Na Uepa, Instituto Confúcio celebra 10 anos de cooperação cultural e acadêmica entre Brasil e China
Programação contou com o II Encontro da Rede de Institutos Confúcio do Brasil, fortalecendo a parceria com a instituição de ensino paraense
Com cerimonial em Português e Mandarim, Belém sediou, nesta sexta-feira (30), o II Encontro da Rede de Institutos Confúcio do Brasil e a comemoração pelos 10 anos de criação do Instituto Confúcio na Universidade do Estado do Pará (Uepa). Representantes de universidades e gestores dos Institutos Confúcio do Brasil participaram da programação, realizada em um hotel no centro da capital paraense.
Na abertura, o reitor da Uepa, Clay Chagas, destacou ser “uma grande satisfação receber visitantes de todo o País conhecendo a nossa cidade”. Ele também ressaltou que “a força do Instituto Confúcio está nas pessoas que transformam a aproximação entre Brasil e China em experiências concretas”, e desejou que a cooperação tenha continuidade após o evento, contribuindo para o fortalecimento das relações entre a Uepa e as demais instituições.
Em seguida, Luís Antônio Paulino, presidente da Rede de Institutos Confúcio no período de 2025 a 2026, apresentou o relatório do primeiro ano de gestão, marcado pela definição de diretrizes para o funcionamento da rede. Segundo ele, “a ideia da rede é compartilhar recursos e ajudar no funcionamento em comum dos institutos. Com base nisso, desenvolvemos algumas pesquisas com os institutos, levantando informações básicas para que a gente tenha um conhecimento comum de como os institutos estão funcionando”.
Após a apresentação, foi empossada a nova gestão para o biênio 2026-2027. O diretor brasileiro do Instituto Confúcio na Uepa, Antônio Braga, foi eleito presidente da rede, tendo como vice-diretores a professora Miriam Mansur, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Francisco Quaresma, da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Ao assumir a presidência, Antônio Braga agradeceu a confiança e destacou que “o desenvolvimento da rede depende de cada um dos membros, por isso vamos trabalhar para ampliar o diálogo e buscar soluções de problemas em comum, além de trabalhar juntos pra fortalecer o ensino da língua e cultura chinesa, e fortalecer a cooperação de ensino”.
Desafios e metas
Entre os principais desafios apontados durante o encontro está a produção de materiais didáticos em Português para o ensino de Mandarim a estudantes brasileiros. A rede também busca consolidar-se como uma plataforma de cooperação entre os Institutos Confúcio de todo o País.
Chen Mo, conselheira da Embaixada da China no Brasil para assuntos educacionais, destacou as atividades desenvolvidas pelos 15 Institutos Confúcio brasileiros. Entre as iniciativas mencionadas está a oferta de aulas de Mandarim pela Uepa a policiais militares que atuaram durante a COP30, em Belém, em 2025.
A conselheira também apresentou as metas para a próxima gestão, que incluem assegurar uma transição tranquila entre as equipes, desenvolver materiais didáticos em Português e Mandarim, ampliar o alcance do Programa “Chinês Mais” e fortalecer a cooperação nas áreas de ciência, tecnologia e outros setores prioritários. Também estão entre os objetivos valorizar as expressões culturais do Brasil e da China, e promover a integração entre indústria, academia e pesquisa, ampliando a cooperação entre universidades e empresas, e as perspectivas de formação dos estudantes universitários.
A programação comemorativa foi encerrada com apresentações musicais em Português e Mandarim, com o coral de alunos do Instituto Confúcio na Uepa e o Madrigal da Uepa, além de apresentação com instrumentos tradicionais chineses, que encantaram o público.
Histórico de intercâmbio
Com mais de 7 mil estudantes formados em Mandarim e mais de 200 atividades culturais realizadas, o Instituto Confúcio na Uepa completa uma década de atuação, consolidando-se como uma via de cooperação cultural, educacional e científica entre o Pará e a China. A instituição amplia as oportunidades de intercâmbio, aproxima a população paraense da cultura chinesa e fortalece a internacionalização da Universidade.
Desde a abertura, em 25 de outubro de 2016, o Instituto oferece oportunidades de aprendizagem da Língua Chinesa, promove atividades culturais abertas à comunidade e viabiliza experiências de intercâmbio acadêmico. Essas iniciativas ampliam o acesso da população paraense a conhecimentos sobre a história, os costumes e as tradições chinesas.
