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CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Berçário de pesquisadores, PCT Guamá mostra poder transformador da ciência e da educação

Pesquisadores que atuam no Parque de Ciência e Tecnologia revelam como o acesso ao conhecimento pode transformar vidas

Por Governo do Pará (SECOM)
30/10/2026 19h39

A ciência tem o poder de transformar a nossa realidade com suas invenções e soluções para os mais diversos problemas do cotidiano. Mas, por trás das pesquisas, descobertas e inovações tecnológicas, existem histórias de pessoas que encontraram na educação um caminho para superar desafios e construir novas possibilidades de futuro, trajetórias que revelam a importância da educação pública e das oportunidades de formação para o desenvolvimento de novos talentos.

Antes de ingressar no ensino superior, Andrey Silva trabalhava como cobrador no transporte alternativo, na linha Icoaraci - Cidade Nova, na Região Metropolitana de Belém. A rotina começava às quatro horas da manhã e terminava por volta da meia-noite. “Em determinado momento, percebi que precisava mudar aquela realidade. Decidi, então, trabalhar apenas aos domingos para conseguir pagar um cursinho pré-vestibular e dedicar o restante da semana aos estudos. Foi uma decisão que mudou completamente o rumo da minha vida”.

Formado em Engenharia da Computação, com mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica pela UFPA, Andrey conta que a pesquisa ampliou suas possibilidades e o levou a experiências que não imaginava alcançar. “Venho de uma família de origem humilde e posso dizer que a educação, especialmente a pesquisa científica, transformou completamente a minha realidade”, completa o pesquisador.

Bolsista do Núcleo de P&D em Telecomunicações, Automação e Eletrônica (Lasse), laboratório residente do PCT Guamá, Andrey destaca que foi no Parque onde desenvolveu as habilidades que lhe permitiram construir uma carreira como pesquisador. Aos 37 anos, Andrey atua como pesquisador sênior e delegado de padronização internacional em uma multinacional do setor de tecnologia.

“Hoje, já não sou mais aluno, mas a relação continua de uma forma muito especial. Atualmente, sou o responsável técnico, pela empresa em que trabalho, pelo projeto de pesquisa desenvolvido em parceria com o laboratório do Parque. Ou seja, antes eu era um dos alunos que participavam dos projetos; hoje, estou do outro lado, acompanhando os resultados e orientando tecnicamente essa colaboração”, orgulha-se, Andrey.

Natural de Bonito, no nordeste do Pará, Carlos Natalino foi o primeiro em três gerações da família a concluir um curso superior. “Sempre estudei no sistema público ou com bolsa. A educação me abriu portas inimagináveis. Hoje me sinto parte do cenário da pesquisa global na minha área e tudo isso começou com a educação superior e a pesquisa científica”, conta Carlos.

Atualmente, o paraense mora em Gotemburgo, na Suécia, onde, além de atuar como professor e pesquisador na área de programação na Chalmers University of Technology, trabalha com redes autônomas. Ao olhar para a própria trajetória, sua avaliação sobre o papel da ciência e da educação é direta: “Com certeza. São fundamentais”.

Foi no ecossistema de inovação paraense que Moisés Silva encontrou o ponto de partida para uma carreira internacional. Formado em Ciência da Computação pela UFPA, com mestrado e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica, ele passou por instituições de pesquisa nos Estados Unidos e na Itália. 

“Faço pesquisa desde os meus 16 anos, quando eu era calouro e comecei na iniciação científica dentro do Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado (LEA). Esse contato com a pesquisa desde muito cedo estabeleceu o caminho que eu viria a trilhar em seguida”, lembra Moisés.

Aos 31 anos, Moisés é Senior Scientist na Bandelier Technologies, no Novo México, onde lidera equipes que trabalham com inteligência artificial, redes quânticas e sistemas neuromórficos. “O conhecimento me deu autonomia e os contatos que cultivei abriram oportunidades que expandiram meu universo de possibilidades para muito além de onde nasci. Porém, sim, só funciona se você tem acesso a bolsas, laboratórios, mentores dispostos a servir”.

