Feira Literária da Socioeducação promove leitura e escrita como instrumentos de transformação social
Jovens da Fasepa, em Belém, participaram da VI edição do evento com produção de contos e encontros com autores paraenses
A Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), promove, entre os dias 27 e 29 de agosto, a VI Feira Literária da Socioeducação, na Unidade de Atendimento Socioeducativo (UASE 1), em Belém. Com o tema “O desafio da prática leitora: A produção de contos em cenários de diferentes bairros de Belém”, a iniciativa reforça a importância da leitura e da escrita como ferramentas de reinserção social de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa.
A feira é resultado de um projeto pedagógico realizado ao longo de julho e agosto com os socioeducandos da unidade, com o objetivo de estimular a formação leitora, a criatividade e a expressão a partir das vivências individuais dos participantes. A ação é coordenada por professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Antônio Carlos Gomes da Costa, vinculada à Seduc, em articulação com a equipe da Fasepa.
Leitura como caminho de liberdade e autoria
Durante as atividades de preparação para a feira, os adolescentes participaram de rodas de leitura com a obra “Movimento Rápido dos Olhos”, do autor paraense Fabrício Ferreira, homenageado desta edição. A leitura coletiva serviu de base para a produção de contos autorais, que estão sendo apresentados ao longo do evento.
“Esse momento oferece aos jovens a oportunidade de despertar para a leitura, a arte e a criatividade, elementos fundamentais no processo socioeducativo e no fortalecimento de novas perspectivas de vida”, afirmou Priscila Barroso, gestora da UASE 1.
A programação incluiu atividades artísticas, oficinas de poesia e rodas de conversa com escritores e poetas da região. Um dos momentos marcantes foi a abertura da feira, conduzida pelo mestre em Educação e Direitos Humanos, Julião Cristo, que interagiu com os jovens por meio de personagens literários e compartilhou experiências de leitura.
“Essa feira é uma ação excelente, pois permite que os adolescentes enxerguem a literatura como uma forma de transformação pessoal e uma ferramenta poderosa no processo socioeducativo”, destacou Julião.
Escrita como ferramenta de escuta e identidade
A especialista em educação, escritora e poeta Suellen Sarmento também esteve presente na feira, promovendo um bate-papo com os socioeducandos. Ela destacou o poder da leitura como instrumento de liberdade e construção de identidade.
“A leitura permite que a pessoa saia da condição em que foi colocada, ela dá voz, liberta e abre caminhos. Esses jovens podem ser o autor da própria história e fazer a diferença”, afirmou.
Outro momento especial foi a participação da artista, compositora e escritora de livros infantis Heliana Barriga, que encantou o público com contação de histórias, apresentações musicais e dramatizações de poesias, promovendo um verdadeiro mergulho na arte e na literatura.
A programação envolveu adolescentes, familiares, professores e servidores da Fasepa, promovendo um ambiente de troca cultural, afeto e valorização do protagonismo juvenil. Durante o evento, foram realizadas doações de livros para o espaço de leitura da unidade, e os autores convidados manifestaram interesse em continuar contribuindo com ações educativas no local.
Encontro com o autor homenageado
O encerramento da feira acontece nesta sexta-feira (29), com a participação especial do autor homenageado Fabrício Ferreira, que estará na unidade para dialogar com os adolescentes, ouvir as impressões sobre sua obra e responder perguntas.
“Achei muito legal conhecer o livro do autor Fabrício Ferreira. Tenho várias dúvidas e curiosidades sobre a história, e vai ser muito bom poder conversar com ele. Queria também agradecer aos professores e ao pessoal da Fasepa por essa oportunidade que estão dando pra gente”, disse um adolescente de 15 anos que participou ativamente do projeto.
A VI Feira Literária da Socioeducação reafirma o compromisso do Governo do Estado com o direito à educação e à cultura, mesmo em contextos de privação de liberdade, promovendo espaços de escuta, criação e transformação.
Texto: Dani Valente (Ascom Fasepa)