A trajetória começou a ser construída em 2012, com as primeiras articulações para a implantação do Instituto no Pará. Em 2013, a Uepa firmou um acordo de cooperação com a Universidade Normal de Shandong (Shandong Normal University – SDNU), instituição chinesa parceira responsável, junto à universidade paraense, pelo desenvolvimento das atividades. O Instituto Confúcio tornou-se o primeiro do Norte do Brasil e uma referência na promoção do ensino da Língua Chinesa e do intercâmbio entre instituições de ensino superior dos dois países.
Diálogo intercultural
Mais do que ensinar um idioma, o Instituto contribui para ampliar as possibilidades de formação acadêmica e profissional dos participantes. O domínio do Mandarim pode favorecer o acesso a bolsas de estudo, oportunidades de pesquisa, experiências internacionais e futuras relações profissionais com instituições e organizações chinesas. Ao mesmo tempo, o contato com outra língua e cultura estimula o diálogo intercultural e contribui para que a sociedade paraense compreenda melhor um país de grande relevância nas relações econômicas, científicas e diplomáticas do Brasil.
Entre as atividades regulares do Instituto Confúcio na Uepa estão os cursos livres de Mandarim, os exames internacionais de proficiência HSK e HSKK e as atividades relacionadas às artes e à cultura chinesas. A instituição também desenvolve ações voltadas às artes marciais, como o Tai Chi Chuan, além de promover palestras, oficinas e eventos que aproximam estudantes e comunidade externa das tradições chinesas. Os cursos de Mandarim são ofertados gratuitamente, conforme os editais de seleção, e as oportunidades são divulgadas pelos canais oficiais da Uepa.
O Instituto também se consolidou como porta de entrada para experiências acadêmicas na China. Em novembro de 2017, por exemplo, 13 estudantes participaram do Summer Camp na Universidade Normal de Shandong, onde tiveram aulas de Mandarim e conheceram locais históricos e culturais, como a Grande Muralha e a Cidade Proibida, em Pequim, e Qufu, cidade associada à trajetória do filósofo Confúcio. A experiência permitiu aos participantes vivenciar a língua em seu contexto cotidiano e ampliar o conhecimento sobre a sociedade chinesa.
Outro exemplo é o de Gabriel Nogueira e Maria Tereza Santos, estudantes do Instituto Confúcio na Uepa que tiveram bolsas de estudo aprovadas para a Universidade Normal de Shandong. Ambos haviam sido aprovados no exame de proficiência HSK em 2019, mas tiveram a viagem adiada em razão da pandemia de Covid-19. Em 2023, seguiram para a China e derem continuidade aos seus projetos de formação internacional. O caso demonstra como a aprendizagem do idioma, a certificação e a cooperação institucional podem se converter em oportunidades concretas de mobilidade acadêmica.
As oportunidades de intercâmbio também integram uma estratégia mais ampla de internacionalização da Uepa. Em 2024, a parceria entre as duas universidades foi renovada por mais cinco anos, e firmado um acordo de cooperação em pesquisa e pós-graduação com o objetivo de ampliar a colaboração científica e acadêmica. A iniciativa fortalece as possibilidades de intercâmbio de estudantes e professores, e abre caminhos para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas em diferentes áreas do conhecimento.
Missões institucionais fortalecem a parceria
A cooperação entre a Uepa e as instituições chinesas também se desenvolve por meio de missões institucionais, visitas oficiais e reuniões de trabalho realizadas no Brasil e na China. Essas agendas permitem avaliar os resultados da parceria, identificar novas áreas de interesse comum e estabelecer iniciativas voltadas ao ensino, à pesquisa e à formação de recursos humanos.
Em dezembro de 2019, uma comitiva da Uepa - formada pelo então vice-reitor Clay Chagas, atual reitor, pelo diretor chinês do Instituto Confúcio, Pang Hui, e pelo diretor brasileiro Antônio Silva - visitou a Universidade Normal de Shandong. A agenda incluiu reuniões com representantes das áreas de educação internacional, línguas estrangeiras e cooperação internacional, com ênfase no fortalecimento do Instituto e na ampliação das atividades de ensino de Mandarim e artes marciais. Naquele ano, o Instituto Confúcio na Uepa também recebeu reconhecimento internacional por sua atuação.
