto de pesquisa é de grande relevância devido aos seus amplos impactos econômicos, sociais e ambientais. Ele visa promover o desenvolvimento socioeconômico e a diversificação de renda para pequenos produtores de mandioca e farinheiras, agregando valor aos derivados da cultura”.

Resultados – Os resultados iniciais da pesquisa indicaram que a casca de mandioca é mais bem preservada na forma de silagem do que quando exposta, uma prática comum entre produtores. Nesse processo, foi adicionado o componente da torta de dendê, aditivo esse capaz de absorver a umidade e contribuir para redução da deterioração da silagem. 

Em testes com animais, os dados fundamentaram que a silagem de casca de mandioca pode substituir o milho nas dietas, sem perda de desempenho, e, também, resultou no desenvolvimento de um produto já comercializado: a silagem de casca de mandioca com torta de dendê. 

As pesquisas que resultaram em três defesas de mestrado, em 2025, apontaram a expansão das formas de utilização dos derivados da mandioca além da ensilagem. Além disso, demonstraram a boa conservação por desidratação solar dos farelos de folha e casca, que são fontes de proteína e energia, respectivamente, nas dietas animais. 

Outra inovação avaliada foi o enriquecimento proteico da casca de mandioca, um derivado energético. Este processo visa aumentar a concentração proteica da casca por meio da inclusão de ureia e do crescimento de leveduras. E, ainda estão em desenvolvimento, mais duas pesquisas adicionais: uma destaca a qualidade fermentativa e composição química dos derivados em formulações de rações parciais, e a outra visa validar o uso de todos os produtos gerados (farelos e casca enriquecida) em animais.

Tecnologia e Inovação - O projeto mantém parcerias estratégicas com o Museu da Mandioca da Amazônia, localizado na comunidade de Espírito Santo do Itá, Santa Izabel -PA, e com a empresa Bonnagro, responsável pela disseminação dos produtos. 

Em outubro de 2025, o pesquisador, Thiago Carvalho, esteve nos Estados Unidos (EUA) divulgando os resultados do projeto financiado pela Fapespa e gerenciado pela Fundação Guamá.

Foram três apresentações: a primeira apresentação foi para o grupo da professora Tanya Gressley e do doutor Limjn Kung Jr., referências na área de conservação de forragens, na University of Delaware em Newark-DE, onde o pesquisador concluiu seu doutorado sanduíche, de 2013 a 2014.

A segunda apresentação na University of Florida's Institute of Food and Agricultural Sciences (UF/IFAS), Animal Science Building, com o grupo de pesquisa do professor indiano Vyas e sua equipe de pesquisadores de diversos países, como Índia, Paquistão, Estados Unidos, Brasil e outros. Por fim, na University of Florida, em Gainesville-FL e em Marianna-Florida, na University of Florida – North Florida Research and Education Center (NFREC), para o grupo do professor Dubeaux.

O projeto traz inovações tecnológicas, utilizando a escala TRL da NASA, possíveis patentes, cartilhas e outros produtos técnicos e tecnológicos. Ao todo, mais de 25 discentes já foram capacitados com o projeto. Além disso, o projeto já tem impactos econômicos e sociais, além da geração de dados e produtos.

Para o pesquisador, o financiamento da Fapespa “é o que permite transformar a proposta de pesquisa em realidade, fornecendo o capital necessário para a infraestrutura, insumos e recursos humanos dedicados à pesquisa e ao desenvolvimento sustentável na Amazônia”, declarou.

Segundo Marcel Botelho, presidente da Fapespa "o Pará é um dos principais produtores de mandioca do país, e tem um potencial incrível para duplicar e até mesmo triplicar a sua produção. Pesquisas como essa tornam possível essa aplicação da produção por trazer novos mercados para a mandioca, agregando tecnologia, agregando valor e tornando mais rentável essa cadeia produtiva. Estamos falando de uma evolução científica que trará benefícios para todos os produtores paraenses não só na produção da mandioca mas também para aqueles que trabalham com a produção animal de forma intensiva. O governo do estado valoriza a pesquisa pois sabe que esse é o caminho para a sustentabilidade da Amazônia".

Texto de Jeisa Nascimento, estagiária, sob supervisão de Manuela Oliveira