Cine Líbero Luxardo apresenta nova programação com terror, drama e documentário
Entre as quatro estreias, estão dois documentários brasileiros que abordam aspectos da história do cinema nacional e a cultura do povo Munduruku
O Cine Líbero Luxardo, espaço da Fundação Cultural do Pará (FCP), inicia nova programação nesta quinta-feira (20), com filmes dos gêneros terror, drama e documentário. Entre as quatro estreias, estão os documentários brasileiros “Os Ruminantes” e “Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe”, que abordam, respectivamente, aspectos da história do cinema brasileiro e a cultura do povo Munduruku. A programação também conta com as exibições do terror “Acampamento Miasma” e do drama “Uma Infância Alemã”.
“Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte”
Dirigido por Jane Schoenbrun, o filme recebeu a Queer Palm, prêmio concedido durante o Festival de Cannes a produções que se destacam por suas temáticas e representações LGBTQIA+. Além da premiação, o longa foi escolhido como filme de abertura da mostra Un Certain Regard, uma das principais seções do Festival de Cannes.
A produção também vem sendo destacada pela crítica por sua abordagem autoral do terror e pela releitura dos clássicos slashers dos anos 1980 a partir de uma perspectiva queer.
Protagonizado por Hannah Einbinder e Gillian Anderson, o filme acompanha uma jovem cineasta queer contratada para revitalizar a decadente franquia “Camp Miasma”. Ao procurar a atriz que protagonizou o filme original, hoje reclusa e cercada de mistérios, ela acaba mergulhando em uma história de desejo, medo, autodescoberta e delírio.
“Uma Infância Alemã”
Ambientado na ilha de Amrum, na Alemanha, durante os últimos dias da Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha Nanning, um menino de 12 anos que enfrenta as dificuldades provocadas pelo conflito enquanto ajuda a mãe a sustentar a família.
A produção recebeu atenção da crítica internacional e registra 92% de aprovação no Rotten Tomatoes, indicador que demonstra a recepção positiva do longa entre os críticos.
A história ganha novos contornos quando a guerra chega ao fim. O que inicialmente parece representar a chegada da paz revela uma ameaça ainda mais próxima, transformando a paisagem aparentemente paradisíaca da ilha em cenário de tensão e descoberta.
Brasil na tela em documentários
“Os Ruminantes”
Com direção de Tarsila Araújo e Marcelo Mello, o documentário resgata a história de “A Hora dos Ruminantes”, projeto escrito em 1967 pelos cineastas Luiz Sergio Person e Jean-Claude Bernardet, baseado no romance homônimo de José J. Veiga. O filme, no entanto, nunca chegou a ser realizado.
Mergulhando nos bastidores da produção interrompida, o longa utiliza entrevistas, documentos, imagens de arquivo e materiais preservados por instituições brasileiras para reconstruir uma parte pouco conhecida da história do cinema nacional. A produção também passou pelo Festival É Tudo Verdade, um dos principais eventos dedicados ao documentário na América Latina, onde foi apresentada em 2025.
Mais do que contar a história de um filme que nunca foi realizado, “Os Ruminantes” discute a relação entre cinema, memória e política, recuperando documentos e personagens ligados à produção cinematográfica brasileira das décadas de 1960 e 1970.
“Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe”
Realizado por mulheres da aldeia Sawre Muybu, no território Munduruku, o documentário teve sua estreia internacional no Hot Docs 2025, em Toronto, no Canadá. O longa foi selecionado para a mostra competitiva World Showcase e concorreu ao Prêmio Bill Nemtin de Melhor Documentário de Impacto Social.
A seleção internacional representa um importante reconhecimento para o audiovisual indígena brasileiro, especialmente por colocar mulheres Munduruku não apenas como personagens, mas também como autoras e realizadoras da própria narrativa.
Na aldeia Sawre Muybu, às margens do rio Tapajós, no Pará, a floresta das mulheres-peixe se relaciona à mitologia Munduruku, segundo a qual, na origem do mundo, seres humanos se transformaram em florestas, plantas e animais.
O filme combina memória, ancestralidade, cultura e questões socioambientais para apresentar ao público uma perspectiva construída a partir do próprio território e dos conhecimentos do povo Munduruku.
Confira a programação
20/08 (quinta-feira)
15h - “Os Ruminantes”
16h35 - “Uma Infância Alemã”
18h25 - “Acampamento Miasma”
20h35 - “Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe”
21/08 (sexta-feira)
15h - “Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe”
16h30 - “Acampamento Miasma”
18h40 - “Uma Infância Alemã”
20h30 - “Os Ruminantes”
22/08 (sábado)
15h - “Uma Infância Alemã”
16h50 - “Os Ruminantes”
18h25 - “Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe”
20h - “Acampamento Miasma”
23/08 (domingo)
15h - “Acampamento Miasma”
17h10 - “Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe”
18h40 - “Os Ruminantes”
20h15 - “Uma Infância Alemã”
24/08 (segunda-feira)
15h - “Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe”
16h30 - “Acampamento Miasma”
18h40 - “Uma Infância Alemã”
20h30 - “Os Ruminantes”
25/08 (terça-feira)
15h - “Uma Infância Alemã”
16h50 - “Os Ruminantes”
18h25 - “Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe”
20h - “Acampamento Miasma”
26/08 (quarta-feira)
15h - “Acampamento Miasma”
17h10 - “Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe”
18h40 - “Os Ruminantes”
20h15 - “Uma Infância Alemã”
Serviço
- Cine Líbero Luxardo
- Avenida Gentil Bittencourt, 650 – Nazaré, Belém
- Ingressos: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia)
- Pagamento apenas em dinheiro
- Bilheteria aberta uma hora antes das sessões
- Lotação: 98 lugares
- Não é permitido o consumo de alimentos e bebidas na sala de exibição
Texto: Maurício Carvalho - Ascom/FCP

