Escola Indústria do Chocolate fortalece produção cacaueira em Igarapé-Miri

A ideia é gerar mais conhecimento, agregando valor ao cultivo do fruto

02/03/2021 11h42 - Atualizada em 02/03/2021 13h07
Por Dayane Baía (SECOM)

Maior produtor de cacau do Brasil, o Pará tem investido em capacitação para melhorar ainda mais a qualidade da cadeia produtiva, por meio de iniciativas como a Escola Indústria do Chocolate, que promove geração de conhecimento agregando valor ao cultivo do fruto. Em Igarapé-Miri, na região Tocantins, a produção orgânica em áreas de várzea oferece oportunidades na comercialização de chocolate e licor.

Darlene Pantoja, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais e gestora da unidade no município, acredita que a implantação da Escola em novembro é um ganho para a conquista do reconhecimento do cacau de várzea. “O cacau das ilhas é totalmente orgânico e tem um valor de mercado muito grande. A Escola Indústria nos ajuda aqui nesta produção de chocolate orgânico, para que ela se engrandeça nas nossas áreas de várzea. O cacau selvagem está muito conhecido lá fora e precisa realmente ser diferenciado”, comentou.

O diferencial do cacau desta região é a fertilidade natural do solo de várzea que não demanda a utilização de produtos agroquímicos. Além disso, os chocolates produzidos a partir das amêndoas apresentam características sensoriais próprias em relação às demais regiões do Estado. “A Escola vai melhorar muito para que a produção do cacau orgânico, que já está sendo trabalhada a certificação no Baixo Tocantins, seja trabalhada também a produção de chocolate e doces orgânicos. Isso vai nos proporcionar que várias pequenas propriedades possam fazer seu próprio chocolate, o seu próprio licor, então é uma produção em pequena escala mais de grandes sabores”, acrescentou a presidente.

Ivaldo Santana, coordenador do Programa de Incentivo à Cultura Cacaueira (Procacau), vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), detalha as ações. “O objetivo do projeto é a implantação de seis unidades processadoras de amêndoa seca de pequeno porte para a produção de chocolate, visando, principalmente, alavancar a verticalização da cadeia produtiva do cacau, ampliando seus benefícios socioeconômicos e a comercialização interna das amêndoas de cacau, a partir da utilização de tecnologia alternativa, nas principais regiões produtoras do Estado”, explicou.

A proposta determina cinco unidades fixas e uma móvel. Altamira e Igarapé-Miri foram os primeiros municípios contemplados. Medicilândia, Tomé-Açu e Castanhal serão os próximos beneficiados. O projeto está sendo executado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) com recursos financeiros aprovados pelo Conselho Gestor do Funcacau (Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará) no valor total de R$ 790 mil, sendo R$ 711 mil do Fundo e os R$ 79 mil de contrapartida do Senar.

“A expectativa da população é a melhor possível, na medida em que atenderá os interessados dos municípios de Abaetetuba, Cametá, Mocajuba e Baião, com aptidão para o empreendedorismo e que queiram verticalizar as amêndoas de cacau, produzindo chocolates dos mais variados tipos, agregando valor ao cacau regional”, complementou Ivaldo.

As capacitações têm carga horária de 80 horas e são ministradas pelo cheff executivo de Cozinha Internacional, chocolatier, consultor gastronômico em alimentos e bebidas, Luciano Murakami, coordenador das Escolas Indústrias de Chocolate do Senar. Em Altamira, já foram realizadas duas turmas e a terceira está programada para este mês de março, com a meta de alcançar quase 40 produtores qualificados.

O Senar estabeleceu parcerias com a fábrica de chocolates Cacauway e a Indústria Gencau, que processa as amêndoas para produção de nibis, as sementes de cacau fermentadas, secas, torradas e trituradas. Ambas estão localizadas no município de Medicilândia, na Transamazônica, que individualmente é o maior produtor de cacau do Brasil. Os alunos poderão visitar essas fábricas para aprimoramento do aprendizado.