Governo do Pará apresenta Sistema de REDD+ para crianças e jovens Munduruku na aldeia Sai Cinza
Ação pioneira durante a 3ª Consulta Livre aproxima as novas gerações indígenas dos debates sobre mudanças climáticas e preservação do território no Alto Tapajós
O futuro da floresta entrou na conversa com quem vai ajudar a protegê-la nas próximas gerações. Neste domingo (18), 100 crianças e jovens Munduruku participaram de uma primeira apresentação sobre o Sistema Jurisdicional de REDD+ do Pará (SJREDD+), na aldeia Sai Cinza, em Jacareacanga, na região do Alto Tapajós. A atividade aproximou os jovens guerreiros dos temas discutidos com os caciques, como desmatamento, mudanças climáticas e aquecimento global.
O encontro integrou a abertura da 3ª Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) voltada aos povos indígenas e a 31ª para a construção do SJREDD+, com programação prevista até o dia 22. O encontro reuniu representantes das etnias Munduruku de 150 aldeias das TI Sai Cinza e Munduruku.
Ao dedicar um momento às crianças e aos jovens, a iniciativa ampliou o acesso das novas gerações às informações que estão sendo debatidas pelas lideranças e que dizem respeito ao futuro de seus territórios.
“Esta primeira apresentação dedicada às crianças e aos jovens Munduruku representa um passo pioneiro nesta consulta. Eles precisam ter a oportunidade de compreender o que está sendo discutido, trazer suas dúvidas e construir conhecimento sobre questões que afetam seus territórios. Envolver as novas gerações nesse diálogo é reconhecer que elas também têm voz e um papel fundamental no futuro da floresta”, destacou a secretária-adjunta Renata Nobre.
Na região do Alto Tapajós, vivem cerca de 16 mil Munduruku, distribuídos em 150 aldeias. Sai Cinza, que recebe esta etapa da consulta, abriga 576 famílias. Nesse contexto, a apresentação buscou aproximar o debate sobre o SJREDD+ da formação das crianças e dos jovens, conectando os desafios ambientais à realidade de suas comunidades.
Durante a atividade, foi exibido um vídeo didático sobre as mudanças climáticas e seus impactos na flora e na fauna. O conteúdo apresentou consequências que afetam diretamente a vida nas comunidades, como a redução das colheitas e da disponibilidade de pescado, a ocorrência de chuvas fora de época e o calor extremo.
“Essa apresentação ajuda os jovens a acompanhar o diálogo que os caciques estão construindo e a entender por que esses assuntos fazem parte da vida da aldeia. Quando eles têm espaço para aprender e perguntar, também fortalecemos a troca de conhecimentos entre as gerações e criamos condições para uma participação cada vez mais informada da comunidade”, afirmou O coordenador da CLPI indígena Sai Cinza, Sandro Alves.
Para o professor indígena Lucindo Karo Munduruku, a presença dos jovens nos encontros é parte de um processo de aprendizagem que precisa ser incentivado. “A gente sempre participa dos eventos com os guerreiros. Saber sobre o REDD+ é importante para o futuro deles, e eles gostam de participar. Este é um momento de orientação, conhecimento e aprendizagem”, ressaltou.
A programação também contou com uma apresentação em vídeo e um painel sobre o que é REDD+, como surgiu esse mecanismo e o que ele representa para as comunidades. A abordagem ajudou os participantes a compreender o tema e a acompanhar as discussões realizadas durante a consulta.
A importância de ter acesso às informações e espaço para questionar também foi destacada pelo cacique de Sai Cinza, Rosildo Saw Munduruku. “É muito importante para nós a participação na CLPI. É um momento de nos informarmos sobre o que está acontecendo no mundo, sobre preservação e o que pode vir de positivo para a nossa aldeia. Por isso estamos aqui para ouvir e também questionar e colaborar com o trabalho”, afirmou.
Texto: Arthur Sobral / Ascom Semas

