O Hospital de Clínicas alerta que dormir mal pode afetar o coração, rins e saúde mental
Especialistas do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém, explicam que o sono desempenha um papel fundamental no equilíbrio do corpo e deve ser visto como parte importante do cuidado com a saúde
No Dia Mundial do Sono, lembrado nesta sexta-feira (13), especialistas reforçam a importância de cuidar da qualidade do descanso para a saúde física e mental. O sono é um processo essencial para a recuperação do organismo, a regulação hormonal e o equilíbrio das funções do corpo. Quando não ocorre de forma adequada, pode afetar diversos sistemas, incluindo o cardiovascular, o renal e a saúde mental.
Estudos indicam que o ser humano passa cerca de um terço da vida dormindo. Durante esse período, o organismo realiza processos importantes de recuperação e manutenção do funcionamento do corpo. No entanto, noites mal dormidas ou a privação frequente do sono podem trazer consequências significativas para a saúde.
Impactos no coração
De acordo com o cardiologista Vitor de Holanda, dormir mal interfere diretamente no funcionamento do sistema cardiovascular. “O nosso corpo tem uma programação natural para a pressão arterial variar ao longo das 24 horas. Durante o sono, o organismo relaxa e hormônios ajudam a reduzir a pressão e a frequência cardíaca”, explica.
Quando esse processo é interrompido por noites mal dormidas ou insônia, o organismo sofre maior desgaste. “A falta de sono impede essa redução natural da pressão e pode levar ao aumento da pressão arterial ao longo do tempo”, afirma o médico.
Segundo ele, esse fator pode contribuir para o surgimento de problemas graves. “A pressão alta é uma das doenças crônicas mais comuns no mundo e está diretamente ligada a complicações como infarto e acidente vascular cerebral”, destaca.
Em geral, recomenda-se que adultos durmam entre seis e oito horas por noite. No entanto, o especialista ressalta que a qualidade do sono também é fundamental. Distúrbios como a apneia do sono, por exemplo, aumentam o risco de hipertensão, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Relação com a saúde dos rins
A qualidade do sono também pode influenciar diretamente a saúde renal. A médica nefrologista Salomé dos Santos explica que distúrbios do sono estão associados ao agravamento de doenças renais. “Estudos mostram que problemas como a apneia obstrutiva do sono podem aumentar o risco de progressão das doenças renais, principalmente por influenciarem no aumento da pressão arterial”, afirma.
Além disso, a privação de sono pode provocar processos inflamatórios no organismo. “A falta de sono pode aumentar a inflamação e o estresse oxidativo, fatores que contribuem para a progressão da doença renal crônica”, explica.
Segundo a especialista, pacientes com doença renal frequentemente relatam dificuldades para dormir. “O acúmulo de toxinas no sangue pode interferir na qualidade do sono. Estudos indicam que até 80% dos pacientes com doença renal crônica apresentam problemas como insônia ou apneia do sono”, acrescenta.
Consequências para a saúde mental
Os impactos da falta de sono também atingem diretamente a saúde mental. A psicóloga Rosangela Abufaiad explica que noites mal dormidas podem afetar o comportamento e o bem-estar emocional. “A falta de sono afeta diretamente o cotidiano das pessoas. Uma noite mal dormida pode gerar irritabilidade, ansiedade, inquietação e dificuldade de concentração”, afirma.
Quando esse quadro se torna frequente, os efeitos podem se agravar. “Com o tempo, a privação de sono pode contribuir para o aumento de transtornos como ansiedade, depressão e estresse”, explica a especialista.
Segundo ela, hábitos simples podem ajudar a melhorar a qualidade do descanso, como a prática de atividades físicas, momentos de lazer e a redução do estresse no dia a dia. No entanto, quando a insônia se torna persistente, o ideal é buscar ajuda profissional para investigar as causas.
Sono como parte do cuidado com a saúde
Para os especialistas, cuidar do sono deve ser encarado como uma parte essencial da saúde. Alterações persistentes no padrão de descanso podem ser um sinal de alerta e devem ser avaliadas por profissionais de saúde.
Dormir bem, além de melhorar a disposição e o bem-estar, também ajuda a proteger o coração, preservar a função dos rins e manter o equilíbrio da saúde mental.
Texto: Jonas Vila (Ascom HC)

