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DOAÇÃO DE SANGUE

Hemopa adota novos critérios do Ministério da Saúde e registra doador acima de 70 anos

Atualização das regras amplia perfil de candidatos e fortalece a captação na hemorrede estadual

Por Aline Seabra (HEMOPA)
26/08/2026 16h22

A Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) já iniciou a adoção dos novos critérios para doação de sangue estabelecidos pelo Ministério da Saúde e registrou, nesta terça-feira (25), na sede da instituição, em Belém, o primeiro doador com mais de 70 anos atendido com base nas novas regras. A atualização amplia as possibilidades de candidatura à doação em diferentes situações, incluindo a continuidade da doação após os 70 anos, mediante avaliação médica.

O primeiro doador com mais de 70 anos registrado pelo Hemopa dentro dos novos critérios foi João Carlos Mendonça, que mantém uma trajetória de aproximadamente cinco décadas como doador de sangue. Ao longo desse período, ele estima ter realizado cerca de 53 doações. “Comecei a doar quando entrei nas Forças Armadas. Pediram um voluntário e eu prontamente me ofereci. De lá para cá, acredito que já sejam cerca de 50 anos como doador e aproximadamente 53 doações realizadas”, conta.

Após completar 70 anos, João Carlos procurou novamente o Hemopa para saber se poderia continuar doando. Ele passou pela avaliação médica prevista nos novos critérios e foi considerado apto. “Eu me sinto bem e acho que a doação também me faz bem. Foi por isso que procurei o Hemopa depois dos 70 anos. Enquanto eu estiver apto e puder continuar, pretendo seguir doando”, afirma.

Para o presidente da Fundação Hemopa, Paulo André Bezerra, o caso representa, na prática, um momento importante na implantação da nova regulamentação.  “É uma satisfação registrar esse momento, com o primeiro doador com mais de 70 anos atendido pelo Hemopa dentro dos novos critérios. Ele tem uma trajetória de mais de 50 doações e, após passar pela avaliação médica prevista na regulamentação, foi considerado apto a continuar doando. É um exemplo que mostra como a atualização pode permitir que doadores regulares continuem contribuindo mesmo após os 70 anos”, afirma.

“A doação de sangue é um gesto de solidariedade que não tem idade”, acrescenta o presidente.

Aplicação dos novos critérios -  As mudanças estão previstas na Portaria GM/MS nº 11.685, de 2 de julho de 2026, que atualiza o regulamento técnico dos procedimentos hemoterápicos no Brasil e redefine critérios de aptidão e inaptidão para candidatos à doação.

Além da possibilidade de continuidade da doação por pessoas com mais de 70 anos, a nova regulamentação também revisa critérios relacionados ao histórico de determinados tipos de câncer, procedimentos estéticos, transfusão de sangue, novos parceiros sexuais, hepatite, procedimentos endoscópicos e uso de determinados medicamentos.

Segundo o enfermeiro e gerente da Triagem de Doadores do Hemopa, André Almeida, a instituição já iniciou a aplicação dos novos critérios e dará continuidade ao processo de implantação em toda a hemorrede. “Nesta quinta-feira será realizada uma videoconferência com toda a hemorrede para capacitar gestores e servidores envolvidos na triagem de doadores. A partir desse treinamento, as unidades poderão iniciar a aplicação dos novos critérios. Como o prazo estabelecido para adequação vai até 30 de setembro, conseguimos antecipar essa implantação ainda em agosto”, explica.

A capacitação reunirá profissionais das unidades da hemorrede envolvidos na triagem clínica dos candidatos à doação. A medida tem como objetivo orientar a aplicação padronizada das novas regras em todas as regiões do Estado.

Avaliação individual - No caso de candidatos com mais de 70 anos, a nova regra não representa aptidão automática. Para continuar doando, é necessário atender às condições estabelecidas na regulamentação e passar por avaliação médica, que irá verificar, individualmente, se o candidato está apto.

“O impacto pode ser significativo porque alguns candidatos que antes eram considerados inaptos poderão voltar a se candidatar à doação, seja pela mudança relacionada à idade ou pela redução dos períodos de inaptidão em determinadas situações. Isso amplia a possibilidade de termos mais pessoas aptas a doar”, destaca André Almeida.

Mesmo com a atualização dos critérios, todos os candidatos à doação continuam passando pelas etapas de triagem. A avaliação considera histórico de saúde, tratamentos, medicamentos e outras condições necessárias para garantir a segurança do doador e do receptor.