Ater Pública pode reduzir o desperdício de alimentos no Brasil

06/12/2019 14h02 - Atualizada em 06/12/2019 15h09
Por Rodrigo Reis (EMATER)

Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), publicados em 2019, comprovam que América Latina e Caribe juntos são responsáveis pelo desperdício de 20% da quantidade total de alimentos produzidos no mundo inteiro. O desperdício vai desde a pós-colheita até o varejo. No Brasil, a assistência técnica e extensão rural pode ser a solução contra o desperdício.

Nesse contexto, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) trabalha para reverter esse quadro. Segundo Rosival Possidônio, diretor técnico da Emater, a empresa foca na gestão das organizações sociais: “Isso é trabalhar todo o processo da cadeia produtiva no sentido de orientar o produtor sobre o que plantar para não ter excesso de produção e também proporcionar melhoria no acondicionamento dos produtos”.

Segundo Possidônio, o agricultor tem que trabalhar a produção baseada na demanda, já que se produz muito na safra e, quando chega o período de entressafra - época de menor oferta, não tem produção suficiente. “Então, o ideal é verticalizar os produtos que sobram na safra para trabalhar na entressafra. Por exemplo, se produz muito caju, pode fazer compota para ofertar no período de menor demanda”.

Segundo o relatório da FAO, as principais causas de perdas nas propriedades rurais incluem a colheita no momento errado, as más condições climáticas, as práticas incorretas de colheita e de manejo e os desafios na comercialização de produtos.

Para o presidente da Associação Brasileira das Entidades Estatuais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), Nivaldo Magalhães, investir na Ater Pública é fundamental para o desenvolvimento sustentável da produção agropecuária, da segurança alimentar e do crescimento econômico do país.

 “A Ater Pública é de fundamental importância para o desenvolvimento do meio rural. Além de prestar assistência a quem abastece a mesa do brasileiro, que é o pequeno produtor e o agricultor familiar, a Ater Pública está sempre buscando novas técnicas de produção que facilite o trabalho do produtor e sempre pensando na sustentabilidade ambiental”.

Compostagem - Um projeto da Emater, elaborado para a Ceasa, pode ajudar a mudar esse quadro de desperdício de alimentos. Quando pronto, o projeto vai destinar com qualidade e responsabilidade ambiental cerca de 480 toneladas de resíduos gerados pela empresa mensalmente. Um dos objetivos é gerar composto orgânico com potencial agronômico para ajudar a fomentar atividades da agricultura familiar. Mas, antes de virar adubo, todos os alimentos que chegarem a Ceasa deverão passar por um laboratório de triagem para identificar quais ainda podem ser reaproveitados.

“A triagem vai possibilitar que muitos alimentos sejam reaproveitados, com isso a taxa de desperdício de alimentos vai diminuir muito”, finaliza Possidônio.

Extensão Rural – Hoje, 6 de dezembro, é comemorado os 71 anos de extensão rural no Brasil e o dia nacional do extensionista rural. A data foi instituída pelo governo, em 1948, e tem como marco a criação da primeira empresa pública de Ater do país, a Associação de Crédito e Assistência Rural (Acar), hoje Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), que se tornou a maior empresa do setor da América Latina.

Segundo a Asbraer, o Brasil tem, atualmente, cerca de 20 mil extensionistas rurais que atuam como agentes de desenvolvimento sustentável em todas as unidades da Federação. No Pará, 64% dos funcionários da Emater são extensionistas rurais.