Renais crônicos estão no grupo de mais vulneráveis ao novo coronavírus

Mais de 5 mil pacientes estão no Pará recebendo todo o cuidado e orientação conforme as recomendações da OMS

02/04/2020 14h08 - Atualizada em 02/04/2020 14h37
Por Leila Cruz (HOL)

Uma em cada dez pessoas tem Doença Renal Crônica (DRC) e mais de 120 mil brasileiros fazem tratamento de hemodiálise ou diálise peritoneal, sendo mais de 5 mil no Pará, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia. No atual cenário mundial, seguir as recomendações de prevenção é imprescindível aos portadores de DRC, classificados entre os mais suscetíveis às complicações da Covid-19, conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A doença renal crônica afeta indivíduos de todas as idades e raças, impactando na qualidade de vida dos pacientes, contudo é mais comum naqueles com idade avançada. Isso ocorre pois, além de possuírem baixa imunidade, os enfermos não produzem hormônios como a eritropoietina, responsável por controlar os glóbulos vermelhos, tornando-se anêmicos.

Ilce Menezes, coordenadora da Comissão de Controle à Infecção Hospitalar do Hospital Ophir Loyola, reforça que por não terem o funcionamento normal do organismo, são pacientes de risco para qualquer tipo de infecção. “Os renais crônicos possuem uma série de deficiências hematológicas, somado a isso, o uso de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do órgão transplantado afeta os mecanismos de defesa natural”, informa.

Segundo a infectologista, além de serem orientados conforme as recomendações da OMS, a principal medida preventiva estabelecida no hospital é a setorização. “A separação do atendimento é fundamental para que os pacientes sintomáticos respiratórios não entrem em contato com os assintomáticos. Para que não haja risco, criamos um setor específico destinado a atender os casos suspeitos ou confirmados de Covid-19”, enfatiza.

A coordenadora do Centro de Suporte Renal do HOL, a nefrologista Silvia Cruz, explica que esses pacientes possuem uma imunossupressão relacionada à própria doença, são diabéticos, hipertensos e idosos. “Esse grupo de risco não tem como fazer o isolamento social, já que precisa vir ao setor de diálise três vezes por semana para dar continuidade ao tratamento. ”

Segundo ela, a maioria utiliza transporte público, então são orientados a fazer o uso de máscaras durante todo o trajeto, a higienização das mãos e a limpeza dos aparelhos celulares muito utilizados por eles durante as sessões de diálise que duram cerca de quatro horas cada.

“Os cuidados com a esterilização das máquinas, cadeiras e de todo o ambiente da diálise sempre foram tomados, mas existe uma diligência maior quanto ao uso de equipamentos de proteção individual da equipe assistencial e a preocupação em não deixar os pacientes muito próximos uns dos outros” - nefrologista Silvia Cruz, coordenadora do Centro de Suporte Renal do HOL.

Os pacientes pré-transplantes devem evitar vir ao hospital neste momento. A recomendação é que deixem os exames a fim de que as consultas sejam remarcadas. Já as emergências serão atendidas pela equipe, conforme explica Silvia Cruz.

“Os casos de pós-transplantes têm os primeiros seis meses mais críticos e devem ser acompanhados com uma maior frequência. Aqueles com mais tempo de enxerto passarão por uma triagem médica para estabelecer a periodicidade com que devem comparecer às consultas mediante uma situação de pandemia e com casos confirmados de transmissão comunitária.