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Crianças são as principais afetadas por diarreia aguda, aponta Hospital Abelardo Santos

A vigilância e o trabalho de prevenção do HRAS foram destacados em um simpósio internacional em São Paulo

Por Diego Monteiro (HRAS)
02/04/2025 13h29
Entre janeiro e fevereiro, o HRAS registrou 396 atendimentos de crianças com esse tipo de doença

Nos dois primeiros meses de 2025, o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS) atendeu 691 pacientes com Doenças Diarreicas Agudas (DDA), com predominância (57%) entre crianças de 1 a 4 anos. A causa principal está ligada à fragilidade imunológica normal na infância, exposição à água e alimentos contaminados, falta de higiene das mãos, alta transmissibilidade, entre outros fatores.

Segundo o Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NVE) do HRAS, o acompanhamento integra as ações de controle do rotavírus, um dos maiores responsáveis por gastroenterites aguda na infância. A meta é mapear os genótipos predominantes do vírus, avaliar os resultados da vacinação da população e identificar alterações na propagação da doença e nas cepas circulantes.

Juliane Alencar, coordenadora do NVE, explica que os episódios de DDA são acompanhados semanalmente, com registros detalhados sobre idade dos afetados, sintomas, forma de tratamento e endereço residencial. “Os sintomas mais comuns incluem diarreia, cólicas abdominais, enjoos, vômitos, febre, cansaço e fraqueza. A desidratação surge como o risco mais sério, sobretudo para os menores”, detalha.

“O acompanhamento da doença é essencial, pois permite uma supervisão mais eficiente e auxilia na tomada de decisões que podem salvar vidas. O rotavírus, por exemplo, é extremamente contagioso e se espalha com facilidade por meio do contato fecal-oral, superfícies contaminadas, alimentos e água, sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente”, ressaltou Juliane.

Localizado em Icoaraci, distrito de Belém, o HRAS é referência no atendimento pediátrico em quatro frentes: emergência 24 horas, cirurgias, internação e Unidade de Terapia Intensiva (UTI), além de suporte em Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn). A unidade, maior estrutura de saúde pública do Governo do Estado, dispõe de 10 leitos de UTI e 25 na ala pediátrica.

O monitoramento é essencial para prevenir surtos, novas cepas e vírus, ressalta Juliane Alencar (ao centro)

Reconhecimento - A contribuição do Hospital Abelardo Santos no enfrentamento das DDA’s e no avanço da saúde pública brasileira foi tema no XII Simpósio Internacional de Enfermagem (Sien), realizado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, de 31 de março a 2 de abril. O evento reuniu especialistas nacionais e internacionais para debater práticas integradas às melhores abordagens de cuidado.

Sob o tema “Gestão e Estratégias na Implantação da Unidade Sentinela de Rotavírus no Hospital Regional do Pará”, o painel apresentou a abordagem usada no rastreamento dos casos em uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS), que atende gratuitamente pacientes de todas as faixas etárias. Também foram debatidos os reflexos da doença nas crianças e opções de tratamento.

Brenda Tanielle detalhou, em São Paulo, o modelo de gestão e combate às doenças diarreicas no HRAS

Brenda Tanielle, supervisora do Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP), representou o HRAS no evento na cidade paulista. “A criação de projetos é fundamental para elevar a qualidade e a segurança no atendimento. Por isso, somos destaque no Pará, com estudos e análises que promovem avanços na saúde e no bem-estar da população local, algo rotineiro em nossa instituição”, afirmou.

Gerido pelo Instituto Social Mais Saúde (ISMS), em colaboração com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o hospital funciona como um centro de pesquisas, aprimoramento de técnicas e refinamento de processos, destaca o diretor-técnico Marcel Ramalho. “Nosso objetivo é dar visibilidade a esse trabalho, pois ele nos permite crescer e oferecer o melhor cuidado aos cidadãos”, disse.

Prevenção - Especialistas do Hospital Abelardo Santos alertam que as doenças diarreicas, quando graves e sem tratamento adequado, podem ameaçar a vida, especialmente entre os mais frágeis. Caso uma criança exiba sinais de diarreia intensa ou desidratação - como boca seca, choro sem lágrimas, urina escassa ou sonolência excessiva -, é crucial procurar assistência médica imediatamente.

Vale ressaltar que uma das principais formas de prevenção é a vacinação contra o rotavírus, nos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS), geridos por prefeituras municipais, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS’s). Além disso, recomenda-se:

  • Manter sempre as mãos limpas com água e sabão;
  • Consumir água filtrada ou fervida;
  • Higienizar corretamente frutas, verduras e utensílios;
  • Evitar alimentos mal cozidos ou de origem duvidosa;
  • Proteger alimentos de moscas e insetos.