Exposição solar prolongada aumenta risco de câncer de pele

Dermatologista oncológica do Hospital Ophir Loyola, Simone Carvalho alerta sobre cuidados redobrados para evitar os efeitos nocivos dos raios solares

09/07/2020 13h13 - Atualizada em 09/07/2020 15h36
Por Lívia Soares (HOL)

É chegada a época mais quente do ano, o verão amazônico. Nesse período, onde a incidência de raios solares aumenta, é preciso ficar atento e redobrar a proteção com o corpo, principalmente para evitar o câncer de pele. A doença corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos no Brasil, o não melanoma é o tipo mais frequente.

Dermatologista oncológica do Hospital Ophir Loyola, Simone Carvalho explica que o câncer de pele é o crescimento desordenado das células, pode surgir em qualquer parte do corpo de forma mais ou menos agressiva.Dermatologista oncológica, Simone Carvalho recomenda cuidados"Acomete principalmente pessoas com mais de 40 anos de fototipos mais claros, que frequentemente se expõem ao sol sem proteção adequada. Pode iniciar com sinais que crescem, mudam de cor e formato ou nódulos que evoluem para ferimento, descamação e não cicatrizam", acrescentou a médica.

De acordo com o tipo de célula afetada, o câncer de pele pode ser dividido em melanomas e carcinomas, também chamados de não melanoma, cada um com características diferentes.

Nos Carcinomas, as áreas mais comuns são as mais expostas ao sol, como pescoço, rosto, orelhas, couro cabeludo e ombros é o mais frequente no Brasil e o menos letal. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), estima-se 176.930 novos casos da doença em 2020 no país, já no Pará esse número corresponde a 1.660 casos.

Morador da Vila de Boa Esperança, no município de São João de Pirabas, Amiraldo Fonseca, de 75 anos, é pai de 13 filhos, dedicou-se à pesca e ao plantio de arroz, mandioca e melancia. Sempre exposto ao sol sem proteção e desenvolveu câncer pele.

O adoecimento do agricultor Amiraldo Fonseca alertou toda família “Acordava muito cedo e ficava até as 11h debaixo de sol. A gente sua pra sobreviver, não tinha preocupação com essas coisas, só em trazer para casa o fruto do suor”, recordou o agricultor familiar.

A doença de Amiraldo Fonseca serviu de alerta para a toda a família, inclusive para a filha Joelsa Fonseca, 33, que passou a acompanhá-lo nas consultas. “Três dos meus irmãos são pescadores, então fizemos uma reunião de orientação sobre medidas preventivas. Todos passaram a usar protetor solar, chapéu e roupas longas durante o exercício da profissão”, contou a filha do trabalhador.

Os médicos afirmam que a pele é o maior órgão do corpo humano e chega a medir até 2m². A pele é responsável por regular a temperatura do corpo e atua como barreira de defesa do organismo contra infecções e agentes externos. A radiação ultravioleta emitida pelo sol é o principal agressor de pele, provoca envelhecimento e pode causar mutações no DNA das células.

Com origem nos melanócitos, células produtoras de melanina - substância que determina a cor da pele - o melanoma é tipo o mais grave de câncer de pele, pois tem altas chances de disseminação para outros órgãos, a chamada metástase. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam 8.450 novos casos de melanoma para este ano de 2020, dentro deste número, 50 ocorrerão entre os paraenses.

“Surge na forma de manchas, pintas ou sinais escuros de bordas irregulares em qualquer parte do corpo e provocam coceira e descamação. Quando detectado em fase inicial, aumenta a possibilidade de resposta positiva ao tratamento”, alerta a dermatologista Simone Carvalho.

Os perigos da exposição ao sol não eram conhecidos por dona Paulina Martins, de 88 anos de idade, também em tratamento contra a enfermidade. Residente do município de Maracanã, região do Salgado paraense, plantava mandioca para a produção de farinha. Esse era o meio de sustento dela e dos filhos.

“Casei aos 15 anos, criar dez filhos não é sopa, trabalhei muito. O trabalho começava às 5h manhã e seguia até às 11h debaixo de um sol escaldante. Não usava sequer um chapéu, a cabeça ficava toda queimada”, recorda a agricultora familiar.

O Hospital Ophir Loyola atende atualmente 147 pacientes com esse tipo de neoplasia maligna, 79 surgiram em 2020. A médica Simone Carvalho relata que o perfil predominante dos pacientes em tratamento no HOL é formado por pessoas que residem na zona rural ou praia, trabalham e expõem-se de modo prolongado à radiação solar e muitas vezes iniciaram essa exposição ainda na infância.

ESPECIALISTA PARA TRATAMENTO

O dermatologista é o especialista que realiza os exames para a detecção da enfermidade.  O diagnóstico é realizado por meio de exames clínicos e laboratoriais das lesões, além da dermatoscopia, exame que possibilita visualizar as estruturas da pele de forma ampliada e a biópsia, retirada de um fragmento para análise com o intuito de confirmar as características de malignidade.

A dermatologista Simone Carvalho enfatiza que o tratamento para o câncer de pele deve ser iniciado o mais breve possível, para aumentar as chances de cura. A especialista ressalta que o tratamento é decidido conforme o tipo e grau da doença. Em lesões mais superficiais são utilizadas medicações quimioterápicas tópicas, ou seja, aplicadas diretamente sobre a pele, em pomada ou creme.

“Utilizamos ainda a crioterapia que é um processo terapêutico baseado no tratamento de lesões pelo resfriamento ou cirurgia para retirada do tumor. Para alguns tipos de tumores como o melanoma é necessário também a realização de quimioterapia", explica a especialista.

MAIS SOBRE CUIDADOS

Para evitar o aparecimento do câncer de pele, deve-se adotar algumas medidas, como evitar a exposição prolongada ao sol, principalmente no período entre 10h e 16h; usar protetor solar com fator de proteção 30, no mínimo; optar por chapéus de abas largas,  óculos escuros e roupas com proteção ultravioleta (UV). Caso alguma alteração na pele seja percebida, recomenda-se procurar um especialista o mais breve possível.