A ciência transforma também a maneira de pensarPrincipal hub de inovação da Amazônia, o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá é o primeiro parque tecnológico da região. Seu ecossistema formado por universidades, laboratórios e empresas é um ambiente propício para a inovação, conectando cientistas e empreendedores e transformando conhecimento em inovação.

Assim nasceu, por exemplo, o dispositivo Rhiira, tecnologia limpa voltada à descarbonização de motores e à eficiência energética. “Meu contato com a ciência começou na universidade, por meio da iniciação científica. Aprendi que pesquisar é transformar desafios em oportunidades”, destaca Tatiana Yamamoto, engenheira-agrônoma, empreendedora e CEO da Amazon 

Rhiira, empresa residente do PCT Guamá

O projeto Dispositivo Rhiira começou, explica Tatiana, com investigações no agronegócio e também passou a explorar aplicações em motores a combustão. Hoje, com um produto inovador no mercado e as possibilidades de conexão proporcionadas pelo PCT, Tatiana afirma que a ciência é responsável por transformar sua realidade: “A ciência transformou minha realidade ao permitir que o conhecimento se tornasse inovação e empreendedorismo”.

Quem também faz parte dessa leva de pesquisadores empreendedores é Bárbara Chagas. Para ela, o contato com a ciência mudou sua maneira de compreender a educação e de atuar na sociedade. “Antes, eu enxergava muitos desafios educacionais como problemas que precisavam de soluções imediatas. A pesquisa me ensinou que, antes de propor uma solução, precisamos investigar, compreender o contexto, analisar evidências e questionar aquilo que parece óbvio”.

Doutoranda em Educação Matemática pela UFPA, Bárbara desenvolve pesquisas relacionadas à avaliação da aprendizagem e ao uso de tecnologias educacionais e atua como coordenadora pedagógica e gerente de execução da Inteceleri Tecnologias para a Educação, primeira empresa a se instalar no PCT Guamá.

“Mas a ciência também transformou minha realidade pessoal e profissional. Ela ampliou minhas oportunidades, fortaleceu minha autonomia intelectual e me mostrou que eu poderia não apenas estudar as tecnologias desenvolvidas em outros lugares, mas também participar da criação de soluções a partir da Amazônia”, afirma a pesquisadora.

Os desafios de fazer ciência na AmazôniaPesquisadora do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), Taiana Simas destaca o valor da pesquisa e a relação entre os desafios estruturais e a riqueza de possibilidades que a região oferece à ciência. “Sim, é desafiador em aspectos estruturais. Mas, ao mesmo tempo, é riquíssimo de novas perguntas, novas hipóteses, novos achados e novas possibilidades, fatores que são propulsores no processo de vencer as limitações e lutar para que sejam sanadas e gerem novas e novas hipóteses e descobertas”.

Responsável pela pesquisa do açaí clarificado, um produto extraído da polpa do fruto, a farmacêutica, de 33 anos, encontrou na pesquisa uma paixão que surgiu logo no início da graduação, em 2012. Ao longo de sua formação, participou de projetos científicos e de iniciação científica. Atualmente, dedica-se à pesquisa em neurocomportamento e emocionalidade.

“A pesquisa e a ciência foram uma grande paixão desde o início da faculdade, quando percebi o maior desenvolvimento em mim de características como a curiosidade, observação, questionamento crítico e investigação. Ao conhecer as linhas de pesquisa vinculadas à minha faculdade, me apaixonei pela pesquisa em neurocomportamento e emocionalidade utilizando modelo animal, áreas de pesquisa a que me dedico até hoje no pós-doutorado”, afirma Taiana.

Apesar dos desafios, a paixão pela ciência e o compromisso com a pesquisa se sobrepõem. “O conhecimento é a fonte mais eficiente e duradoura de oportunidades profissionais e pessoais, uma vez que o tempo investido nele jamais será um tempo perdido. Todo conhecimento somado é investimento, nunca atraso, e a maior fonte é a ciência e a pesquisa”, conclui a farmacêutica.