Pará garante acesso a formação profissional para desenvolver todos os municípios do Estado
Criado para impulsionar cadeias produtivas paraenses com oferta de mão de obra estratégica, Programa Forma Pará leva ensino superior e formação técnica a todo o Pará e já soma 1.747 profissionais formados e outros 5.321 estudantes em turmas em andamento. Marajó lidera oferta de cursos.
Criada para democratizar o acesso ao ensino superior e fortalecer o desenvolvimento em todas as regiões do Pará, uma iniciativa idealizada pelo Governo do Estado ainda em 2019 hoje avança com números expressivos, após alcançar, ainda em 2023, todos os 144 municípios paraenses: o Programa Forma Pará já é responsável por mais de 1.747 paraenses preparados para o ingresso no mercado de trabalho em todo o Estado. Só no primeiro semestre de 2026, um total de 376 profissionais foram graduados, em turmas de 15 cursos superiores, em 14 municípios de oito regiões de integração do Estado.
Com mais essa leva de paraenses a ingressar no ensino superior, o Programa Forma Pará consolida-se como uma das mais importantes políticas públicas de educação do Estado, após lançar 35 editais de processos seletivos, com oferta de 9.775 vagas em 59 cursos de graduação, distribuídos em 202 turmas espalhadas pelas 12 Regiões de Integração do Pará, apenas entre 2019 e 2022. Dessas 202 turmas ofertadas até o momento, 54 já concluíram suas atividades, formando um total de 1.518 profissionais apenas no ensino superior.
Os 376 novos formados pelo programa, apenas no primeiro semestre de 2026, estão nas regiões do Marajó (123), Rio Caeté (68), Tapajós (52), Guajará (40), Guamá (39), Lago de Tucuruí (22), Tocantins (20) e Carajás (12). Eles atuam em Agronomia; Engenharia Sanitária e Ambiental; Gestão Ambiental; Tecnologia em Gestão Ambiental; Tecnologia em Agroecologia; Sistemas de Informação; Licenciatura em Computação; Gestão Hospitalar; Licenciatura em Letras; Licenciatura em Educação Física; Psicologia; História; Geografia; Ciências Contábeis e Música, e foram graduados em Belém; Marituba; Abaetetuba; Terra Alta; Bom Jesus do Tocantins; Jacundá; Cachoeira do Piriá; Tracuateua; Muaná; Ponta de Pedras; Salvaterra; Santa Cruz do Arari; Novo Progresso e Rurópolis.
Graduados em áreas estratégicas para o desenvolvimento regional, esses trabalhadores se somam a outros 229 paraenses com formação técnica, também beneficiados pelo programa: deste modo, são mais de 1.747 paraenses preparados para ingressar no mercado de trabalho e contribuir diretamente para o crescimento de suas comunidades, em todo o Estado.
Somando cursos técnicos, de graduação e de pós-graduação, hoje o Programa Forma Pará mantém ainda mais 5.321 estudantes em turmas em andamento. Essa oferta de mão de obra é necessária para que o Pará possa subir degraus e alcançar outros níveis de atividade produtiva, com impactos positivos para a geração de riqueza, através das suas vocações econômicas regionais.
Esse tema é tão importante que o sucesso da proposta Programa Forma Pará virou uma política permanente de Estado, ainda em 2021, por meio da Lei nº 9.324, sancionada em 7 de outubro de 2021, após aprovação da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).
Rede de formação estratégica
Coordenado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (SECTET), o Programa Forma Pará reúne uma parceria estratégica entre o Governo do Pará, Instituições de Ensino Superior (IESs) e prefeituras municipais, justamente para levar cursos de graduação, formação técnica e pós-graduação a regiões que, por muitos anos, tiveram acesso limitado à educação superior.
A iniciativa foi idealizada em 2019 pela SECTET, com o objetivo de formar mão de obra qualificada de acordo com as necessidades de cada município, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social das diferentes regiões paraenses.
Desde sua criação, o programa registrou um crescimento sucessivo de editais de processos seletivos e ampliação da oferta de vagas em cursos de graduação, até alcançar todos os 144 municípios paraenses, em 2023, e criar 202 turmas, espalhadas nas 12 Regiões de Integração do Pará. Com isso, passou garantir que todas as regiões do Estado fossem contempladas, universalizando a oferta de ensino superior público entre as populações paraenses.
