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OUTUBRO VERDE

Pará registra queda nos casos de sífilis em gestantes e avança no combate à infecção congênita

Ações de qualificação da rede estadual de saúde ampliam a testagem rápida e fortalecem o tratamento adequado em maternidades e UBSs

Por Governo do Pará (SECOM)
23/10/2026 17h30

Em alusão à campanha nacional “Outubro Verde”, de conscientização e combate à sífilis e à sífilis congênita, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) realizou, nesta quinta (22) e sexta-feira (23), no auditório do Nível Central, a Oficina sobre a Linha de Cuidado da Sífilis na Unidade de Referência Materno-Infantil e Adolescente (Uremia) e Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe): Discussão, Atualização e Implantação dos Fluxos de Atendimento, Notificação e Manejo dos Casos.

Ocorrida no auditório do Nível Central da Sespa, em Belém, a atividade teve como objetivo qualificar a assistência prestada à população assistida por essas duas unidades vinculadas à Secretaria, fortalecendo o diagnóstico precoce e o tratamento adequado da sífilis, contribuindo para a redução da transmissão da sífilis adquirida, da sífilis em gestantes e da sífilis congênita.

A sífilis congênita, que ocorre quando há transmissão da infecção da mãe para o bebê, foi um dos principais temas abordados durante a capacitação. No Pará, apesar da disponibilidade de diagnóstico e tratamento eficazes, os casos de transmissão vertical da sífilis ainda permanecem elevados. Por isso, é essencial que os profissionais que atuam diretamente no combate a essa IST estejam devidamente capacitados, pois só é possível a eliminação da Sífilis Congênita se ações mais efetivas foram realizadas no combate à sífilis adquirida e Sífilis em Gestante.

De acordo com a farmacêutica-bioquímica da Coordenação Estadual de IST/Aids, Charliana Damasceno, doutora em Biologia de Agentes Infecciosos e Parasitários, a sífilis continua sendo um grave problema de saúde pública e um desafio de preocupação nacional e regional, devido à necessidade de fortalecimento contínuo da integração entre a Atenção Primária em Saúde (APS) e Vigilância.

Segundo ela, nos últimos cinco anos epidemiológicos completos (2021 a 2025) o estado do Pará tem ampliado a oferta do Teste Rápido, o que tem refletido na elevação do rastreio e notificação dos casos de sífilis adquirida e sífilis em gestante, permitindo tratamento dos casos e de suas parcerias, bem como, orientações sobre o agravo.

“É importante destacar que o controle da sífilis congênita só é possível quando há esse tipo de intervenção, pois a sífilis em gestante é uma sífilis adquirida na condição gestação, e ampliar as ações contra a sífilis adquirida significa reduzir casos de sífilis em gestante e por consequência sífilis congênita”, enfatizou.

“Em relação à sífilis congênita, nesse período, foi constatada a elevação dos casos, pois muitos municípios saíram do silêncio epidemiológico, permitindo conhecer a real magnitude do problema em cada região do Estado do Pará, o que contribuiu para articulação de ações mais efetivas da política estadual junto aos municípios, promovendo intervenções para o controle e ou eliminação da sífilis congênita”, observou a técnica.

Dados

Entre janeiro a setembro de 2026, foram registrados 5.249 casos de sífilis adquirida, 3.810 casos em gestantes e 930 casos de sífilis congênita, contra 4.853 casos de sífilis adquirida, 4.194 casos de sífilis em gestante e 1.143 casos de sífilis congênita registrados no mesmo período de 2025. No ano todo de 2025, foram notificados 6.489 casos de sífilis adquirida, 5.556 casos de sífilis em gestante e 1.514 casos de sífilis congênita no Estado do Pará.

“As notificações de sífilis adquirida se mantém elevadas nos dois últimos anos, no entanto, o número de casos de sífilis na condição gestação começa a recuar e por consequência o número de casos de sífilis congênita, o que revela que as ações executadas junto aos municípios começam a obter resultados”, observou Charliana Damasceno.

Este cenário se deve, principalmente, à alta transmissibilidade da infecção, que ocorre por meio do contato sexual desprotegido, e ao diagnóstico tardio, uma vez que grande parte da população não costuma realizar exames ou testes rápidos para detecção de ISTs de forma preventiva.

Ainda durante a capacitação, a coordenadora de IST/Aids da Sespa, Andrea Miranda, destacou a importância da assistência e do manejo clínico adequado nas maternidades. “A nossa capacitação também tem o intuito de melhorar o cuidado com a gestante e o recém-nascido. Apesar de a gestante diagnosticada com sífilis ter todo um acompanhamento no pré-natal é fundamental que a mãe consiga avaliar se essa mulher foi tratada adequadamente ou se precisará de manejo de tratamento adequado. Mesmo após o tratamento, ao chegar à maternidade, ela passa por novo exame e o recém-nascido também é avaliado. Vamos focar nesse tema, entendendo que a sífilis congênita também é uma das causas da mortalidade infantil”, ressaltou.

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum e transmitida por meio de relações sexuais sem o uso correto de preservativo. Um dos principais sintomas causados por essa IST são pequenas feridas nos órgãos sexuais, além de manchas nas palmas das mãos e nas plantas dos pés.

Para prevenir a infecção, a população deve utilizar preservativos internos ou externos corretamente, realizar o pré-natal de forma adequada e fazer testagens para detecção de ISTs de maneira rotineira. Se o exame apresentar resultado positivo, ambos os parceiros sexuais devem ser tratados corretamente.

O tratamento é feito com aplicações de penicilina prescritas pelo enfermeiro ou médico assistente de acordo com o estadiamento clínico da infecção. A sífilis é uma doença muitas vezes silenciosa, ou seja, pode não apresentar sintomas visíveis. Por isso, é essencial realizar exames e testagens regularmente. Vale lembrar que todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) oferecem testes rápidos para sífilis de forma gratuita, com resultado disponível em cerca de 30 minutos.

Texto: Mozart Lira / Ascom Sespa