Escolas do interior criam alternativas de estudo durante suspensão das aulas

Colégios da rede estadual de ensino público em Capanema, Castanhal, São Miguel do Guamá e Santarém, entre outros municípios, adotam práticas pedagógicas que garantem continuidade dos estudos para alunos

05/08/2020 12h13 - Atualizada em 05/08/2020 14h37
Por Leidemar Oliveira (DETRAN)

Em Castanhal, estudantes da Escola Elcione Barbalho vão buscar as apostilas com exercícios e após devolvem para correção As alternativas para minimizar os impactos de quase cinco meses sem aula presencial são muitas na rede estadual de ensino. O movimento Todos em Casa pela Educação, criado pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), vem incentivando a adoção de práticas pedagógicas remotas que garantem uma agenda mínima de estudos. Mas algumas escolas do interior do Pará resolveram tomar iniciativas próprias para alcançar um número maior de alunos com atividades remotas. Um esforço que, apesar de não ser obrigatório e não contar como dia letivo, tem atraído cada vez mais profissionais da educação. 

Na Escola Estadual Maria Mirtes, em Capanema, os 865 alunos do Ensino Fundamental e Médio têm tido acompanhamento dos professores mesmo fora da sala de aula. A equipe prepara conteúdos com atividades de revisão e distribui aos alunos por meio das redes sociais e WhatsApp.

Para quem não tem acesso à internet o material impresso é entregue na escola. "Os professores participantes do projeto estão bastante motivados nas atividades propostas. Quanto aos alunos e pais, com certeza, estão aprovando a iniciativa da escola em procurar atenuar os efeitos da pandemia, ofertando materiais de estudo via rede social ou impressos", afirma o diretor Paulo Freitas.

ATIVIDADES SEMANAIS

No oeste do Pará, em Santarém, a equipe da Escola Estadual Ezeriel Monico de Matos optou por atividades semanais, online e impressas, que busquem melhorar a leitura e a escrita dos alunos. "As atividades chegam até os alunos e depois são recolhidas para correção. Por se tratar de turmas com alunos especiais e outros que enfrentam dificuldades para ler e escrever, optamos por exercícios que reforcem essas duas habilidades", explica o professor Wilk Batista, diretor da escola.

Há professores na Ezeriel que enviam vídeos, de no máximo dois minutos, para os alunos com o gabarito de exercícios e explicação de algum tema. "Confesso que temos professores com profissionalismo acentuado e preocupados com a aprendizagem dos alunos. Sempre estão se manifestando através de trabalhos, diálogos e orientações aos alunos pelo site da escola, facebook e celular. Alguns até mesmo superaram suas dificuldades com a tecnologia para ajudar o maior número de alunos nesse período de pandemia", destaca Wilk.

ADAPTAÇÃO "AO NOVO"

Em Castanhal, na Escola Estadual Elcione Barbalho, os professores se reuniram com a direção e coordenação para definir como as atividades seriam adaptadas fora da sala de aula. As baterias de exercícios foram elaboradas com base no que os alunos já tinham visto na escola antes da pandemia.

Mais de 1.300 alunos recebem o conteúdo em apostilas na escola. As atividades são quinzenais. Os estudantes e familiares são avisados pelo WhatsApp, redes sociais e até pela rádio do bairro. Vão buscar e quando terminam devolvem para correção.

“A parceria da escola com os professores e alunos foi fundamental para que nesse período a gente conseguisse minimizar o prejuízo na educação", define a diretora Cláudia Ferreira.

Antes mesmo da pandemia obrigar a paralisação das aulas, a Escola Estadual Irmã Carla Giussani, em São Miguel do Guamá, já fazia atividades para enviar aos alunos. Quando, as aulas precisaram ser suspensas essas atividades online foram intensificadas, de acordo com a diretora Socorro Veras. "Antes da pandemia, nós (gestão, corpo técnico e professores), já tínhamos criado os grupos de whatsapp com representantes de turma para o repasse de alguns exercícios. Quando tudo precisou parar de fato a gente construiu atividades em PDF, enviamos pelos grupos e também imprimimos para os alunos virem buscar", relata Socorro. 

*Por Caio Condurú (Ascom/Seduc)