Essa expansão foi possível graças à participação de importantes instituições de ensino. Na chamada de 2023 integraram o programa a Universidade do Estado do Pará (UEPA), a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), o Instituto Federal do Pará (IFPA), a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). A Universidade Federal do Pará (UFPA), que participou das chamadas anteriores, também é uma das parceiras responsáveis pela consolidação do projeto.
Um dos marcos dessa expansão do Programa Forma Pará foi a conclusão da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena para o povo Xikrin do Cateté, em novembro do ano passado, em Parauapebas.
A formação, realizada pela UEPA, levou o ensino superior para dentro do território indígena - e possibilitou que integrantes da própria comunidade fossem preparados para atuar na educação e contribuir para o fortalecimento de seus conhecimentos, cultura e identidade da população.
Vocações regionais para superar desafios
Os 1.518 profissionais formados pelas 54 turmas já concluídas, entre as 202 ofertadas até agora pelo Programa Forma Pará, atendem setores como educação, saúde, gestão pública, tecnologia, engenharia, ciências agrárias, meio ambiente, turismo, gastronomia e ciências humanas e sociais. Esses graduados, preparados para ingressar no mercado de trabalho, contribuem diretamente para o desenvolvimento de suas comunidades - auxiliando o Estado a avançar na superação de entraves impostos por diferenças regionais.
“A presença do programa em localidades com diferentes características geográficas e socioeconômicas reforça a estratégia de interiorização do ensino superior e de formação de profissionais alinhados às demandas de cada região”, destaca o coordenador do programa, Fernando Queiroz.
Um exemplo é o de Denise dos Santos Barbosa, formada e pós-graduada na área da educação, e servidora concursada do município de Breves, no Arquipélago do Marajó. A região do Estado, marcada por desafios sociais históricos, apontados por indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é a que hoje lidera o número de graduados pelo Forma Pará, com 477 formados, sendo 123 graduados apenas no primeiro semestre de 2026.
Denise, que sempre buscou uma nova formação, viu nas turmas do Forma Pará uma oportunidade de nova janela de carreira, e assim ingressou na turma de Técnico de Enfermagem oferecida a Breves, onde estudou e se formou, entre 2022 e 2024.
"Sempre estudei em escola pública e tinha vontade de fazer um curso na área de Enfermagem, mas não tinha nada gratuito aqui na minha cidade. Então, quando o Forma Pará chegou, foi uma oportunidade pra mim. E é uma oportunidade que abriu portas pra muita gente", conta ela, que fez o curso técnico principalmente para cuidar da filha. "Ela precisa de cuidados especiais, como tomar soro, e eu também queria cuidar dos meus pais, que já têm uma certa idade. Então, ao invés de pagar outra pessoa pra fazer, eu mesmo faço".
Colegas que também se formaram com Denise hoje já estão trabalhando dentro de hospitais e clínicas. "Eu sempre quis ter essa experiência. E é muito gratificante: os professores que vieram foram ótimos. Eram professores renomados, que nos ensinaram muito. Espero que o programa continue e traga novos cursos. Eu ainda tenho a vontade de me graduar em enfermagem e exercer a profissão”, planeja.
Entre outros estudantes que tiveram a trajetória transformada pela iniciativa está também a ribeirinha Dhiully Lima. Moradora da zona rural de Muaná, também no Arquipélago Marajoara, ela concluiu, em março deste ano, a graduação em Geografia pelo Forma Pará. Para ela, a chegada do curso ao município representou a possibilidade de acessar o ensino superior sem precisar deixar sua comunidade.
“O Forma Pará tornou possível um sonho que parecia distante. Como moradora da zona rural, ter a oportunidade de fazer uma graduação no meu município fez toda a diferença. Hoje sou formada em Geografia e posso contribuir com o desenvolvimento da minha região”, pondera Dhiully.
Porta ao empreendedorismo
Moradora de Salinópolis, no nordeste do Pará, Liana Cunha fez o curso de Gastronomia do Forma Pará, há dois anos. "Eu sempre sonhei ter uma formação acadêmica, mas era uma realidade muito distante pra mim. O Forma Pará foi importante. Hoje, através dessa formação, portas se abriram para mim", comemora Liana.
