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Investimentos duplicarão capacidade de água tratada no Pará

Por Redação - Agência PA (SECOM)
23/03/2015 09h37

Após oito anos carregando diariamente baldes de água para suprir as necessidades básicas da esposa e dos dois filhos, o pedreiro Roberto Oliveira, de 37 anos, finalmente pode desfrutar de uma nova rotina, bem mais saudável. Ao invés de gastar boa parte da noite empenhado no transporte da água, agora, ao chegar na sua casa, no bairro do Tenoné, o pedreiro reserva tempo para o descanso e para a família. “Não tem nada melhor do que chegar do trabalho e poder tomar um bom banho de chuveiro e depois sentar para assistir televisão ou jantar com meus filhos”, comenta.

Roberto conta, ainda, que a nova rotina teve início há uma semana, quando a passagem onde mora – a Nova Esperança – passou a receber água tratada da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa). No início, logo que se mudou para a área, o pedreiro recorda que chegou a fazer ligações clandestinas junto com os vizinhos para receber água, mas que as tubulações não suportavam a demanda. “Chegamos a colocar tubos de 20 e 25 (de diâmetro), mas a água dava um dia e passava semanas sem dar. Aí depois de alguns anos, decidimos levar a tubulação até a esquina da rua e nos denunciaram”.

Mesmo sem saber, foi aí que começou a nova vida dos moradores da área. Após a denúncia, Roberto conta que passou a ter mais contato com a operadora e que as ligações clandestinas começaram a ser trocadas pela própria Cosanpa. Agora, os moradores pagarão taxas, até que os relógios sejam instalados. “Nesse tempo, a gente aprendeu muito sobre a importância da água, a dar valor mesmo. Tinha tudo para dar errado, mas graças a Deus deu certo. Hoje, sem dúvida, melhorou 100%, não só para mim, mas para todo mundo daqui” diz.

No Pará, a história de Roberto e de seus vizinhos da passagem Nova Esperança ainda é mais comum do que se pode imaginar. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2013, divulgada em setembro e corrigida logo após reconhecimento de erro do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 50% dos municípios não são abastecidos com rede de água. Apesar de controversa, por não condizer efetivamente com a realidade dos municípios paraenses, uma vez que os dados são fruto de coletas ou de outras fontes que servem de subsídios para o relatório, a pesquisa é o ponto de partida para as ações do Governo do Estado.

Atualmente, dos 144 municípios paraenses, a Cosanpa detém a concessão para operar a rede de 56 deles, que abrangem mais de quatro milhões de pessoas ou cerca de 70% da população paraense. Os dados da Companhia apontam que em Belém, por exemplo, cerca de 25% da população ainda não dispõe de acesso à rede de abastecimento de água. E no interior, onde a cultura do poço é muito presente, mesmo nos municípios em que existe a rede e a operação do sistema de abastecimento, o acesso à água tradada ainda é menor, abrangendo cerca de 65% da população.

Para a titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Obras Públicas (Sedop), Noêmia Jacob, mesmo que desafiador, o cenário tem tudo para ser bem mais positivo nos próximos anos. Segundo ela, a meta é fazer com que Belém chegue a cerca de 85% de cobertura, a um passo de alcançar a meta universal, que é 90%. No interior, o objetivo também é audacioso: aumentar de 15% a 20%. Para isso, até dezembro do ano passado, mais de R$ 1 bi em obras já havia sido contratados pelo governo estadual. E em fevereiro, mais R$ 400 milhões foram assegurados junto à Caixa Econômica Federal.

Qualidade

Noêmia destaca, ainda, que o grande foco dos investimentos é aumentar a qualidade da água produzida no Estado. “Na prática eles significam novas Estações de Tratamento, que melhorem não só a produção e a captação, mas também ampliam a capacidade de água a ser distribuída. Hoje, todos os municípios paraenses têm sistemas de abastecimento, mesmo que operados pela própria prefeitura. Por isso, o que estamos fazendo é melhorar a qualidade desses sistemas, desde a desinfecção e filtragem até a distribuição”, destaca.

Ao todo, são 108 obras contratadas em 73 municípios para a implantação ou melhoria do abastecimento de água. Destas, 19 já estão concluídas em 19 municípios. Outras 62 estão em execução e 27 estão em fase de finalização de projetos e licitação. Com elas, num primeiro momento, cerca de 120 mil novas ligações deverão ser realizadas em todas as regiões do Estado. Entretanto, Noêmia destaca que, além do que está previsto nos projetos, os próprios operadores dos sistemas terão suporte para praticamente dobrar as ligações, a exemplo da Estação entregue em Marabá, no sudeste do Estado.

Em termos de avanços tecnológicos e automação, o empreendimento é considerado o melhor do Estado. Segundo o presidente da Cosanpa, Luciano Dias, a estação é dimensionada para atender 100% da população do município. Contudo, para que ela passe a operar na capacidade máxima, são necessários serviços complementares de reservação e de rede. Atualmente, cerca de 56% da população é atendida peça estação. “Com as obras de rede, que devem ser entregues até o final do ano, vamos ultrapassar os 70% de cobertura”, informa.

Novos investimentos

Os R$ 400 milhões assegurados pelo Governo do Estado em fevereiro, junto ao Ministério das Cidades, por intermédio do Programa Saneamento Básico, irão viabilizar três projetos, que serão executados pela Cosanpa. O primeiro deles, orçado em R$ 98 milhões, trata da implantação de uma adutora de água tratada na Avenida Augusto Montenegro. Os outros dois são para a ampliação do esgotamento sanitário - um abrangendo a bacia e a orla de Santarém e outro a APA (Área de Proteção Ambiental) do Utinga, entre Belém e Ananindeua.

No Utinga, o projeto prevê a coleta de esgoto da Bacia do Curió-Utinga, que deverá ser afetada pelas obras de ampliação da Avenida João Paulo II. A expectativa é de que haja um aumento populacional naquela área por conta das obras, e exatamente por isso o projeto contempla também a proteção dos mananciais dos lagos Bolonha e Água Preta. Já o projeto de saneamento da orla de Santarém busca evitar o despejo direto do esgoto no rio Tapajós, sem qualquer tipo de tratamento. Lá, duas estações já estão em construção pela prefeitura municipal.

O terceiro projeto, da Adutora da Augusto Montenegro, é o que está mais adiantado. Ele levará a agua do Complexo Bolonha até o bairro do Satélite. Para isto, serão executadas obras complementares, entre elas a construção de elevatórias e reservatórios apoiados nos bairros do Benguí e do Sideral. Com a previsão de avanço no BRT (Bus Rapid Transit), o projeto está sendo acelerado para que as obras comecem concomitantemente com as da prefeitura. A ideia é fazer com que haja apenas uma interferência na via.