Referência em saúde neonatal, Santa Casa garante assistência adequada aos bebês prematuros

Hospital celebra dia mundial da prematuridade e reforça a importância do acompanhamento pré-natal

17/11/2019 17h45 - Atualizada em 17/11/2019 19h37
Por Etiene Andrade (SANTA CASA)

Por mês, 240 bebês são atendidos na unidade neonatal da Santa Casa, em BelémO dia mundial da prematuridade é celebrado neste domingo, 17 de novembro, data criada para chamar atenção de um problema que atinge milhões de crianças ao redor do mundo. Todo parto realizado com menos de 37 semanas de gestação é considerado prematuro.

A Santa Casa do Pará é o hospital referência no Estado para atendimento de alto risco neonatal. São atendidos em média, por mês, 240 bebês em sua unidade neonatal. Cerca de 30% deles são prematuros e de baixo peso.

Para garantir a assistência de excelência, o hospital investe na capacitação da sua equipe multiprofissional em técnicas cientificamente comprovadas que garantam a esses bebês o menor tempo possível de internação, se cumprindo todos os protocolos de atendimento necessários, de forma humanizada e segura para a melhor evolução dos pequenos pacientes.

De acordo com a médica neonatologista Vilma Hutim, além de zelar pela saúde dos bebês, a Santa Casa orienta as famílias dos prematuros sobre como cuidar da criança após o período de internação. “Na alta, nós fazemos treinamento, orientando pai e mãe sobre como deitar o bebê, posicionar corretamente para mamar, e como dar as vitaminas e medicamentos em casa”, explica.

Até alcançar os 2,5 quilos, a criança continua sendo acompanhada ambulatorialmente para ter a certeza que está recebendo todos os cuidados necessários em casa.

Profissionais capacitados se dedicam diariamente aos cuidados de bebês prematuros e orientação aos pais"Nós temos um time de tutores, além dos profissionais capacitados, que nos faze referência estadual na atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso e prematuro. Para este tipo de atendimento, diversos setores do hospital estão integrados, como o Banco de Leite Humano, Bombeiros da Vida, pediatria, neonatologia e residentes, que cuidam das crianças e alertam no dia a dia os danos que podem causar a prematuridade”, afirma a médica.

O mês de novembro foi escolhido como Novembro Roxo para reforçar as campanhas de prevenção à prematuridade, considerando que essa é a primeira causa de morte no mundo e responsável por vários problemas de saúde no desenvolvimento de uma criança. “Essa prevenção deve começar desde o pré-natal. Quando uma gestante não faz uma classificação do risco, e não identifica possíveis problemas, como pressão alta, diabetes e infecção na gravidez, pode desencadear um parto pré-maturo, caso não seja tratada”, destaca Vilma.

Maria Valdenice, moradora de Paragominas, no sudeste paraense, teve sua filha Yasmim Travassos prematura de oito meses na maternidade da Santa Casa. Ela relata que, desde os seis meses de gravidez, enfrentou problemas na gestação. “Estou há 20 dias aqui no hospital com ela e agora que começou a ganhar peso, após esse cuidado especial. São muitas pessoas cuidando da gente e meu sentimento é de felicidade por não ter perdido minha filha”, conta a mãe.

Tainara, mãe de Tainã. Filha nasceu prematura, passou mais de 30 dias internada e recebeu alta na última quinta-feira (14)Tainara da Silva Lima, que mora em Marabá, também no sudeste do Estado, recebeu a boa notícia de alta de sua filha Scarlet Tainã, na quinta-feira (14), após 34 dias de internação na Santa Casa. “Cuidar na gestação é importante. Quando o filho nasce prematuro tem uma série de situações que complicam, como a dificuldade em respirar, como foi o caso de minha filha, que teve que ir para a UTI, depois UCI e agora aqui na enfermaria do Canguru, com a felicidade de levar minha bebê para minha cidade”, diz, emocionada, Tainara.

Desafios e importância da amamentação

O ganho de peso adequado é essencial para a saúde e a alta do bebê prematuro. Como hospital “Amigo da Criança”, a Santa Casa atua no sentido de promover, apoiar e incentivar o aleitamento materno. A nutricionista e assessora técnica do Banco de Leite do hospital, Vanda Marvão, reforça que a primeira escolha para alimentar o prematuro sempre é o leite da mãe. “Nós temos que incentivá-la a fazer a estimulação precoce das mamas pelo menos seis vezes ao dia, conforme recomenda o Ministério de Saúde, para que ela consiga manter a lactação necessária para alimentar seu bebê”.

Na ausência do leite da mãe, pela distância ou por ela não produzir a quantidade suficiente, entra o trabalho do Banco de Leite, que fornece o leite através da doação de outras mães voluntárias. O projeto conta com o apoio essencial dos Bombeiros da Vida, que vão até a casa das voluntárias para fazer a coleta.

Programação – De 18 a 22 de novembro, em alusão ao Novembro Roxo, que conscientiza sobre a prematuridade, o Banco de Leite Humano vai realizar rodas de conversa sobre diversos assuntos relacionados ao tema, voltados aos profissionais que atuam na instituição e às mães atendidas pela Santa Casa do Pará. Entre os tópicos abordados estão a importância do método Canguru, prescrição da colostroterapia, ordenha beira leito e pega adequada do bebê.

Dados – De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), anualmente em todo o mundo, cerca de 30 milhões de bebês nascem prematuros ou com baixo peso ou adoecem logo nos primeiros dias de vida.

Um estudo divulgado pela OMS mostrou que 15 milhões de bebês nascem antes do tempo por ano no mundo. Mais de 1 milhão deles morrem dias após o parto. A prematuridade é a segunda causa de morte de crianças com menos de 5 anos de idade, ficando atrás somente da pneumonia. O Brasil e os Estados Unidos estão entre os 10 países com os maiores números de partos prematuros. O Brasil aparece em décimo lugar, com 279 mil por ano (antes de 37 semanas de gestação). A taxa brasileira é 9,2% dos bebês prematuros, igual à da Alemanha e inferior aos Estados Unidos, que chega a 12%.