Atividades físicas ajudam no tratamento de pacientes do HC

19/02/2020 15h31 - Atualizada em 20/02/2020 12h20
Por Melina Marcelino (HC)

A participação em um programa regular de exercícios contribui para a reabilitação psicossocial de pacientes atendidos na Psiquiatria da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV). A ação é coordenada por uma equipe multiprofissional, que inclui terapeuta ocupacional, educador físico e auxiliar de reabilitação. Os resultados positivos já foram apresentados em dois eventos científicos, um deles fora do Brasil. 

Mais de uma década atrás, as atividades físicas com os paciente aconteciam, de forma esporádica, no salão principal do setor, onde eram feitas em grupo, na maior parte das vezes. A partir de 2012, com a chegada do educador físico no horário da manhã, houve o início da sistematização das saídas para exercício fora do local original, de uma a duas vezes por semana, com o trabalho sendo feito primeiro com pacientes da Emergência, depois com os do Serviço de Internação Breve (SIB).  

Segundo o terapeuta ocupacional Márcio Andrade, que integra a equipe que realiza o trabalho com os pacientes, “o objetivo é proporcionar um momento que minimize o estresse deles, porque os pacientes ficam muito ansiosos por estar num ambiente fechado. Lá fora eles se tranquilizam mais, conseguem colocar para fora aquela energia acumulada”. O resultado disso, explica Márcio, é que “a gente percebe quando eles voltam mais calmos, mais tranquilos, alguns até deitam, e consegue dormir”.

No espaço destinado aos exercícios, agora denominado pela equipe de Área Terapêutica de Desporto e Lazer, há um campo de futebol e uma quadra de basquete, além de espaço, com banheiros e chuveiros, com estrutura para a realização de churrascos e lanches, durante eventos programados para os pacientes.

Diariamente, cerca de 30 a 40 pacientes participam de uma atividade inicial que dura de 10 a 15 minutos, onde a equipe procura fazer com que o maior número possível deles participem. Depois desse momento, grupos separados participam de atividades como dança, desenho, ou ainda uma partida de futebol, vôlei ou basquete. “A dificuldade com o paciente psiquiátrico é que ele não tem uma tolerância muito grande, a gente não pode pensar em fazer uma atividade com um período muito longo, porque ele não vai aderir. Então procuramos inserir o maior número de pacientes no primeiro momento, para depois os deixarmos mais livres, até para só caminhar, por que tudo isso é atividade física”, explica Rosivan Souza, educador físico.

Para fazer parte do grupo que participa dos exercícios físicos, cada paciente passa por uma avaliação da equipe terapêutica. Os pacientes mais ansiosos, especialmente aqueles em tratamento por uso de drogas, em abstinência, cujo perfil indique risco de fuga, trabalham dentro da área interna, até que estejam aptos para se integrar ao grupo que participa das atividades físicas.

Reconhecimento – O trabalho realizado pela equipe terapêutica da psiquiatria já obteve reconhecimento entre a comunidade acadêmica. O residente de Educação Física, Rômulo Santos, que integra a equipe, publicou dois trabalhos relatando as experiências exitosas na recuperação de pacientes psiquiátricos através da prática de exercícios. Um dos eventos foi o Congresso Internacional de Educação Física, que contou com a participação de profissionais da Argentina e Paraguaia. O outro foi durante Congresso Amazônico de Saúde Mental.

O caso apresentado foi de uma paciente, de 65 anos, que estava há cerca de 2 anos internada, passando boa parte do tempo sem sair do leito. Ela sofria de diabetes, apresentando também colesterol alto. Diante desse quadro, a equipe terapêutica passou a trabalhar com a idosa fazendo exercícios assistidos de musculação, a princípio na própria cama da paciente, três vezes por semana. Foi feita, ainda, uma avaliação bioquímica, além da física, nesse caso para se ter uma visão do real estado da paciente.

Após três meses, os resultados começaram a surgir. A idosa pode levantar da cama e começar a caminhar, passando, inclusive a fazer a própria higiene pessoal. Os índices de glicose e colesterol também regrediram, havendo ainda o aumento da massa muscular. 

A recuperação veio acompanhada de outro êxito. Após vários anos de busca, a família da paciente foi encontrada. No início de fevereiro deste ano, ela recebeu alta e retornou ao ambiente familiar, fazendo agora acompanhamento ambulatorial.