Pará destaca protagonismo amazônico e expansão da bioeconomia na COP17 da Biodiversidade
Estado apresentou resultados do Plano de Bioeconomia e contribuiu para a construção de uma agenda global sobre o tema
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) representou o Pará, na sexta-feira (23), na 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia. A agenda enfatizou o protagonismo subnacional da Amazônia, no financiamento climático e no fortalecimento das metas do Marco Global de Kunming-Montreal.
Durante a programação oficial, a comitiva da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema) reuniu-se com a secretária-executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), Astrid Schomaker, para realizar a entrega oficial da Carta Abema pela Biodiversidade. O documento reúne 25 compromissos estratégicos pactuados entre os órgãos ambientais estaduais para impulsionar a conservação, a restauração ecossistêmica e o desenvolvimento sustentável nos territórios.
Bioeconomia e metas globais
A Semas, representada pela secretária-adjunta de Bioeconomia e Biodiversidade, Camille Bemerguy, participou como palestrante do painel promovido pela Abema, dedicado à apresentação de experiências estaduais em conservação, ação climática e pagamento por serviços ambientais. Foram detalhados os avanços da política ambiental paraense, estruturada de forma contínua ao longo dos últimos anos.
"Nosso trabalho tem sido consolidar uma política de Estado consistente para garantir estabilidade e continuidade à agenda ambiental no Pará. Diante do nosso perfil de emissões, o uso da terra e a proteção das florestas ocupam uma posição central. Mas o combate ao desmatamento precisa caminhar lado a lado com a transformação socioeconômica dos territórios. A regularização fundiária e ambiental, aliada ao fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis, é o que garante a permanência dos resultados no tempo", afirmou Camille Bemerguy.
A secretária apresentou também o processo de elaboração da Estratégia Estadual de Biodiversidade do Pará, que vem sendo construída de forma alinhada a instrumentos consolidados, como o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA) e o PlanBio (Plano Estadual de Bioeconomia).
"Identificamos que o nosso Plano de Bioeconomia já contempla ações diretas para mais da metade dos 25 compromissos da Carta da Abema. Criamos um grupo de trabalho focado nessa agenda, e temos a meta de finalizar a minuta da nossa estratégia de biodiversidade até o final deste ano", destacou Camille Bemerguy.
O Pará destacou ainda suas iniciativas em restauração florestal, adaptação climática, pagamento por serviços ambientais (PSA) e a estruturação do plano de ação do sistema jurisdicional de REDD+, instrumento direcionado à atração de investimentos para as políticas de uso da terra e florestas.
Financiamento e inovação financeira
Ao tratar dos desafios para a implementação das metas internacionais, a secretária-adjunta defendeu a integração das pautas ambientais e socioeconômicas, e o fortalecimento de novos mecanismos de financiamento para os estados amazônicos.
"Agendas ambientais, climáticas, sociais e econômicas não podem ser tratadas isoladamente. Para que políticas bem estruturadas se convertam em impacto real na ponta, precisamos de mecanismos financeiros robustos. O avanço do debate sobre créditos de biodiversidade é fundamental, e a Abema cumpre um papel decisivo ao articular essa pauta entre os estados", concluiu Camille Bemerguy.
Texto: Lucas Maciel / Ascom Semas

