Ações da Emater contribuem para a sustentabilidade da agricultura familiar na Comunidade Quilombola do Abacatal

Técnicoa.da empresa contribuem para desenvolvimento de alternativas de renda e desenvolvimento sustentável na comunidade em Ananindeua

20/09/2021 09h21 - Atualizada em 20/09/2021 09h56

Há mais de duas décadas a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) acompanha diretamente os agricultores familiares da Comunidade Quilombola do Abacatal, localizada no município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, onde vivem atualmente mais de 500 pessoas em uma área de que preserva uma grande biodiversidade e onde a agricultura familiar é a principal atividade desenvolvida.

Em setembro, em uma visita técnica realizada pela Emater e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), foram feitas imagens inéditas, com o sobrevoo de um drone, que confirmaram que as ações de assistência técnica e extensão rural da Emater na comunidade contribuíram para a preservação ambiental da área, detalha o coordenador do núcleo de tecnologias da Emater, Jamerson Viana.

“O ponto positivo foi que a gente constatou in loco que a Comunidade do Abacatal tem preservado o meio ambiente, o que é muito importante por ser uma área cercada de florestas, bem próxima a Belém. Validamos a cobertura do uso do solo, verificamos que a vegetação nativa estava lá, conforme olhamos nas imagens de satélite e que as áreas consolidadas, que são as usadas para a produção, estavam de acordo com o que a gente fez no levantamento” detalha Jamerson.

O trabalho desenvolvido pela Emater foi realizado ao longo de mais de 20 anos, por meio de ações que resultaram na diminuição da exploração de carvão, e recomposição da vegetação, afirma Wanderley Pereira, chefe do escritório local da Emater em Ananindeua.

“Por meio dos projetos e ações desenvolvidos pela Emater foi possível gerar insumos que possibilitaram a quem trabalhava com carvão, por exemplo, não precisar suprimir uma vegetação nativa, como a implantação de Quintais Produtivos que permitiram a implantação de outras culturas como o fortalecimento de fruticultura”, resume o coordenador.

 

Renda e desenvolvimento 

A universitária Thamiris Teixeira, 25 anos, é moradora do território Quilombola do Abacatal e reconhece que o acompanhamento dado pelos técnicos da empresa contribuiu para alternativas de renda e o desenvolvimento sustentável na comunidade.

“Além de nos dar suporte técnico dentro do território, sempre ressaltou a questão da preservação ambiental. O Quintal Produtivo é uma temática que foi inovadora pra gente, pois eu estou produzindo no meu espaço sem desmatar, sem destruir, e fazendo com que seja rentável, o que é essencial pois são mais de 300 anos de resistência sobrevindo nesse território”, afirma.

 

CAR para Povos e Comunidades Tradicionais 

Com a verificação de que a comunidade do Abacatal está usando suas áreas produtivas de forma sustentável, sem a degradação do meio ambiente, a Emater vai poder também contribuir com outra grande conquista para o território, que é a elaboração do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para Povos e Comunidades Tradicionais ( PCT).

“Essa plataforma específica para o CAR de PCT foi liberada a partir de 2020 para acesso e elaboração de Cadastro Ambiental de territórios quilombolas. O CAR do Abacatal era uma demanda recorrente, chegou a ser emitido anteriormente, mas agora vai ser feito dentro da plataforma ideal e de forma participativa com a comunidade e essa construção vem fortalecer um planejamento maior do território*, concluiu Wanderley Pereira. 

O CAR dos territórios de povos e comunidades tradicionais é o registro público eletrônico das informações ambientais dos territórios que mostra onde existe mata e onde há áreas de uso das comunidades, como roças, plantações e pastos, entre outras.

 O objetivo é identificar se o território está de acordo com as exigências do novo código florestal, contribuir com o planejamento do uso do território e combater o desmatamento, assim como recuperar ou preservar áreas de mata importantes.

Texto: Etienne Andrade/Ascom Emater

Por Luana Laboissiere (SECOM)