Ela, que já trabalhava no ramo de gastronomia, ampliou sua capacidade de atuação. "Eu sempre fui muito curiosa, mas não tinha a técnica. O curso me trouxe técnicas, aprendizado, abriu um leque de oportunidades", conta. Hoje Liana é instrutora da Usina da Paz em Salinópolis e também trabalha empreendendo, com serviços de coffee break, buffet, e atendimentos particulares, como personal chef. "O curso só me trouxe melhorias. E eu pretendo continuar e ir atrás de uma pós-graduação na área ainda. E seguir também a carreira de professora”, planeja.
“Com o programa Forma Pará, a gente adquiriu conhecimentos técnicos. E aí, depois do curso, eu tive mais oportunidades. Isso alavancou os meus trabalhos. Sou reconhecida na minha cidade. Hoje eu sou uma das chefes, vamos dizer assim, com história dentro de Salinas. O curso só deu ênfase ainda mais a esse empreendedorismo, no que eu já trabalhava", avalia a chef.
Liana diz ainda que o Forma Pará facilita essas conquistas justamente porque leva às cidades do interior acesso à universidade pública. "Facilita pra gente esses cursos, com as instituições que têm convênio. Por exemplo, o curso de Gastronomia, só tem na capital. Então, pra gente que mora no interior, facilitou muito. É essa facilidade que o programa leva para a gente", sorri.
Formação técnica profissional e pós-graduação
O impacto do Forma Pará também já alcança a educação profissional. Por meio de parceria firmada entre a SECTET e a UEPA, foram ofertadas seis turmas do curso Técnico em Enfermagem nos municípios de Mocajuba, Oeiras do Pará, Belém (Icoaraci), Santana do Araguaia, Capanema e Breves. Todas as turmas foram concluídas em 2024, formando 229 novos profissionais para reforçar a assistência em saúde no Estado.
Somando os resultados da graduação e dos cursos técnicos, o programa já contabiliza atualmente 1.747 paraenses formados, além de outros 5.116 estudantes matriculados nas turmas que seguem em andamento em todo o Pará.
Atualmente, quatro cursos de pós-graduação também estão sendo ofertados, nos municípios de Jacareacanga, Belém e Cametá, totalizando mais 205 vagas.
Com isso, o Programa Forma Pará mantém hoje 5.321 estudantes em turmas em andamento, incluindo ofertas de cursos técnicos, de graduação e vagas de pós-graduação.
Com a oferta de cursos de graduação, cursos técnicos e investimentos na área de pesquisa, extensão e pós-graduação, a SECTET estima que o programa possa beneficiar um total de 38.041 paraenses.
Novas perspectivas
Nascido em Concórdia do Pará, no nordeste paraense, Nicolas de Oliveira diz que o contato com o programa mudou sua perspectiva de vida e carreira. "Foi a coisa mais importante que me aconteceu", conta Nicolas, que havia iniciado os estudos acadêmicos em um curso em um município distante de sua terra natal, e em uma área que ainda não era a desejada.
"Gostei muito mais da minha vivência no curso de Engenharia de Produção. E isso teve grande importância pra mim, pro desenvolvimento profissional na minha vida. Porque eu já tinha passado pro curso de licenciatura em Física, e estava cursando na IFPA de Bragança. E surgiu então o Programa Forma Para lá no município de Acará, mais perto da minha família, fazer mais perto de casa, onde eu teria mais apoio", conta.
Nicolas perdeu a mãe enquanto reorientava sua trajetória profissional. O curso no Forma Pará serviu de suporte para os momentos mais incertos. "Muita coisa aconteceu, foi uma experiência pesada. Longe da minha família, eu teria desistido e hoje seria uma pessoa completamente sem perspectiva. Hoje eu já estou trabalhando em Belém. Consegui me desenvolver como um iniciante na vida científica, na pesquisa. Estou caminhando, para me tornar futuramente um professor", planeja.
"Eu tive que ir atrás. Tive que sair de casa, entregar currículo, correr pra conseguir um trabalho aqui em Belém. E as coisas estão dando certo na minha vida, tudo graças a esse curso. Então, esse curso chegou na minha vida em um momento que somou pro desenvolvimento da minha personalidade, pro meu desenvolvimento de vida. E hoje, me vejo, sim, como um empreendedor no futuro, sem dúvida. Sem dúvida mesmo", orgulha-se.

