Museu de Arte Sacra recebe exposição itinerante ‘Jogos Indígenas do Xingu - Rituais pela Vida Ancestral’
Mostra sobre tradições milenares de povos indígenas do Pará está aberta à visitação até o dia 8 de novembro
A Galeria Fidanza, no Museu de Arte Sacra, em Belém, recebe a exposição “Jogos Indígenas do Xingu – Rituais pela Vida Ancestral”, do fotógrafo, cineasta e documentarista Alexandre Baena, a partir das 18h desta quinta-feira (8).
Após percorrer várias cidades do País, a mostra chega à capital paraense e convida o público a conhecer o universo ancestral dos povos indígenas do Xingu, retratando jogos esportivos, manifestações culturais e rituais que preservam tradições milenares. A exposição itinerante, idealizada por Alexandre Baena, que também assina a curadoria, reúne imagens do I Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Xingu, realizado em 2025, no município de Altamira, no Oeste do Pará.
Os registros destacam a cooperação entre as comunidades indígenas e a competitividade saudável promovida pelos jogos, que envolvem crianças, jovens, adultos e idosos. A iniciativa busca fortalecer a identidade dos povos participantes, preservar suas tradições, dar visibilidade ao evento esportivo e valorizar o potencial turístico da região.
As modalidades esportivas evidenciam a força física e as habilidades individuais e coletivas dos participantes, fundamentadas na cultura ancestral de cada povo. Os representantes das etnias competiram em provas de arco e flecha, arremesso de lança, corrida de bastão, cabo de força, tiro ao alvo e corrida livre de 100 metros, nas categorias masculina e feminina, além de disputas de canoagem, futebol e natação.
Realizado entre os dias 17 e 20 de julho de 2025, em Altamira, o I Festival de Cultura e Jogos Indígenas do Xingu reuniu representantes das etnias Arara, Xipaya, Kuruaya, Asurini, Xikrin do Trincheira Bacajá, Kayapó do Kararaô, Parakanã, Araweté e Juruna. Também participaram como convidados os povos Gavião Kyikatejê, Krimei Xikrin, do Rio Cateté, e Kayapó Mebêngôkre, da Terra Indígena Kayapó.
Os jogos ocorreram na arena do cais, às margens do Rio Xingu, e proporcionaram um encontro de celebração da vida e ancestralidade dos povos indígenas. Com a participação de mais de 900 atletas de 14 etnias, o evento valorizou a diversidade cultural indígena por meio de manifestações artísticas, música, esportes, saberes, práticas e tradições seculares.
Roteiro nacional
A exposição iniciou por Curitiba (PR), no Museu de Arte Indígena (MAI), e seguiu para Brasília (DF), onde integrou a programação especial do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, no Senado Federal. Em seguida, a mostra passou por São Paulo (SP), Recife (PE) e Manaus (AM).
O projeto conta com o patrocínio do Governo do Pará, por meio do Banpará (Banco do Estado), da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), Prefeitura de Altamira, Secretaria de Estado de Turismo (Setur) e do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura. A iniciativa tem o apoio da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa) e realização da MAB Comunicação.
Em Belém, a exposição permanecerá aberta à visitação pública na Galeria Fidanza até 8 de novembro de 2026, e depois segue para Altamira.
O fotógrafo Alexandre Baena explica que a finalidade da exposição é ir além de um registro, a fim de garantir o pertencimento e a perpetuação de um modo de vida e de costumes mostrados na arena montada às margens do Xingu.
Segundo ele, “é um momento de conexão, uma jornada carregada de energia e, principalmente, identidade da raiz do povo brasileiro. A maioria das atividades foi à noite, e o trabalho técnico para realçar a luminosidade que destaca minhas telas foi um desafio interessante, o contraste entre a baixa velocidade de captura da imagem e a energia que ditava uma dinâmica frenética na frente de minhas lentes, produzindo verdadeiras pinturas, que são documentos impressionantes”.
Particularidades de um Brasil continental
Até este ano, Alexandre Baena já totaliza 42 exposições pelo Brasil. “Já levamos a Marujada de Bragança, o Festribal de Juruti, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e o Sairé de Santarém pelas cinco regiões brasileiras. A exposição ‘Juruti - Festival das Tribos’ foi apresentada na Green Zone, como parte das atividades culturais da 30ª Conferência das Partes, reunião anual das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que aconteceu em Belém do Pará de 10 a 21 de novembro de 2025, a COP30, com as agremiações Munduruku e Muirapinima. Em 2026 iniciamos os Jogos Indígenas do Xingu, a continuidade em circuito nacional da exposição do Sairé, e no segundo semestre a inédita Bois e Máscaras de Odivelas. Todas em espaços especiais e acolhedores, e isso é algo maior que o reconhecimento de uma trajetória profissional e artística, pois ainda há muito o que fazer”, conta o fotógrafo.
Ele também destaca que, “como sempre tenho dito, as pontes que criamos, os abraços que trocamos e a cultura que levamos na linha de frente de cada itinerância é o que mais abre portas para essa jornada incrível. A acolhida sempre é com um sorriso, muitas vezes com lágrimas de emoção na descoberta de particularidades tão fortes de um Brasil continental, e que é gigante e merece ser redescoberto, com uma narrativa própria e em espaços de valorização da arte e da nossa cultura. Poder viver isso é incrível, e meus aplausos vão para todos que são retratados em minhas telas, pois, sem essa energia, a imagem não existiria”.
Serviço
Exposição “Jogos Indígenas do Xingu - Rituais pela Vida Ancestral”
Período: 8 de outubro a 8 de novembro de 2026.
Abertura: 8 de outubro – às 18h
Visitação: Terça a domingo – das 9h às 17h, na Galeria Fidanza - Museu de Arte Sacra, na Igreja de Santo Alexandre – Praça Frei Caetano Brandão, bairro da Cidade Velha, centro histórico de Belém.
Texto: Ascom/Secult

