Governo do Pará percorre municípios para reforçar a prevenção e o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e de colo do útero
Projeto Detecta APS realiza visitas técnicas na Região Metropolitana de Belém com foco na qualificação de profissionais e no acompanhamento ágil de pacientes pela rede pública de saúde
O Projeto Detecta APS realiza, nesta semana, uma série de visitas técnicas aos municípios da Região Metropolitana I do Pará para acompanhar e fortalecer a implantação do rastreamento organizado dos cânceres do colo do útero e de mama na Atenção Primária à Saúde (APS). Entre os dias 10 e 13 de agosto, as atividades mobilizam gestores, equipes técnicas e profissionais de saúde de Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara do Pará e Belém.
A programação começou segunda-feira (10), em Ananindeua e, na terça-feira (11), a equipe se dividiu para acompanhar as ações desenvolvidas em Marituba, Benevides e Santa Bárbara do Pará. Na quarta-feira (12), as atividades foram concentradas em Belém, com continuidade da agenda nesta quinta-feira (13), no auditório da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa). Ao longo das visitas, foram realizadas reuniões com gestores e profissionais da Atenção Primária, além do acompanhamento das atividades nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Mais de 150 profissionais de enfermagem participaram das agendas, além de gestores e integrantes das equipes técnicas municipais.
O monitoramento permite avaliar os processos de trabalho que vêm sendo desenvolvidos em cada município, identificar desafios, reconhecer avanços e ajustar estratégias de acordo com as necessidades encontradas nos territórios. A proposta é contribuir para que o rastreamento deixe de ocorrer de forma predominantemente oportunística e avance para um modelo organizado, no qual os serviços consigam identificar quem precisa realizar os exames e acompanhar essa população ao longo da linha de cuidado.
Rastreamento organizado
Uma das prioridades do Detecta APS é fortalecer a capacidade da Atenção Primária para identificar a população elegível ao rastreamento dos cânceres do colo do útero e de mama. O trabalho envolve a qualificação e atualização dos cadastros, a busca ativa de mulheres que nunca realizaram os exames ou estão com o rastreamento em atraso e o acompanhamento das usuárias após a realização dos procedimentos.
Com a organização desse processo, a expectativa é ampliar o acesso oportuno aos exames e reduzir tanto a realização de procedimentos fora das recomendações quanto a perda de oportunidades de prevenção e diagnóstico precoce. A estratégia também busca garantir que alterações identificadas durante o rastreamento tenham continuidade na rede de atenção, com encaminhamento para investigação diagnóstica e, quando necessário, tratamento.
Para a coordenadora estadual de Atenção Oncológica da Sespa, Patrícia Martins, o projeto contribui para aprimorar a forma como a rede identifica e acompanha as mulheres que precisam ser rastreadas.
“O Detecta APS representa uma oportunidade para avançarmos na organização do rastreamento dos cânceres do colo do útero e de mama. Mais do que ampliar o número de exames, queremos garantir que as mulheres que realmente precisam sejam identificadas, acompanhadas e tenham acesso ao cuidado no tempo adequado. É um trabalho que fortalece a Atenção Primária e pode contribuir para reduzir diagnósticos tardios e ampliar as possibilidades de prevenção e tratamento oportuno no SUS”, destacou.
Atuação da Sespa
No Pará, a Sespa participa da articulação e execução das ações do projeto junto aos municípios, promovendo oficinas de planejamento regional, apoiando a organização dos fluxos assistenciais e contribuindo para adequar as estratégias às características epidemiológicas e às necessidades de cada território.
Outro eixo importante é a integração entre os diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde. A atuação busca aproximar a Atenção Primária dos serviços responsáveis pela investigação diagnóstica e pelos atendimentos de média e alta complexidade, para que a identificação de uma alteração durante o rastreamento resulte na continuidade do cuidado, reduzindo o risco de interrupções no percurso da usuária dentro da rede.
“O papel do Estado também é apoiar os municípios na organização desse caminho. Não basta identificar uma alteração na Atenção Primária; precisamos garantir que essa mulher consiga avançar para a investigação diagnóstica e, se necessário, chegar ao tratamento. Essa integração da rede é fundamental para que o rastreamento tenha impacto efetivo na assistência”, ressaltou Patrícia.
O fortalecimento dessa estratégia ganha relevância diante do impacto do câncer do colo do útero no perfil epidemiológico do Pará. A organização do rastreamento permite ampliar a identificação das mulheres que precisam realizar os exames, favorecer o diagnóstico em estágios iniciais e contribuir para reduzir a ocorrência de casos diagnosticados tardiamente.
Parceria
O Detecta APS é desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), com atuação do Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com o Ministério da Saúde e o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), além da articulação com a Sespa e as secretarias municipais de Saúde.
As visitas realizadas nesta semana fazem parte do acompanhamento da implantação da estratégia e reforçam o trabalho conjunto entre Estado e municípios para consolidar um modelo de rastreamento mais organizado e integrado à rede. A partir do monitoramento, as equipes podem avaliar os resultados alcançados, aperfeiçoar os processos de trabalho e definir os próximos passos para ampliar a prevenção e a detecção precoce dos cânceres do colo do útero e de mama no Pará.

