Pesquisadores incentivam uso de evidências científicas em serviços de saúde

15/02/2015 11h55

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos revelam que 50% das recomendações médicas não têm qualquer comprovação científica. Tais dados e outras constatações sobre as realidades dos serviços de saúde pelo mundo têm impulsionado profissionais e pesquisadores, no Brasil, a se debruçarem sobre a criação de estratégias e metodologias nas quais as evidências científicas são as norteadoras da atuação dos profissionais da saúde, entre médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e outros.

No Pará, o Laboratório de Medicina Baseada em Evidências (LMBE) da Universidade do Estado do Pará (Uepa) desenvolve projetos que incentivam a consulta a pesquisas científicas com o intuito de garantir a segurança do serviço e promover a produção de conhecimento nas mais distintas áreas da saúde. O LMBE têm atuado na produção de conhecimento científico e de projetos, que incluem acadêmicos de graduação e pós-graduação, na tentativa de reduzir a incidência de erros nas decisões em saúde.

Uma das ações, vinculada ao projeto Diretrizes Baseadas em Evidências no Centro de Saúde Escola-Marco, iniciada em setembro de 2014, é desenvolvida junto ao Núcleo de Desenvolvimento em Tecnologia Assistiva e Acessibilidade da Uepa (Nedeta). A ação consiste em um acompanhamento dos profissionais do Núcleo por estudantes de medicina, que auxiliam, com o suporte do banco de pesquisa disponível no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no atendimento dos usuários.

Em termos mais específicos, os acadêmicos ajudam na resolução de dúvidas de conduta dos integrantes do Nedeta e, conjuntamente, buscam a decisão mais eficiente, baseados nas melhores evidências científicas.

Entre os objetivos da ação está a sensibilização e a adesão de profissionais da saúde a práticas profissionais comprovadas cientificamente e a ampliação do acesso a conhecimentos e tecnologias relacionados à medicina baseada em evidência.

O coordenador do Laboratório, professor Regis Andriolo, destaca a relação entre a ciência e a decisão em saúde. Para o pesquisador, “um dos maiores desafios para a resolução de erros de decisões em oksaúde consiste na educação em saúde para o uso e geração de informações confiáveis, que independem do nível acadêmico, da área de atuação ou da especialidade do profissional”.

Para o estudante do 10º semestre do curso de medicina e integrante do Laboratório, Erickson Gutierrez, a ação contribui para sua formação em dois âmbitos: agregando experiências e padrões de conduta eficazes, que resultarão em artigos e produção de conhecimento e, futuramente, na sua atuação profissional.

“Estou trabalhando com a pesquisa mais rigorosa em saúde e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Eu aprendi condutas baseadas em evidências e que muitas não têm comprovação. Certamente, a minha prática futura da medicina seguirá essa linha e isso me manterá sempre atualizado. Esse talvez seja o aspecto mais importante”, afirma.

Entre as outras ações do Laboratório está a oferta contínua de um curso de curta duração aos profissionais do Centro de Saúde Escola, que registra aumento cada vez maior de participantes, orientação dos alunos em parceria com outros laboratórios e a própria produção científica, que recebe apoio de órgãos de fomento, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Do ponto de vista social, as recomendações em saúde ineficazes ressoam no uso indevido de recursos públicos, humanos e financeiros e no afastamento do cidadão do seu direito à saúde de qualidade.

A intenção, portanto, é que os profissionais-interlocutores do projeto lancem mão de metodologias fornecidas pelo Laboratório e, paulatinamente, ajam de modo independente e frequente. “A adesão dos profissionais têm contribuído para a composição de características fundamentais no processo de transferência de conhecimento acadêmico para a prática clínica, e vice-versa, por um sistema gestor mais racional e eficiente, sempre objetivando a melhoria dos desfechos clínicos e econômicos do serviço de saúde”, ressalta Andriolo.

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), o Ministério Público Federal no Pará (MPF-PA) e o Sindicato dos Médicos do Pará (Sindimepa) reconheceram a iniciativa do Projeto como um modelo a ser estendido a todos os serviços de assistência à saúde vinculados à Sespa.

O Laboratório de Medicina Baseada em Evidências da Uepa foi criado em 2011 e reúne estudantes da Uepa e de outras instituições, como a Universidade Federal do Pará (UFPA), e de cursos de Pós-Graduação, a exemplo do mestrado em Ensino e Saúde na Amazônia e do mestrado e do doutorado em Biologia Parasitária.

Por Redação - Agência PA (SECOM)