Em 2024, a visita de uma delegação da Universidade Normal de Shandong a Belém marcou um novo momento da cooperação. Liderado pelo chanceler Feng Jikang, o grupo participou de encontros institucionais, conheceu as atividades do Instituto e contribuiu para a renovação do acordo de parceria. Na ocasião, a Uepa e a universidade chinesa avançaram na cooperação em pesquisa e pós-graduação, com a assinatura de um instrumento específico para esse fim.
Em setembro de 2025, uma delegação da Uepa liderada pela vice-reitora Ilma Pastana esteve na China, acompanhada por docentes vinculados a programas de pós-graduação da Universidade e pelos diretores do Instituto Confúcio, Antônio Silva e Sun Jing. Recebida pela direção da Universidade Normal de Shandong, a comitiva discutiu oportunidades de intercâmbio de estudantes e professores, pesquisas conjuntas e novas formas de cooperação acadêmica. A agenda também incluiu reuniões com diferentes unidades acadêmicas da instituição chinesa, ampliando as perspectivas de colaboração em áreas como educação, matemática, ciências ambientais e saúde.
A aproximação institucional também ocorre por meio de visitas de representantes chineses ao Pará. Em junho de 2023, o Instituto recebeu Sun Yan, conselheiro do Setor Consular da Embaixada da China no Brasil, e Wang Wenjie, primeiro secretário da representação diplomática. Na ocasião, foram discutidos o desenvolvimento do Instituto, a retomada das atividades presenciais e o apoio à divulgação da língua e da cultura chinesas no Estado. Em 2024, a Uepa recebeu ainda Wang Zhiwei, conselheiro de Educação da Embaixada da China, em mais uma agenda de aproximação institucional.
De 4 a 17 de novembro, uma comitiva da Uepa, liderada pelo reitor Clay Chagas, prossegue em mais uma missão internacional na China, com o objetivo de estreitar os laços entre o Pará e o país oriental, com a participação na Conferência Internacional dos Institutos Confúcio e visitas às Universidades Hohai e Beihang.
Cultura chinesa em diálogo com a Amazônia
A formação oferecida pelo Instituto não se limita à sala de aula. Ao longo dos anos, a instituição consolidou uma programação cultural que permite à comunidade vivenciar manifestações artísticas, tradições e festividades chinesas. Entre as celebrações mais marcantes estão o Ano Novo Chinês, o Festival das Lanternas, o Festival do Barco-Dragão e o Dia da China, que reúne várias referências culturais e costuma contar com a participação de estudantes, professores, representantes institucionais e público externo.
Em setembro de 2023, a comemoração pelo sétimo aniversário do Instituto e o Dia do Instituto Confúcio reuniram mais de mil visitantes no ginásio do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Uepa. A programação incluiu estandes temáticos organizados pelos estudantes, experiências de caligrafia e recorte de papel, degustação de alimentos e apresentações de dança, canto e artes marciais. A iniciativa demonstrou como o aprendizado da língua pode ser articulado à expressão artística e à troca de conhecimentos entre culturas.
Em 2024, as celebrações pelo Dia da China e oitavo aniversário do Instituto também reuniram mais de mil pessoas. A programação destacou manifestações artísticas, exposições temáticas, música, dança e artes marciais, além de atividades que apresentaram ao público aspectos da história, da filosofia e dos costumes chineses. No ano seguinte, a comemoração do Dia da China voltou a reunir mais de mil participantes, reforçando o alcance das ações culturais promovidas pela instituição.
Essas atividades também ajudam a aproximar as tradições chinesas das experiências culturais amazônicas. Ao promover encontros entre estudantes, professores, artistas e visitantes, o Instituto cria espaços de convivência e aprendizado mútuo, nos quais diferentes referências culturais podem ser conhecidas sem perder suas particularidades. A programação contribui, assim, para a formação cidadã, o respeito à diversidade e a valorização do diálogo entre os povos.
Uma década de cooperação e perspectivas
A trajetória do Instituto Confúcio na Uepa é construída pelo trabalho conjunto de equipes brasileiras e chinesas. Entre os diretores chineses que marcaram essa história está Pang Hui, que permaneceu sete anos na direção e recebeu, em 2017, reconhecimento individual por sua atuação.
Atualmente, a direção chinesa é exercida pela professora Sun Jing, que participa das atividades acadêmicas, culturais e institucionais voltadas ao fortalecimento da parceria entre a Uepa e a Universidade Normal de Shandong. No Brasil, a direção local é exercida pelo professor Antônio Silva.
Texto: Guaciara Freitas e Marília Jardim – Ascom/Uepa.

