Semas alerta que chuvas devem se intensificar no Pará até o mês de março

O chamado "inverno amazônico" deve registrar aumento de chuvas na Região Metropolitana de Belém, no sudoeste do Estado e Arquipélago do Marajó

02/01/2020 19h24 - Atualizada em 03/01/2020 10h55
Por Carol Menezes (SECOM)

Os paraenses vão precisar de sombrinhas e muita paciência para enfrentar as chuvas intensasPor conta do "inverno amazônico", período de maior intensidade de chuvas na região, o paraense deve enfrentar mais um mês de janeiro de tempo predominantemente nublado e com muita chuva, que podem, inclusive, ser diárias até o fim do primeiro trimestre de 2020. De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e a Defesa Civil do Estado, ligada ao Corpo de Bombeiros Militar do Pará, municípios da Região Metropolitana de Belém, do sudoeste e do Arquipélago do Marajó podem receber cerca de 400 milímetros de chuvas até março, quando devem ser registrados os maiores volumes de precipitação pluviométrica.

A denominação regional inverno amazônico tenta, na verdade, explicar o que ocorre principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, já que é verão nesta época do ano na maior parte do hemisfério sul. Esse fenômeno que aumenta, consideravelmente, tanto o calor quanto o índice pluviométrico, pode ser explicado pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e por sistemas meteorológicos de escalas menores, linhas de instabilidade e sistemas de brisas.

"Já começou. Estamos realmente vivendo o 'inverno amazônico', e o perigo é que estamos no meio do verão. Só que por conta da ZCIT, direta ou indiretamente, temos esses índices de chuva acima de 300 mm e o clima mais quente, abafado, daí esse nome", informa o meteorologista Frank Baima, da Diretoria de Meteorologia, Hidrologia e Mudanças Climáticas e do Centro Integrado de Monitoramento Ambiental (Cimam), da Semas. Ele complementa que, no sul do Pará, os altos índices já estão relacionados à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), passagem de ramos de sistemas frontais e/ou frente frias.

Tempo fechado - O especialista não acredita que haverá um turno mais chuvoso que outro. "Varia. Vai depender muito. Entre setembro e novembro tínhamos o amanhecer nublado e a tarde com pancadas de chuva. Em dezembro ocorre a transição do período de menos chuvas para o período de mais chuvas. E em janeiro temos o deslocamento gradativo da ZCIT para o hemisfério sul, juntamente com a circulação atmosférica, que proporciona um tempo nublado e encoberto ao longo do mês. A tendência é até mesmo de chuvas contínuas, de característica torrencial, ou em vários momentos do dia, não muito diferente do mesmo período no ano passado", detalha Frank Baima.

Embora o primeiro trimestre seja o momento mais crítico, o meteorologista confirma que o monitoramento é feito o ano inteiro, de forma contínua, incluindo a relação do quantitativo de chuvas acumuladas nas bacias dos rios, a fim de antecipar e prevenir a possibilidade de transbordo. "Diferente do ano passado, Marabá (no sudeste paraense) não deve bater a cota de alerta, que é de 10 metros de altura, porque a quantidade de chuvas será menor na região este ano. Ao contrário de localidades como Oriximiná, Santarém e Óbidos, que nos preocupam por causa da influência do Rio Amazonas, que tem recebido muitas chuvas", antecipa o meteorologista.

Monitoramento - Assim como a Semas, a Defesa Civil segue em alerta, no apoio e monitoramento do clima, com agentes capacitados para atuar em qualquer situação de desastre. A articulação com quase todas as secretarias de governo garante atendimento rápido em casos de calamidade pública. Em áreas de relevo acidentado, como a região do Baixo Amazonas (no oeste) e de Carajás (sudeste), a atenção é redobrada.

O major BM Bruno Freitas informa sobre as ações que a Defesa Civil já realizada em Monte Alegre

"Estamos, inclusive, em atuação no município de Monte Alegre, onde houve uma situação de enxurrada no final do ano, um tipo de ocorrência comum naquela área nessa época", confirma o major Bruno Freitas, chefe da Divisão de Operações do Corpo de Bombeiros Militar.

Pelo serviço Alerta SMS - ao qual é possível se cadastrar pelo celular via mensagem de texto para o número 40199, informando o número do CEP-, as pessoas podem receber informações atualizadas da Defesa Civil sobre a possibilidade de chuvas fortes, alagamentos e outras situações de risco. O sistema, criado há apenas um ano, já possui mais de 80 mil CEPs cadastrados em todo o Pará. Quando ocorre alagamento, quem está em casa deve fazer o possível para não precisar sair, e assim evitar o contato com fios elétricos, buracos e outros riscos de acidentes.

"Moradores de áreas suscetíveis devem sempre estar preparados para acionar a Defesa Civil, pelo número 193, e demais órgãos de segurança. Como a junção de maré alta e chuva forte pode ser um agravante, é importante que se tenha ainda mais zelo com o despejo do lixo, evitando jogar em canais, da mesma forma que o poder público precisa tornar mais eficiente o recolhimento e a limpeza", ressalta o major Bruno Freitas.